Banco Mundial apoia iniciativa de gestão para diminuir os riscos de cheias no ES

Programa Reflorestar, do governo do estado, já promoveu a restauração de 12 mil hectares e a conservação de 13 mil hectares de Mata Atlântica, com impactos positivos que se estendem até a região metropolitana de Vitória.

Banco Mundial apoia iniciativa de gestão para diminuir os riscos de cheias no ES
Banco Mundial apoia iniciativa de gestão para diminuir os riscos de cheias no ES

Agência Onu News - 13/01/2026 08:28:06 | Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

Um programa apoiado pelo Banco Mundial no Espírito Santo já investiu, desde 2011, mais de R$ 100 milhões em ações que buscam proteger as áreas altas das bacias hidrográficas.

O objetivo do Programa Reflorestar é melhorar a gestão integrada das águas e reduzir os riscos de cheias, além de diminuir a quantidade de sedimentos nos reservatórios que abastecem a região metropolitana de Vitória.

Pagamento por serviços ambientais
O Reflorestar atendeu mais de 5 mil propriedades nos últimos 15 anos, promovendo a restauração de 12 mil hectares e a conservação de 13 mil hectares. Atualmente, o Banco Mundial apoia esse trabalho por meio do projeto Águas e Paisagens II.

Uma das atividades do Reflorestar é o pagamento por serviços ambientais, PSA. Ele se destina aos produtores rurais que recuperam e preservam as matas nativas.

Plantar árvores ajuda a infiltrar e reter a água na terra, evitando o carreamento de sólidos que normalmente acontece nos mananciais hídricos quando uma área está desmatada.

Por isso, o reflorestamento faz melhorar não só a qualidade, mas também a quantidade da água das bacias hidrográficas. Também ajuda as estradas a sofrer menos com a erosão e se manter transitáveis durante a época de chuvas.

Empregos e oportunidades
Entre as pessoas que fazem o esforço para recuperar a Mata Atlântica, estão os produtores rurais Tânia e Henrique Gravel, de Guaçuí. Em 1999, quando foram morar em uma propriedade de 25 hectares, cercada pelas montanhas da Serra do Caparaó, o local tinha apenas uma nascente. Hoje, são 14.

Henrique se orgulha da produção diversificada: “Nós temos café, nós temos banana, a gente mexe com mel, que é o carro-chefe. A gente tem fruta, nós temos abacate, nós temos cambuci, que a gente vai atender a merenda escolar...”

Além de preservar a natureza, a recuperação da floresta gera empregos e prosperidade, como mostra a comunidade rural de Feliz Lembrança, no município de Alegre. Lá, 62 famílias se distribuem por 152 hectares.

A comunidade sofria, no começo dos anos 2000, com o êxodo rural e a degradação das terras, que eram usadas para pastagens de gado de corte. O grupo de jovens de uma igreja local decidiu formar uma associação para participar de projetos de agricultura familiar. E, também, resgatar formas de plantio usadas pelos antepassados, como o consórcio entre o café conilon e outras espécies alimentícias, como banana, abacate e laranja.

Próximos passos
O café produzido em Feliz Lembrança agora participa de concursos locais e tem selo de qualidade.

O produtor rural Fabio de Souza conta como foi o apoio do Programa Reflorestar:

“Compramos muitas mudas, fizemos cercas em volta das nascentes... Assim, áreas que estavam cheias de voçoroca e a terra escorria toda para o rio foram recuperadas”.

Na atual fase do Reflorestar, a ideia é aprimorar ainda mais os investimentos em intervenções físicas que ajudam a reter a água, como barraginhas e cochinhos. Também estão sendo implementados biodigestores.

Tudo isso tem o objetivo de aumentar a resiliência aos efeitos climáticos de inundações e secas, além de melhorar a qualidade da água após o uso produtivo e humano.

*Mariana Ceratti é correspondente da ONU News no Banco Mundial Brasil.

Comentários para "Banco Mundial apoia iniciativa de gestão para diminuir os riscos de cheias no ES":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório