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Amor sem tabu: Juntas, mulheres lésbicas amamentam 2 filhos

Amor sem tabu: Juntas, mulheres lésbicas amamentam 2 filhosFoto: MARCELATIBONI/REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Depois de encararem uma fertilização in vitro, Marcela e Melanie compartilham a amamentação dos bebês graças a indução à lactação

Fernanda Suassuna - Metrópoles - 14/03/2020 - 11:08:27

Depois de encararem uma fertilização in vitro, Marcela e Melanie compartilham a amamentação dos bebês graças a indução à lactação

Casal homoafetivo se olhando enquanto amamentam os filhos gêmeosMARCELATIBONI/REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

“Topo. Vamos!” Essas foram duas palavras mágicas usadas pela escritora e educadora Marcela Tiboni, de 37 anos, para aceitar o desafio de compartilhar as dores e as delícias da amamentação com a esposa, a corretora de imóveis Melanie Graille, 30 anos. Juntas, elas amamentam os gêmeos Bernardo e Iolanda, nascidos em 2018, após uma fertilização in vitro . Assunto pouco divulgado na mídia, a lactação conjunta homoafetiva também foi uma novidade na vida do casal.

O início da relação foi em 2013, durante um curso de pós-graduação, em São Paulo. Desde do começo do relacionamento, o desejo de ter filhos sempre foi latente na vida de ambas.

Em conversa com o Metrópoles, o casal comenta desde do tratamento para a produção de leite até os olhares curiosos na rua e nas redes sociais desde que decidiram pela amamentação homoafetiva.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) é apenas uma entre dezenas de entidades do setor que reforça a importância do leite materno para o desenvolvimento das crianças de até dois anos. Ela deve ser exclusiva durante os seis primeiros meses de vida. A medida reduz em 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos

O processo de fertilização

Apesar de cogitar a adoção, o casal decidiu que queria viver a maternidade por meio da gestação. Elas concretizaram o desejo com a fertilização in vitro, método gestacional em que a fertilização do óvulo é feita em laboratório e, se a evolução for favorável, os pré-embriões são transferidos para o útero da mãe.

No caso de Melanie e Marcela, o doador do sêmen preferiu não se identificar. Antes de realizar o processo, o casal sentiu falta de informação sobre o assunto, sobretudo em um casamento gay.

“A cada consulta feita pelo médico, as dúvidas sobre essa nova fase cresciam”, relata Melanie, que gestou as crianças.

Amamentação em dose dupla

A dupla amamentação veio como uma proposta descompromissada para as duas mães. Apesar de ambas saberem que o método existia, nenhuma delas tinha noção de como aquilo era viável.

Após uma longa pesquisa, o casal seguiu para as consultas com a ginecologista e obstetra Ana Thais Vargas, e a consultora de amamentação Kely Carvalho Torres.

Do quinto ao sétimo mês de gravidez, Marcela tomou anticoncepcional. A medida fazia parte do tratamento e, assim, houve um aumento de estrogênio, progesterona e prolactina. Em seguida, sua menstruação foi interrompida.

Arquivo pessoal Arquivo pessoal Marcela amamentando o filho enquanto Melanie observa
Ainda na sala de parto, Marcela amamentou Bernardo

Na visão da escritora, o grande diferencial foi utilizar a bomba para ordenha cinco vezes ao dia, durante todos os meses em que Melanie estava grávida.

Era muito visível a diferença do meu peito. Nos primeiros dias, saíram gotas. Depois de algumas semanas, já estava conseguindo tirar 30ml a 40ml, conta Marcela.

Hoje, os gêmeos estão com 1 ano e 5 meses e seguem com o aleitamento materno.

As dores e delícias da maternidade

Para Melanie, dividir os sintomas da gravidez com a esposa foi enriquecedor.

“Nós tínhamos uma relação de simbiose no decorrer desses nove meses”, enaltece a corretora.

As duas viveram o puerpério ao mesmo tempo. Variações de humor que iam de rir muito a chorar “de soluçar” eram sentimentos compartilhados.

A história das duas mães inspirou Marcela a escrever um livro sobre o assunto, batizado de Mama: um relato de maternidade homoafetiva, e lançado no ano passado.

“O Mama foi a minha gestação. Colocava nas páginas todos os meus questionamentos em relação a maternidade“, afirma Marcela.


    • Marcela e Melanie posam para a foto com os filhos gêmeos

      Os gêmeos Bernardo e Iolanda ainda mamam no peito marcelatiboni/ Reprodução/Instagram

      Duas mulheres se olhando

      Marcela e Melanie se conheceram durante um curso em São Paulomarcelatiboni/ Reprodução/Instagram

      Marcela estimulando o leite enquanto Melanie observa

      A escritora fez um tratamento com hormônios para estimular a produção de leite marcelatiboni/ Reprodução/Instagram

      O casal homoafetivo amamentando os gêmeos

      A ideia da amamentação compartilhada surgiu de Melanie marcelatiboni/ Reprodução/Instagram

      O casal e os filhos segurando o livro

      O livro escrito por Marcela foi inspirado no processo de gestação e na dupla alimentaçãomarcelatiboni/ Reprodução/Instagram

      Marcela e Melanie posam para a foto com os filhos gêmeos

      Os gêmeos Bernardo e Iolanda ainda mamam no peito marcelatiboni/ Reprodução/Instagram

      Duas mulheres se olhando

      Marcela e Melanie se conheceram durante um curso em São Paulomarcelatiboni/ Reprodução/Instagram

      Olhares curiosos

      Marcela Tiboni observa os olhares preconceituosos como falta de conhecimento sobre o assunto. A descriminação aconteceu poucas vezes, e é mais comum virtualmente. “Quando saem matérias nas redes sociais, surgem diversos comentários homofóbicos”, garante.

      Por amamentar em público, o casal nunca sofreu preconceito, mas, muitas vezes, o ato gera um desentendimento dos indivíduos.

      “As pessoas veem dois bebês e perguntam que é a mãe, nós respondemos que são as duas. Algumas, se interessam. Outras, viram as costas e vão embora”, conclui.

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