Atriz e produtora cultural Paloma Alecrim, com ELA briga na Justiça para manter home care

Atriz com ELA briga na Justiça para manter home care

Atriz e produtora cultural Paloma Alecrim, com ELA briga na Justiça para manter home care
Atriz e produtora cultural Paloma Alecrim, com ELA briga na Justiça para manter home care

Igor Ribeiro São Paulo, Sp (uol/folhapress) - 23/02/2026 18:32:29 | Foto: A artista Paloma Alecrim, 28, luta desde os 26 anos para conseguir acesso aos cuidados — Reprodução

A atriz e produtora cultural Paloma Alecrim, 26, diagnosticada com ELA (esclerose lateral amiotrófica), teve negado o acesso a atendimento domiciliar. Aparelhos que ela usa para funções básicas, como respirar, podem ser recolhidos após a revogação de liminar que obrigava a cobertura pelo plano de saúde. A Unimed Gerais de Minas diz cumprir decisões judiciais.

Paloma obteve decisão liminar que determinava o atendimento em casa, mas a medida foi revogada pela 12ª Câmara Cível do TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais). Ela ficou internada por uma infecção relacionada à gastrostomia (sonda para alimentação), momento em que teve a decisão favorável para receber atendimento domiciliar. Mas, depois, o TJMG entendeu não estar formalmente comprovado que a alta hospitalar estivesse condicionada à implantação do home care.

Com a revogação da liminar, a Unimed comunicou que os equipamentos até então disponibilizados para Paloma deveriam ser recolhidos. A retirada foi agendada para sexta-feira de manhã. Entre os equipamentos que seriam retirados, estão cadeira de rodas, aparelho de ventilação não invasiva (BiPAP), guincho de transferência e colchão pneumático. Ela relata que depende desses recursos para mobilidade, posicionamento e suporte respiratório.

Segundo Paloma, uma equipe foi até sua casa, mas ela se recusou a entregar os itens. A paciente afirma que a medida compromete sua segurança e coloca sua vida em risco. "Eu não entreguei [os aparelhos] porque, sem isso, eu morro", afirmou à reportagem. ELA é uma doença neurodegenerativa que afeta os neurônios motores no cérebro, causando paralisia irreversível. A doença também compromete a capacidade de respiração e fala.

O tribunal entendeu que o caso exige produção de provas mais aprofundadas antes de decisão definitiva. No acórdão que revogou a tutela de urgência, os desembargadores consideraram que, naquele momento, não ficou demonstrado que a internação domiciliar era condição expressa para a alta hospitalar. A ação segue em tramitação e ainda não houve julgamento do mérito.

Paloma afirma que o médico responsável por sua internação informou não poder emitir laudo solicitando home care. A justificativa seria por integrar a cooperativa do plano de saúde. Ele orientou, segundo Paloma, que o relatório técnico fosse feito pelo médico que acompanha sua doença. A ausência de registro formal na alta hospitalar foi apontada na decisão judicial como um dos elementos para revogar a liminar.

O processo tramita em sigilo, e a defesa de Paloma tenta reverter a decisão. O advogado Jorge Luiz afirma que aguarda análise dos recursos para tentar reverter a decisão. Segundo ele, a revogação da liminar não atinge apenas o serviço de atendimento domiciliar, mas todo o conjunto que o compõe -incluindo equipamentos, profissionais e insumos usados no tratamento em casa. Segundo a defesa, já foi protocolado novo recurso com pedido de tutela de urgência e efeito suspensivo para impedir a retirada dos equipamentos até o julgamento definitivo do caso. O pedido está pendente de análise pelo Judiciário.

Natural de Araçuaí (MG), Paloma recebeu o diagnóstico de ELA em 2022, após apresentar fraqueza muscular, quedas e comprometimento da fala. A doença afeta os neurônios motores e provoca perda progressiva dos movimentos voluntários. Não há cura para a ELA, e o tratamento é para manutenção da qualidade de vida. Ela afirma estar em cuidados paliativos e depender de assistência contínua para prevenir complicações e manter dignidade e segurança. A paciente usa BiPAP desde 2023 e está com capacidade pulmonar de 40%. Paloma também deixou de andar e depende de cadeira de rodas.

O QUE DIZ A UNIMED
Procurada, a Unimed Gerais de Minas informou que o caso está na Justiça e que o processo segue sob análise. A operadora afirmou que está cumprindo todas as decisões judiciais relacionadas ao caso. A empresa também declarou que a negativa inicial do home care foi baseada na legislação e nas regras da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). "A atuação segue as normas vigentes e as determinações da Justiça." O UOL também procurou o TJMG sobre a decisão que revogou o atendimento e aguarda retorno.

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