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Banco Mundial analisa aumento de violência de gênero durante Covid-19 no Brasil

Banco Mundial analisa aumento de violência de gênero durante Covid-19 no BrasilFoto: Agência Brasil/Rovena Rosa

As mulheres representam 65% dos profissionais de saúde no Brasil.

Onu News - 20/09/2020 - 12:40:04

Relatório inclui dados de 12 estados, e avalia riscos de violência sofridos pelas profissionais de saúde; casos de feminicídio subiram 22% em comparação com mesmo período do ano passado.

Um estudo recente do Banco Mundial chama a atenção para o aumento da violência contra a mulher no Brasil durante a pandemia de Covid-19. O documento também tem o objetivo de ajudar os governos municipais, estaduais e federal a adotarem respostas mais adequadas de curto, médio e longo prazos.

Em março e abril de 2020, os dois primeiros meses de medidas de confinamento, os casos de feminicídio aumentaram 22% em comparação com o mesmo período do ano passado. Além disso, o Ligue 180, a linha nacional de atendimento à violência contra a mulher, teve 27% de aumento nas denúncias.

Documento do Banco Mundial também analisa os riscos de violência sofridos por mulheres no trabalho, em espaços públicos e em casa. Foto: Opas/Karina Zambrana

Segurança pública

O relatório “Combate à Violência contra a Mulher no Brasil em época de Covid-19” usa informações coletadas em 12 estados e analisadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública a pedido do Banco Mundial.

Em todos os estados incluídos na análise, houve redução no número de denúncias de violência doméstica apresentadas nas delegacias de polícia. E, também, no número de medidas protetivas solicitadas por vítimas de violência doméstica.

A especialista em desenvolvimento social e prevenção da violência Flavia Carbonari do Banco Mundial, ressalta que, durante a quarentena, pode haver ainda mais casos não registrados.

Mobilidade reduzida

“Lições de epidemias passadas e as novas evidências dos impactos da Covid-19 sugerem um aumento de riscos de violência contra a mulher, principalmente quando já existe um contexto de desigualdade e violência. É possível que haja uma maior subnotificação desses casos porque muitas vezes a mulher está confinada em casa na presença do agressor com mobilidade reduzida e pouca possibilidade de buscar serviços formais de atendimento”.

No Brasil, 65% dos profissionais de saúde são mulheres. O documento do Banco Mundial também analisa os riscos de violência sofridos por elas no trabalho, em espaços públicos e em casa.

Situações de emergência

Finalmente, o relatório aponta a falta de dados desagregados sobre os grupos mais vulneráveis, como mulheres adolescentes, idosas e a população Lgbti, entre outros. Isso dificulta a criação de políticas mais específicas para esses públicos.

O estudo traz medidas nacionais e internacionais de enfrentamento da violência de gênero em tempos de pandemia. E, também, recomendações de curto, médio e longo prazos. A advogada especialista em gênero Paula Tavares, do Banco Mundial, resume algumas delas.

“É importante, por exemplo, garantir que os serviços de prevenção e resposta à violência contra a mulher sejam designados essenciais em situações de emergência. Além disso, assegurar recursos orçamentários, humanos e financeiros mínimos para manter esses serviços. O estudo também fala no investimento em métodos alternativos de denúncia e sinalização, como palavras-código, opções de chat e sem discagem. Isso pode ajudar a diminuir os riscos e o medo de as mulheres serem ouvidas por seus agressores. A adaptação de serviços e o uso de recursos tecnológicos e digitais, como o registro de casos por boletim de ocorrência eletrônico ou assistência por meio virtual e WhatsApp, por exemplo, têm também garantido o acesso mesmo em tempos de confinamento e isolamento social.”

Segundo o documento, a implementação dessas ações deve ser acompanhada de perto para gerar aprendizados e orientações em caso de pandemias futuras.


* Por Mariana Ceratti, do Banco Mundial Brasil

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