CFM lança plataforma para registrar casos de erros cometidos por não-médicos

Segundo o CFM, ao menos dois casos de exercício ilegal da medicina tramitam no Poder Judiciário ou nas polícias civis dos estados por dia

CFM lança plataforma para registrar casos de erros cometidos por não-médicos
CFM lança plataforma para registrar casos de erros cometidos por não-médicos

São Paulo, Sp (folhapress) - 29/05/2026 07:14:10 | Foto: Divulgação/ CFM

O CFM (Conselho Federal de Medicina) lançou nesta quinta-feira (28) uma plataforma para registrar casos de pacientes que sofreram danos causados por atendimentos realizados por não-médicos. Batizada de Medicina Segura, a iniciativa quer combater práticas que colocam a saúde e a segurança em risco.

Apenas médicos cadastrados podem acessar a plataforma para relatar os casos, que serão encaminhados para investigação por órgãos como a Polícia Civil, o Ministério Público, a vigilância sanitária ou o Procon, que devem tomar medidas para responsabilizar os autores.

"Quando o paciente tem alguma intercorrência, ele procura o médico, que busca ajudar na solução do problema causado por pessoas sem formação em medicina", afirmou Rosylane Rocha, segunda vice-presidente do CFM e coordenadora do projeto. "Muitas vezes, esses danos podem resultar em adoecimento, sequelas irreversíveis. Em casos extremos, mortes."
Segundo o CFM, ao menos dois casos de exercício ilegal da medicina tramitam no Poder Judiciário ou nas polícias civis dos estados por dia. Em 12 anos, o Brasil registrou 9.566 casos de crimes do tipo.

As denúncias serão tratadas sob sigilo e anonimato da fonte, afirma o órgão. Um formulário com cerca de 30 questões será preenchido online, o que permitirá o mapeamento do exercício ilegal da medicina e a repercussão na saúde da população, já que não há notificação compulsória exigida pelas autoridades sanitárias, explica o CFM.

Para ter acesso à plataforma, os médicos deverão estar com o email atualizado na base de dados do CFM. O profissional preenche informações gerais da vítima, quando e onde o procedimento irregular foi realizado, quais foram as complicações, se houve denúncia formal e um perfil do responsável pelo atendimento malsucedido.

Fotos, exames, prescrições, laudos e outros documentos podem ser anexados. O relato é enviado ao conselho regional de medicina onde ocorreu o problema. Este, por meio de comissões específicas, analisa o caso e o encaminha às autoridades.

Além disso, a instituição lançou um guia de medicina segura voltado ao público leigo, para explicar o que se enquadra no exercício ilegal dela.

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