‘Vini Jr. é a nossa maior força hoje no combate ao racismo’, diz ex-goleiro Aranha

Uefa apura ofensa racista contra o atacante brasileiro durante jogo do Real Madrid e Benfica, pela Champions League

‘Vini Jr. é a nossa maior força hoje no combate ao racismo’, diz ex-goleiro Aranha
‘Vini Jr. é a nossa maior força hoje no combate ao racismo’, diz ex-goleiro Aranha

Por leonardo Fernandes - Portal Bdf - 19/02/2026 09:21:49 | Foto: Portal Brasil de Fato

A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) iniciou na quarta-feira (18), uma apuração sobre as queixas de racismo no duelo entre Benfica e Real Madrid na última terça-feira (17). Um inspetor foi escolhido para analisar o ocorrido durante a partida válida pelo torneio europeu. O atacante Vinicius Junior relatou que o jogador argentino Prestianni disparou ofensas contra ele.

A entidade máxima do futebol europeu afirmou em nota que “um inspetor independente de Ética e Disciplina foi designado para conduzir a apuração”. Segundo o comunicado, as decisões serão publicadas no site da organização assim que houver progressos.

Em entrevista ao Brasil de Fato, o ex-goleiro Aranha disse o novo episódio não surpreende e que casos como esse têm tudo grandes repercussões porque tem havido reação dos jogadores agredidos.

“Vindo de um jogador argentino, jogando em uma equipe portuguesa, na Europa, para quem conhece o mínimo de história, sabe que existe uma tensão, uma questão racial ligada a tudo isso e somada à origem do futebol, que é extremamente racista, não é surpresa. O que está sendo surpresa para as pessoas hoje é a manifestação das pessoas negras, esse combate, esse enfrentamento”, avalia o futebolista. “Então, é claro que o Vinicius Junior precisa tomar cuidado para não se prejudicar, mas é muito importante que um jogador da qualidade dele, do tamanho que tem o Vinicius Junior, onde ele joga, ele é a nossa maior força hoje no combate ao racismo”, completa.

Aranha critica a postura do jogador argentino e do Benfica, que tratou de justificar a ação de Prestianni como uma “reação” à comemoração de Vini Jr. “É só uma tentativa de banalizar a denúncia da vítima. Como em todo caso de violência, sempre o agressor ou aquele que simpatiza com o agressor, ele vai tentar achar alguma desculpa para poder tirar a legitimidade da denúncia. É só uma forma de tentar transferir a responsabilidade”, considera.

Por outro lado, o ex-goleiro aponta que as punições relacionadas ao racismo no futebol só terão eficácia a partir do momento que comece a dar prejuízo. “Futebol é uma máquina de dinheiro, a Uefa é uma máquina de dinheiro. A chefia, as instituições, as organizações, elas não vão fazer nada além do normal, porque tudo é visado ao lucro. O futebol precisa dar dinheiro. Então, eles não vão tomar nenhum tipo de decisão, não vão aplicar nenhum tipo de punição que possa gerar um prejuízo financeiro para o campeonato ou para o clube que colabora com o campeonato. Então é muito difícil esperar algum tipo de ação nesse sentido vindo deles”, pontua Aranha, que acredita ser necessária uma mudança cultural para a superação do racismo no futebol.

“Enquanto não houver uma mudança cultural, enquanto algumas pessoas muito poderosas não tomarem a frente, não brigarem por isso, os torcedores, as pessoas que gostam do esporte, não se manifestarem e começarem a tomar algumas medidas, isso não vai mudar”, finaliza.

O caso

A confusão começou logo após o brasileiro fazer o único gol da vitória por 1 a 0 no Estádio da Luz, em Lisboa (Portugal). Vini Jr. dançou na comemoração e foi questionado por adversários. Logo depois, ele relatou ao juiz ter sido chamado de macaco e, dessa forma, o árbitro decidiu interromper o jogo por cerca de 10 minutos, seguindo as normas previstas para esses casos.

O jogador do Benfica usou as redes sociais para se defender. Prestianni escreveu que “em nenhum momento dirigi insultos racistas contra o jogador Vinicius Junior”, e alegou que o brasileiro “ouviu mal”.

Vini Jr. também usou as redes sociais para se manifestar e chamou o jogador argentino do Benfica de “covarde”.

“Racistas são, acima de tudo, covardes. Precisam colocar a camisa na boca para demonstrar como são fracos. Mas eles têm, ao lado, proteção de outros que, teoricamente, têm a obrigação de punir. Nada do que aconteceu hoje é novidade na minha vida e da minha família”, lamentou o jogador.

Reações

Personalidades do esporte enviaram mensagens de carinho ao brasileiro, entre elas, o piloto Lewis Hamilton, que publicou uma mensagem nas redes sociais com a mensagem “estamos com você”. Clubes como o Flamengo e o Sport também emitiram notas de repúdio ao episódio.

O atacante francês Kylian Mabappé, companheiro clube, defendeu que Prestianni fosse banido da competição. “Esse cara não merece jogar na Liga dos Campeões de novo, essa é a minha opinião”, disse Mbappé a repórteres, ao deixar o gramado.

Quem também se posicionou sobre o tema foi o presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino. O italiano usou sua conta na rede social Instagram e se disse “chocado” com o episódio de racismo contra Vini Jr.

“Eu fiquei chocado e entristecido ao ver o suposto incidente de racismo contra Vinicius Júnior”, escreveu Infantino. “Não existe absolutamente nenhum espaço para o racismo no nosso esporte e na sociedade — nós precisamos que todas as partes interessadas relevantes tomem providências e responsabilizem os culpados”, completou o presidente da Fifa, que ainda parabenizou o árbitro francês François Letexier por haver interrompido a partida e iniciado o protocolo antirracismo da federação.

Editado por: Monyse Ravena

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