Ultraprocessados elevam consumo de sódio nas Américas, adverte Opas

Alimentos industrializados são responsáveis por 80% do sódio ingerido; representante da Organização Pan-Americana da Saúde aponta pressão da indústria para barrar políticas de redução

Ultraprocessados elevam consumo de sódio nas Américas, adverte Opas
Ultraprocessados elevam consumo de sódio nas Américas, adverte Opas

Agência Onu News - 19/05/2026 11:42:55 | Foto: UNICEF/Florence Goupil

Refeições congeladas, salgadinhos e embutidos são alguns dos alimentos ultraprocessados presentes na dieta das pessoas e que representam riscos à saúde pública dos países das Américas.

Na Semana de Conscientização sobre o Sal, encerrada neste domingo, a Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, reforçou o alerta sobre os perigos do consumo excessivo e dos desafios enfrentados na região.

Dicas para reduzir o consumo
A ONU News conversou com a presidente do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Erika Campana, sobre como o ingrediente pode afetar o organismo.

“O excesso de sal faz com que o corpo retenha líquidos, aumenta a pressão arterial e sobrecarrega o coração, os vasos sanguíneos, os rins e até o cérebro. Com o tempo, isso pode aumentar o risco de infarto, de acidente vascular cerebral, de insuficiência cardíaca e de doença renal. Existe um detalhe importante, a pressão alta muitas vezes não dá sintomas. A pessoa pode estar com a pressão alta e nem perceber. A boa notícia é que pequenas mudanças fazem muita diferença: reduzir o consumo de ultraprocessados; experimentar temperos naturais, como alho, cebola, ervas e limão; além de provar alimentos antes de adicionar mais sal já ajuda bastante”.

A especialista explicou que a maior parte do sódio que as pessoas consomem vem de alimentos industrializados, embutidos, temperos prontos, macarrão instantâneo, salgadinhos, refrigerantes e produtos que nem parecem salgados.

Limite diário recomendado
O excesso de sal é um dos principais fatores para o desenvolvimento de hipertensão e doenças cardiovasculares, duas das maiores causas de morte no continente.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, recomenda o consumo diário máximo de 2.000mg de sódio para adultos, equivalente a uma colher de chá.

Apesar disso, o consumo permanece muito acima do limite recomendado. O assessor em nutrição e atividade física da Opas, Fabio da Silva Gomes, destaca que o sal adicionado à mesa não é o principal problema.

O maior desafio está na ingestão de alimentos industrializados, afirma o assessor, responsáveis por cerca de 80% da ingestão de sódio, muitas vezes sem os consumidores perceberem.

Aumento do consumo de ultraprocessados
Para ele, o aumento do consumo de ultraprocessados torna essenciais políticas como os rótulos de advertência na parte frontal das embalagens, que ajudem a população a identificar produtos com excesso de sódio.

O maior desafio para a implementação dessas diretrizes é a pressão da indústria alimentícia.

Segundo Gomes, as empresas do setor frequentemente tentam atrasar ou enfraquecer as medidas, questionando estudos científicos ou recorrendo à Justiça para impedir regulações mais rígidas.

Medidas regulatórias
A substituição por ingredientes como sal rosa, sal marinho e sal refinado não é a solução recomendada. Apesar de conterem minerais em menores quantidades, continuam, em sua maioria, sendo cloreto de sódio.

Países como Argentina, México e Colômbia já adotaram regulações sobre o uso em alimentos industrializados, com estudos mostrando redução na compra de produtos ricos em sal.

A Opas mantém alinhamento com a meta da OMS de reduzir em 30% o consumo de sal. O assessor defende a implementação de políticas públicas, a regulação da publicidade e a restrição da oferta desses produtos em escolas.

Comentários para "Ultraprocessados elevam consumo de sódio nas Américas, adverte Opas":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório