Brasil segue sem capacidade de produzir ímãs de terras raras antes de 2032, dizem especialistas

'Quero fazer uma revolução tecnológica nesse país', diz Lula ao citar terras raras em sabatina

Brasil segue sem capacidade de produzir ímãs de terras raras antes de 2032, dizem especialistas
Brasil segue sem capacidade de produzir ímãs de terras raras antes de 2032, dizem especialistas

Agência Sputnik Brasil - 31/08/2026 09:48:48 | Foto: Mineração Serra Verde - Minfra reprodução

Com grandes reservas de terras raras, o Brasil ainda não consegue transformar seus próprios minerais em ímãs permanentes e só deve dominar toda a cadeia entre 2032 e 2035. A disputa global pelo setor cresce com o interesse internacional pela Serra Verde e com um projeto de lei travado no Senado que pode definir o futuro da indústria nacional.

O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo, mas ainda não dispõe da capacidade industrial para transformar seus próprios minerais em ímãs permanentes. A principal planta piloto do país, operada pelo Senai, prevê apenas a produção inicial de lotes em 2028, e mesmo assim dependente de insumos importados, já que o país não domina etapas críticas do refino.

Segundo André Luis Pimenta de Faria, coordenador da planta, a produção integralmente nacional só deve ocorrer entre 2032 e 2035. Ele afirmou durante a Exposibram que, ao considerar toda a cadeia necessária — do processamento do minério ao ferro eletrolítico de alta pureza — o horizonte tecnológico brasileiro permanece distante, apesar das reservas abundantes.

Para Pablo Cesario, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração e Energia, o cronograma é otimista. Ele lembra que o intervalo médio entre a comprovação de uma reserva e o início da produção no Brasil é de 17,2 anos, o que coloca o país em desvantagem num setor em que outros competidores avançam rapidamente.

'Quero fazer uma revolução tecnológica nesse país', diz Lula ao citar terras raras em sabatina

A disputa global por terras raras ganhou intensidade porque ímãs permanentes são essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica industrial e armamentos de precisão. De acordo com o South China Morning Post, a China domina cerca de 90% da produção mundial e, em 2025, impôs controles de exportação sobre elementos estratégicos, afetando cadeias produtivas na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia.

Esse cenário ampliou o interesse internacional pelas reservas brasileiras, especialmente pela Serra Verde, em Goiás, considerada a única mineradora fora da Ásia capaz de produzir o conjunto completo de terras raras para ímãs. A compra da empresa pela norte-americana USA Rare Earth, por US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 15,6 bilhões), pode redirecionar o refino do minério de plantas chinesas para instalações norte‑americanas.

A disputa, porém, envolve o minério e não a indústria, já que o Brasil quase não refina o que extrai e não possui uma fábrica comercial de ímãs. Faria e Cesario afirmam que a China vê o Brasil como parceiro, e que as restrições chinesas devem ser contornadas, não contestadas, pois forçam o mundo a buscar fornecedores alternativos e abrem espaço para novos atores.

Panorama internacional

Trump: acordo de terras raras permite aos EUA entrar na Ucrânia 'a qualquer hora' e pegar o que quiser

No entanto, o avanço brasileiro depende de um marco legal ainda travado no Senado Federal. O projeto cria uma política nacional para minerais críticos e um fundo de financiamento, mas enfrenta resistência por prever um conselho ligado à presidência com poder sobre contratos de fornecimento e mudanças societárias, o que preocupa mineradoras e investidores.

Enquanto empresas temem excesso de controle estatal, o Itamaraty reclama da falta de diretrizes claras para escolher parceiros. O secretário Mauricio Lyrio defende que o Brasil selecione aliados mineral a mineral, seguindo sua tradição diplomática ampla, enquanto iniciativas como o Magbras buscam acordos com países europeus para acelerar a integração tecnológica.

Analistas consultados pela publicação lembram que a China estruturou sua cadeia de terras raras desde 1975, acumulando cinco décadas de vantagem. Faria afirma que o Brasil está apenas começando a construir essa estrutura agora, mas que reconhece o potencial para disputar espaço nesse mercado estratégico, desde que consiga superar a lacuna de planejamento que o separa dos líderes globais.

Comentários para "Brasil segue sem capacidade de produzir ímãs de terras raras antes de 2032, dizem especialistas":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório