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Tributar editoras e livrarias é reduzir a cultura e bloquear a inteligência coletiva

Tributar editoras e livrarias é reduzir a cultura e bloquear a inteligência coletivaFoto: Tribuna da Internet

Guedes é um farsante que não respeita nem mesmo a cultura

Pedro Do Coutto - Tribuna Da Internet - 30/07/2020 - 09:45:55

Excelente a reportagem de Jan Nikias e Ruan de Souza Gabriel, O Globo de hoje, a respeito da tributação do PIS e COFINS, na escala de 12%, para indústria e comércio de livros. Com base na lei 10.865/04, o setor até hoje está isento da contribuição que o projeto do ministro Paulo Guedes quer fazer desabar sobre essas empresas. Nos últimos dois anos, afirmo eu, muitas livrarias fecharam no Rio que não resistiram a crise econômica e social e foram sufocadas pelo vertiginoso aumento dos alugueis.

Comprimir o processo cultural é lançar uma sombra sobre a percepção humana que se desenvolve e aprimora através do movimento eterno da literatura.

RESISTIR BRAVAMENTE – Acentuo que poucas livrarias resistiram bravamente à compressão social que se verificou nos últimos dois anos e reduziu o poder de consumo da sociedade. Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, afirmou que, se consumada tal tributação, terá ela um efeito devastador.

Vitor Tavares, presidente da Câmara Brasileira do Livro, ressalta que o setor da cultura escrita ficou seriamente preocupado, uma vez que a incidência de 12% sobre as vendas anularia parte substancial do processo cultural, assinalo eu, que atravessa os séculos e os milênios.

Trata-se de uma energia fundamental, a registrada nas páginas do tempo, para o avanço da própria humanidade. Por isso, Bernardo Gurbanov, presidente da Associação Nacional de Livrarias, identifica a perspectiva de um desastre no horizonte.

MÚLTIPLO ALCANCE – Os livros referem-se tanto às arte, às ciências, ao entretenimento, ao cinema e ao teatro, enfim, a tudo que a vida abrange, uma vez que os textos impressos ao longo da névoa do tempo, dão margem à produção de filmes e peças teatrais.

Afirmo, sem medo de errar que Paulo Guedes deveria ser o primeiro a facilitar a circulação de livros, já que ele próprio diz ter lido a obra de John Maynard Keynes, no original em inglês. A obra é eterna, mas tenho o temor de que Paulo Guedes na realidade não leu o economista inglês, que em 1944, final daquele ano, representou a Inglaterra na formação do Banco Mundial, na cidade de Breton Woods, Estados Unidos.

Na verdade a obra de Keynes é múltipla, cada livro, são mais de 20, focalizando um tema de abrangência tanto cultural quanto econômica e social, nesta última, é claro, abrangendo as relações entre capital e trabalho.

AO CONTRÁRIO DE GUEDES -Aliás, para terminar, os pensamentos do grande economista inglês, são absolutamente contrários ao que pensa Paulo Guedes, pensamento que se projeta nas suas iniciativas que repousam num mundo financeiro e pouco na condição humana.

Como outro dia escrevi, Guedes é um ficcionista para quem a teoria dispensa a prática. Um exemplo: Júlio Wiziack, reportagem de hoje na Folha de São Paulo, revela que o plano de privatização do ministro da Economia, abrangendo 614 empresas estatais, não ultrapassou nem a fase de estudos. Não saiu do papel.

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