Trabalhadores por conta própria com CNPJ batem recorde, mas representam menos de 30% no Brasil

Home office se mantém em patamar superior ao pré-pandemia no Brasil

Trabalhadores por conta própria com CNPJ batem recorde, mas representam menos de 30% no Brasil
Trabalhadores por conta própria com CNPJ batem recorde, mas representam menos de 30% no Brasil

Leonardo Vieceli-rio De Janeiro, Rj (folhapress) - 23/09/2026 11:20:58 | Foto: © FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL

A proporção de trabalhadores por conta própria que exercem atividades formais com o registro de CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) bateu recorde no Brasil em 2025. O grupo, porém, ainda representa menos de 30% do total de autônomos.

As informações são de um módulo da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) divulgado nesta quarta-feira (23) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O levantamento reúne dados a partir de 2012, e a análise considera o trabalho principal.

Segundo o IBGE, o número de trabalhadores por conta própria com CNPJ subiu a 7,1 milhões em 2025. Com isso, passou a responder por 27,1% do total de autônomos (26,1 milhões), o maior patamar da série histórica.

No início da pesquisa, em 2012, a proporção formal estava em 15%. Ou seja, o percentual quase dobrou se comparado ao patamar do ano passado.

Apesar da máxima, a taxa inferior a 30% ainda pode ser considerada baixa, segundo o analista William Kratochwill, do IBGE.

O pesquisador afirmou que uma grande parte do trabalho por conta própria é realizada por pessoas com menos instrução e que o CNPJ está mais presente entre os profissionais com mais escolaridade.

Os autônomos com ensino superior completo representam 19,2% do total de 2025. Quando a análise envolve apenas os trabalhadores por conta própria com CNPJ, a participação do grupo mais escolarizado sobe a 35,9%.

"A taxa de registro está fortemente ligada ao nível de instrução. Quanto mais instrução a pessoa tem, mais preparada está para o mercado", afirmou Kratochwill.

A Pnad estimou em 5 milhões o número de trabalhadores por conta própria com ensino superior em 2025. Desse contingente, 2,5 milhões tinham o CNPJ, o equivalente a 50,8%.

Foi a primeira vez que a taxa de registro formal alcançou mais da metade do grupo, disse o IBGE. O percentual era de 42,5% em 2012.

Entre os trabalhadores por conta própria com menos estudo (sem instrução ou com ensino fundamental incompleto), o CNPJ chegava a apenas 11% no ano passado.

IBGE CITA IMPACTO DO MEI
Segundo Kratochwill, a parcela que passou pela universidade muitas vezes atua como prestadora de serviços, e programas governamentais buscaram facilitar a formalização de negócios.

Ao tocar nesse ponto, o pesquisador citou o avanço dos registros de MEI (microempreendedor individual). Trata-se de uma figura jurídica instituída a partir de lei de 2008 com o objetivo de formalizar trabalhadores e gerar alguma contribuição previdenciária.

"O MEI, com certeza, é um programa que facilita o registro. Facilita para a pessoa ter a sua empresa legalizada para que possa abrir uma conta no banco, realizar operações e receber formalmente via Pix, boleto ou seja lá o que for", afirmou Kratochwill.

O avanço do trabalho por conta própria tem sido chamado de pejotização no país. Isso acontece quando um profissional abre uma empresa e presta serviços para outra, sem vínculo na carteira de trabalho.

Questionado sobre o movimento, Kratochwill indicou que a Pnad não fornece maiores detalhes sobre o assunto, mas disse que a pejotização pode ser uma ferramenta de redução de custos para as empresas que demandam os autônomos.

Em junho, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o governo Lula (PT) se preocupava com a ampliação de contratações pelo MEI devido à baixa contribuição previdenciária da categoria.

"O que não podemos é usar o MEI como forma de fraude trabalhista. Supremo tem responsabilidade de não cometer irresponsabilidade de contratar pessoa jurídica no lugar de funcionário", disse o ministro à época, em referência ao julgamento sobre pejotização parado no STF (Supremo Tribunal Federal).

Estudo recente do Ministério do Trabalho identificou a migração de trabalhadores da carteira assinada para a figura de pessoas jurídicas. O movimento teria gerado uma perda de R$ 105 bilhões em arrecadação de janeiro de 2022 a julho de 2025.

O impacto considera a queda na contribuição de empresas e trabalhadores para a Previdência, o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e o Sistema S.

Um dos fatores que podem incentivar a ida para o trabalho por conta própria com CNPJ é a busca por renda maior.

Reportagem da Folha de S.Paulo publicada em agosto de 2025 mostrou que autônomos tinham obtido remuneração acima dos salários pagos a quem atuava como empregado formal em profissões equivalentes.

Home office se mantém em patamar superior ao pré-pandemia no Brasil

LEONARDO VIECELI-RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Trabalhar em casa era uma realidade para 7,9% da população ocupada no Brasil em 2025, indicam dados divulgados nesta quarta-feira (23) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O grupo associado ao home office era formado por 6,6 milhões de pessoas de 14 anos ou mais. É um contingente similar ao total de habitantes da cidade do Rio de Janeiro (6,7 milhões).

O percentual de 7,9% permaneceu estável em relação a 2024 e se manteve acima do patamar pré-pandemia, de 2019, quando estava em 5,8%.

Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), iniciada em 2012.

Naquele ano, a fatia da população ocupada cujo local de trabalho era o domicílio de residência estava em 3,6%, menos da metade da proporção mais recente (7,9%).

Não houve coleta de informações em 2020 e 2021 devido às restrições da pandemia de coronavírus, que forçou a adoção do home office em parte das empresas e dos órgãos públicos.

Na série histórica da Pnad, a maior proporção de trabalhadores exercendo as suas funções em casa ocorreu em 2022 (8,4%), na saída da crise sanitária.

Em 2025, três unidades da Federação mostraram percentuais acima de 10%. Foram os casos de Ceará (10,7%), Distrito Federal (10,6%) e Rio de Janeiro (10,1%).

Por outro lado, a proporção ficou abaixo de 5% em três estados: Acre (3,6%), Rondônia (4,1%) e Mato Grosso (4,5%). Em São Paulo, a fatia atuando em casa foi de 8,1%, similar à média nacional (7,9%).

No recorte das capitais, Porto Alegre mostrou o percentual mais elevado (18,7%), enquanto Porto Velho teve o mais baixo (4,2%). Na capital paulista, a taxa ficou em 9,3%.

A Pnad leva em conta o local de trabalho principal. Ou seja, se um profissional estiver em um modelo híbrido com três dias de atividades por semana em casa e dois na sede da empresa, será contabilizado no grupo que atua em home office.

60,2% TRABALHAM NA EMPRESA
Em outro caso, se um funcionário passar quatro dias por semana na sede do empregador e somente um no domicílio de residência, entrará na parcela que trabalha no local descrito pelo IBGE como estabelecimento do próprio empreendimento. É a principal classificação identificada na pesquisa.

Em 2025, 60,2% da população ocupada trabalhava nessa condição. O percentual vem subindo após a saída da pandemia. Estava em 59,4% em 2024.

A taxa, porém, ainda não recuperou os níveis anteriores da série histórica. O recorde ocorreu em 2014 (64,6%).

No ano passado, Santa Catarina (73,1%) e São Paulo (69,9%) foram as unidades da Federação com os maiores percentuais de trabalhadores em estabelecimentos dos próprios empreendimentos. Piauí teve a menor proporção (44,7%).

No recorte das capitais, Florianópolis e São Paulo lideraram, com 71,7%. Boa Vista registrou o menor nível (53,1%).

OUTROS LOCAIS
As estatísticas desconsideram empregados no setor público e trabalhadores domésticos. Assim, a população ocupada foi estimada em 84,6 milhões em 2025.

A Pnad ainda identificou os seguintes locais de trabalho no Brasil: local designado pelo empregador, patrão ou freguês (13,8%), fazenda, sítio, granja e chácara (8,4%), veículo automotor (5%), via ou área pública (2,1%), estabelecimento de outro empreendimento (1,6%), domicílio do empregador, patrão, sócio ou freguês (0,7%) e outros (0,3%).

Trabalhadores por conta própria com CNPJ batem recorde, mas representam menos de 30% no Brasil

LEONARDO VIECELI-RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A proporção de trabalhadores por conta própria que exercem atividades formais com o registro de CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) bateu recorde no Brasil em 2025. O grupo, porém, ainda representa menos de 30% do total de autônomos.

As informações são de um módulo da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) divulgado nesta quarta-feira (23) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O levantamento reúne dados a partir de 2012, e a análise considera o trabalho principal.

Segundo o IBGE, o número de trabalhadores por conta própria com CNPJ subiu a 7,1 milhões em 2025. Com isso, passou a responder por 27,1% do total de autônomos (26,1 milhões), o maior patamar da série histórica.

No início da pesquisa, em 2012, a proporção formal estava em 15%. Ou seja, o percentual quase dobrou se comparado ao patamar do ano passado.

Apesar da máxima, a taxa inferior a 30% ainda pode ser considerada baixa, segundo o analista William Kratochwill, do IBGE.

O pesquisador afirmou que uma grande parte do trabalho por conta própria é realizada por pessoas com menos instrução e que o CNPJ está mais presente entre os profissionais com mais escolaridade.

Os autônomos com ensino superior completo representam 19,2% do total de 2025. Quando a análise envolve apenas os trabalhadores por conta própria com CNPJ, a participação do grupo mais escolarizado sobe a 35,9%.

"A taxa de registro está fortemente ligada ao nível de instrução. Quanto mais instrução a pessoa tem, mais preparada está para o mercado", afirmou Kratochwill.

A Pnad estimou em 5 milhões o número de trabalhadores por conta própria com ensino superior em 2025. Desse contingente, 2,5 milhões tinham o CNPJ, o equivalente a 50,8%.

Foi a primeira vez que a taxa de registro formal alcançou mais da metade do grupo, disse o IBGE. O percentual era de 42,5% em 2012.

Entre os trabalhadores por conta própria com menos estudo (sem instrução ou com ensino fundamental incompleto), o CNPJ chegava a apenas 11% no ano passado.

IBGE CITA IMPACTO DO MEI
Segundo Kratochwill, a parcela que passou pela universidade muitas vezes atua como prestadora de serviços, e programas governamentais buscaram facilitar a formalização de negócios.

Ao tocar nesse ponto, o pesquisador citou o avanço dos registros de MEI (microempreendedor individual). Trata-se de uma figura jurídica instituída a partir de lei de 2008 com o objetivo de formalizar trabalhadores e gerar alguma contribuição previdenciária.

"O MEI, com certeza, é um programa que facilita o registro. Facilita para a pessoa ter a sua empresa legalizada para que possa abrir uma conta no banco, realizar operações e receber formalmente via Pix, boleto ou seja lá o que for", afirmou Kratochwill.

O avanço do trabalho por conta própria tem sido chamado de pejotização no país. Isso acontece quando um profissional abre uma empresa e presta serviços para outra, sem vínculo na carteira de trabalho.

Questionado sobre o movimento, Kratochwill indicou que a Pnad não fornece maiores detalhes sobre o assunto, mas disse que a pejotização pode ser uma ferramenta de redução de custos para as empresas que demandam os autônomos.

Em junho, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o governo Lula (PT) se preocupava com a ampliação de contratações pelo MEI devido à baixa contribuição previdenciária da categoria.

"O que não podemos é usar o MEI como forma de fraude trabalhista. Supremo tem responsabilidade de não cometer irresponsabilidade de contratar pessoa jurídica no lugar de funcionário", disse o ministro à época, em referência ao julgamento sobre pejotização parado no STF (Supremo Tribunal Federal).

Estudo recente do Ministério do Trabalho identificou a migração de trabalhadores da carteira assinada para a figura de pessoas jurídicas. O movimento teria gerado uma perda de R$ 105 bilhões em arrecadação de janeiro de 2022 a julho de 2025.

O impacto considera a queda na contribuição de empresas e trabalhadores para a Previdência, o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e o Sistema S.

Um dos fatores que podem incentivar a ida para o trabalho por conta própria com CNPJ é a busca por renda maior.

Reportagem da Folha de S.Paulo publicada em agosto de 2025 mostrou que autônomos tinham obtido remuneração acima dos salários pagos a quem atuava como empregado formal em profissões equivalentes.

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