Trump diz que controle dos EUA sobre a Venezuela pode durar anos
São Paulo, Sp (folhapress) - 08/01/2026 21:04:55 | Foto: Casa Branca
O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta (8) uma resolução que busca impedir o presidente Donald Trump de determinar novas ações militares contra a Venezuela sem autorização do Congresso. A iniciativa abre caminho para uma análise mais aprofundada da proposta na Casa, composta por cem senadores.
A votação, de caráter processual e necessária para dar continuidade à resolução, terminou com 52 votos a favor, e 47 contrários. Alguns senadores republicanos romperam com o presidente e se juntaram a todos os democratas para permitir o avanço do texto.
O movimento ocorreu poucos dias depois de forças americanas capturarem o ditador Nicolás Maduro em uma operação militar sem precedentes em Caracas. A ação reacendeu o debate no Congresso sobre os limites da autoridade presidencial para o uso da força militar sem aval legislativo.
Minutos após a votação, Trump escreveu em sua plataforma, a Truth Social, que os republicanos que votaram a favor da iniciativa deveriam ficar envergonhados e nunca mais serem eleitos. Ainda escreveu os nomes dos correligionários que endossaram o texto. "Essa votação prejudica a autodefesa e a segurança nacional americanas, impedindo a autoridade do presidente", publicou ele.
Duas tentativas anteriores de aprovar resoluções semelhantes tinham sido bloqueadas no Senado, no ano passado, por parlamentares republicanos alinhados a Trump. Naquele período, o governo dos EUA já aumentava a pressão sobre a Venezuela com ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico.
As ofensivas motivaram parlamentares a apresentarem uma série de projetos com base na Lei de Poderes de Guerra, de 1973 e aprovada após a Guerra do Vietnã, que limita ações militares unilaterais do Executivo.
Com a aprovação da medida processual nesta quinta, o Senado agora abre espaço para uma análise mais detalhada da resolução num contexto de tensão crescente entre o Legislativo e a Casa Branca sobre a condução da política externa e o uso do poder militar.
No fim do ano passado, integrantes do governo Trump afirmaram que não planejavam uma mudança de regime nem ataques ao território venezuelano. Após a captura de Maduro, alguns parlamentares passaram a acusar a gestão de ter enganado o Congresso.
"Falei hoje com pelo menos dois republicanos que não votaram a favor dessa resolução anteriormente e que agora estão considerando fazê-lo", afirmou o senador Rand Paul, republicano do Kentucky e um dos coautores da proposta, em entrevista coletiva antes da votação.
Atualmente, o partido do presidente controla o Senado com 53 cadeiras, enquanto os democratas e senadores independentes que votam com a oposição têm 47 assentos. A aprovação da medida representa uma vitória para os parlamentares que defendem maior controle do Congresso sobre decisões de guerra. Ainda assim, o caminho para que se torne lei é considerado difícil.
O texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Representantes, também controlada pelos republicanos, e superar um veto presidencial, o que exigiria maioria de dois terços na Câmara e no Senado.
Apesar dos obstáculos, os defensores da proposta dizem que parte dos republicanos pode se mostrar reticente diante da perspectiva de uma campanha prolongada e custosa de mudança de regime na Venezuela. Na quarta (7), Trump escreveu na Truth Social que deseja aumentar o orçamento militar americano de US$ 1 trilhão para US$ 1,5 trilhão.
Kaine disse que forças americanas vêm atacando embarcações venezuelanas há meses e citou declarações de Trump sobre governar a Venezuela, além da apreensão de petróleo venezuelano. "Isso está longe de ser uma operação cirúrgica", afirmou.
A Constituição dos EUA determina que o presidente precisa obter autorização do Congresso para iniciar operações militares prolongadas. Senadores contrários à resolução, no entanto, sustentam que a captura de Maduro se trata de uma ação de aplicação da lei, não de uma operação militar.
Eles também argumentam que Trump age dentro de suas prerrogativas como comandante em chefe ao autorizar ações militares limitadas que considere necessárias para a segurança nacional.
Maduro enfrenta julgamento em um tribunal americano por acusações relacionadas a tráfico de drogas e armas. Ele se declarou inocente.
Trump diz que controle dos EUA sobre a Venezuela pode durar anos
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O presidente Donald Trump afirmou na noite desta quarta-feira (7) ao jornal New York Times que espera que os EUA administrem a Venezuela por anos, sem especificar o período.
"Só o tempo dirá", falou, quando questionado sobre o tempo de supervisão. A declaração foi dada nesta quarta-feira durante uma entrevista exclusiva a quatros repórteres do jornal americano, que ainda não foi completamente divulgada.
Quando perguntado se poderia ser a duração de um ano, o republicano falou que "diria que muito mais tempo". Apesar disso, durante a conversa, ele também não especificou o tempo exato do período de intervenção americana no país sul-americano.
Depois disso, declarou ainda que deve reconstruir a Venezuela "de uma forma muito lucrativa". "Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso", acrescentou.
O presidente falou também que, no momento, o governo interino do país está "dando tudo o que consideramos necessário". Ele reiterou que os aliados do ditador Nicolás Maduro estão cooperando com os EUA, apesar de suas declarações públicas hostis contra eles nos últimos dias. "Como você sabe, estamos nos dando muito bem com o governo atual."
O líder americano se recusou a dizer o que poderia levá-lo a enviar tropas para a Venezuela, mas pareceu dissipar uma ameaça imediata de ação militar. "Não posso dizer isso. Eu realmente não gostaria de dizer isso, mas eles estão nos tratando com muito respeito", respondeu.
Trump também cogitou uma possível viagem à Venezuela no futuro. "Acho que em algum momento será seguro", disse ao jornal.
PLANO DOS EUA PARA A VENEZUELA TEM TRÊS FASES
O primeiro passo é estabilizar o país sul-americano. "Não queremos que ele desemboque em caos", disse Marco Rubio, secretário de Estado, nesta quarta-feira. Para ele, o bloqueio das exportações de petróleo venezuelano faz parte do período de estabilização.
Dinheiro do petróleo apreendido beneficiará os venezuelanos, diz Rubio. "Vamos vendê-lo no mercado, não com os descontos que a Venezuela vinha recebendo. Esse dinheiro será então administrado de tal forma que controlaremos como ele será distribuído, de um jeito que beneficie o povo venezuelano, não a corrupção, não o regime."
Ele chamou a segunda fase de "recuperação". Segundo o funcionário de Trump, a etapa consiste em garantir que empresas americanas e de outros países tenham "acesso ao mercado venezuelano de maneira justa".
O segundo momento também incluiria um "processo de reconciliação nacional". "Para que as forças de oposição possam ser anistiadas e libertadas das prisões ou trazidas de volta ao país e comecem a reconstruir a sociedade civil", explicou ele, sem dar mais detalhes e prazos para a execução do plano.
O plano inclui a transição de poder. Ele, no entanto, afirmou que ainda é muito cedo para discutir o cronograma para as eleições na Venezuela. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, fez um pronunciamento no mesmo sentido.
"Algumas dessas etapas vão se sobrepor. Eu descrevi tudo isso a eles com grande nível de detalhe. Teremos mais informações nos próximos dias, mas sentimos que estamos avançando aqui de uma forma muito positiva", disse Rubio.
Delcy concorda em vender petróleo da Venezuela para EUA, mas diz que há 'mancha' na relação
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nessa quarta-feira (7) que o país concordou em negociar a venda de petróleo com os EUA.
Ela afirmou que o comércio com os norte-americanos "não é extraordinário nem irregular", após a petroleira estatal PDVSA anunciar uma negociação para vender óleo bruto aos EUA.
Ao mesmo tempo, a líder interina afirmou que o relacionamento entre os dois países ficou manchado após o ataque e a captura do ditador Nicolás Maduro no último sábado (3).
O ataque do último dia 3 deixou 100 mortos e feriu Maduro e sua mulher, Cilia Flores, de acordo com o ministro do Interior, Diosdado Cabello.
O presidente Donald Trump disse na noite desta quarta-feira (7), ao The New York Times, que espera que os Estados Unidos administrem a Venezuela e extraiam petróleo de suas enormes reservas por anos, e insistiu que o governo interino do país -todos ex-leais ao agora preso Nicolás Maduro- está "nos dando tudo o que consideramos necessário".
Um dia antes, Trump havia declarado que a Venezuela entregará até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA e que o país sul-americano comprará produtos dos EUA com os lucros advindos da venda do petróleo.
A líder venezuela afirmou que "há uma mancha" na relação bilateral. Nas ruas de Caracas, houve protestos convocados por aliados do governo. "Nico (referência ao ditador Nicolás Maduro), aguente, o povo se levanta!", gritavam manifestantes em passeata no bairro popular de Catia.
"Estamos defendendo nossa soberania, nossa pátria. Desde pequenos nos diziam: o império, os gringos, e muita gente acreditou que isso era um conto de fadas", declarou Tania Rodríguez, aposentada de 57 anos.
A PDVSA informou em comunicado que "conduz uma negociação com os Estados Unidos para a venda de volumes de petróleo, no contexto das relações comerciais entre os dois países". A empresa tem um acordo de extração e venda de petróleo, entre outros, com a petrolífera norte-americana Chevron.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, havia dito mais cedo que Washington controlará as vendas de petróleo "indefinidamente".
Em declaração no Congresso, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o governo tem um plano para a Venezuela e "não está improvisando".
DINHEIRO DO PETRÓLEO SOB CUSTÓDIA DOS EUA
Os Estados Unidos planejam depositar a receita da venda de óleo bruto em contas sob seu controle. "Esses fundos serão distribuídos em benefício do povo americano e do povo venezuelano", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, repetindo discurso feito por Trump.
Trump receberá representantes das petroleiras dos EUA nesta sexta-feira (9), na Casa Branca, para analisar "a imensa oportunidade que têm" na Venezuela.
"Não estamos roubando o petróleo de ninguém", afirmou o secretário de Energia.
A China é, até agora, o principal cliente do petróleo venezuelano, que chegava a seus portos a preço com desconto devido às sanções americanas e à dificuldade de transportá-lo.
O temor é que as cargas da Venezuela destinadas à China fossem redirecionadas para os EUA. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, criticou a atitude norte-americana. "O uso descarado da força pelos Estados Unidos contra a Venezuela e sua exigência de 'América em primeiro lugar' quando a Venezuela se desfaz de seus próprios recursos petrolíferos são atos típicos de intimidação", avaliou.
EQUILÍBRIO DIFÍCIL
Especialistas apontam que, para se manter no poder, Delcy terá que buscar um difícil equilíbrio entre satisfazer as exigências de Trump e reorganizar um chavismo sem Maduro.
Por ora, ela manteve em seu gabinete os influentes ministros do Interior, Diosdado Cabello, e da Defesa, Vladimir Padrino, figuras-chave da administração anterior.
Na terça-feira, fez suas primeiras mudanças: nomeou como chefe da guarda presidencial um ex-chefe do serviço de inteligência (Sebin), que por sua vez controlará a temida agência de contrainteligência militar (DGCIM).
Também designou Calixto Ortega como chefe da equipe econômica, cargo que havia sido deixado vago pela própria Rodríguez ao assumir a presidência. O regime interino tem duração máxima de 180 dias, após os quais o governo terá de convocar eleições.
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