Sensor de baixo custo vai monitorar qualidade do ar em terras indígenas brasileiras

Aparelho medirá poluição fina nas comunidades e cruzará os dados com índices de doença na região amazônica

Sensor de baixo custo vai monitorar qualidade do ar em terras indígenas brasileiras
Sensor de baixo custo vai monitorar qualidade do ar em terras indígenas brasileiras

Portal Brasil De Fato - 05/04/2026 08:13:15 | Foto: O desmatamento em terras indígenas é fruto das violências física e institucional contra os povos tradicionais | Crédito: Léo Otero/Ministério dos Povos Indígenas

Desenvolvido em uma parceria entre o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e a Universidade Federal do Pará (UFPA), um novo equipamento vai medir poluentes dentro de territórios indígenas. A tecnologia será apresentada durante o Acampamento Terra Livre em Brasília, que começa neste domingo (5), tem fabricação nacional e se destaca pelo baixo custo de produção.

Diferentemente da poluição das grandes cidades, causada majoritariamente por veículos automotores, o ar na Amazônia sofre grandes impactos das queimadas florestais e da limpeza de pastagens.

Filipe Viegas Arruda, pesquisador do IPAM e responsável pelo desenvolvimento do aparelho, ressalta que o equipamento ajuda a combater o mito de que os habitantes da floresta respiram apenas ar puro.

As secas extremas agravam substancialmente esse cenário. Somente no ano de 2024, a Amazônia Legal registrou 138 dias com a qualidade do ar classificada como péssima e nociva à saúde humana.

Para chegar aos resultados, o equipamento mede temperatura, umidade e níveis de poluição a cada dois minutos, com alta precisão. O grande trunfo da ferramenta é a capacidade de detectar o material particulado ultrafino, conhecido como PM 2.5, que tem uma espessura dez vezes menor que um fio de cabelo humano.

Essas partículas finas conseguem penetrar profundamente nos pulmões e nos alvéolos e alcançam a corrente sanguínea. A longo prazo, elas podem causar o aparecimento de doenças respiratórias e cardiovasculares.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) alertam que os moradores da região amazônica chegam a perder até três anos de expectativa de vida em função da degradação atmosférica contínua.

O projeto da RedeAr pretende cruzar as informações sobre a poluição com os registros de atendimento médico realizados pela Secretaria Nacional de Saúde Indígena (Sesai) e pelo sistema Telesaúde. Com isso, as organizações esperam municiar o poder público com dados para adaptar políticas.

Historicamente, manter esse tipo de monitoramento ambiental de forma remota esbarra em obstáculos como falta de infraestrutura de internet nas florestas. Atualmente, o Brasil conta com cerca de 570 estações de análise da qualidade do ar, mas apenas 12 estão em terras indígenas.

Editado por: Luís Indriunas

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