O protesto pedia pela eliminação total dos combustíveis fósseis, prioridade à soberania das comunidades indígenas e afrodescendentes e falava contra captura de carbono
Phillippe Watanabe Santa Marta, Colômbia (folhapress) - 28/04/2026 10:12:23 | Foto: © FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL ilustração
PHILLIPPE WATANABE-SANTA MARTA, COLÔMBIA (FOLHAPRESS) - A segunda-feira (27) foi recheada de ações ativistas na primeira conferência pelo abandono dos combustíveis fósseis (TAFF, sigla em inglês para "Transitioning away from fossil fuels"), em Santa Marta, na Colômbia.
A maior das manifestações foi a marcha pelo futuro livre dos combustíveis fósseis. O protesto ocupou ruas da cidade e passou pelo centro histórico de Santa Marta -sem querer, inclusive, levando ao fim antecipado de uma entrevista coletiva de Irene Vélez-Torres, ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, e de Stientje van Veldhoven-van der Meer, ministra do Clima e do Crescimento Verde dos Países Baixos. O ponto final foi a praça Bolívar.
O protesto pedia pela eliminação total dos combustíveis fósseis, prioridade à soberania das comunidades indígenas e afrodescendentes e falava contra captura de carbono.
Estavam presentes representantes de diferentes países e povos indígenas. Por sinal, apesar de ter espaços separados para discussões e proposições, há uma considerável limitação de participação desses setores no segmento de alto nível, nesta terça (28) e quarta-feira (29), momento no qual ministros e outras autoridades de diversas nações se encontram na conferência.
A Folha de S.Paulo presenciou, na noite de segunda-feira, questionamentos direcionados a membros da organização da conferência e demonstração de insatisfação com tal participação mais reduzida neste momento final do encontro.
Outros manifestantes ocuparam, pela manhã, a frente de um porto na região destinado exclusivamente ao transporte de carvão, um combustível fóssil. Com máscaras de animais, os manifestantes carregaram para o local painéis solares e uma grande cobra de tecido.
Outra ação ocorrida na segunda -dia em que também houve uma festa de abertura oficial da conferência- partiu do Greenpeace. No início da manhã, a ONG ocupou uma parte de uma das praias na região central de Santa Marta e estendeu frases na areia que diziam "energias renováveis impulsionam a paz", "fim dos combustíveis fósseis".
Houve também em todos os protestos menções a guerras, como a no Irã, que têm causado uma forte instabilidade na questão dos combustíveis fósseis e, consequentemente, impactos energéticos. A situação da faixa de Gaza também foi lembrada.
O encontro "Transitioning away from fossil fuels" (TAFF) começou na última sexta (24) em Santa Marta, em parceria com os Países Baixos, e se estende até esta quarta (29). Este é o primeiro evento internacional a reunir países que buscam abandonar os combustíveis fósseis.
A primeira conferência pelo abandono dos combustíveis fósseis ainda não terminou, mas o próximo destino do novo encontro climático está desenhado. A pequena e ameaçada nação insular de Tuvalu deve receber o evento em 2027, e a Irlanda negocia para ocupar a sua copresidência.
Maina Vakafua Talia, ministro de Assuntos Internos, Mudanças Climáticas e Meio Ambiente de Tuvalu, confirmou à Folha a possibilidade.
O encontro "Transitioning away from fossil fuels" (TAFF) -em português, transição para abandonar os combustíveis fósseis- começou na última sexta (24) em Santa Marta, na Colômbia, em parceria com os Países Baixos, e se estende até a próxima quarta (29). Trata-se do primeiro evento internacional a reunir países que buscam abandonar os combustíveis fósseis.
A conferência tenta se diferenciar das tradicionais cúpulas climáticas da ONU (as COPs) ao buscar afastar a interferência e o lobby do petróleo do centro da discussão. As COPs têm sofrido críticas exatamente por isso. Há nesses encontros da ONU países já conhecidos por travar as negociações quando o assunto chega a obrigações relacionadas a combustíveis fósseis -a maior causa da crise climática atual.
Irene Vélez-Torres, ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, que tem liderado a conferência em Santa Marta, afirmou publicamente que países não dispostos a cooperar com o abandono da energia fóssil não foram convidados para o encontro. Entre eles, estão grandes poluidores, como EUA, Rússia e China.
Apesar disso, a conferência atual reúne tanto países importadores de energias fósseis como produtores, como a própria Colômbia -Santa Marta, inclusive, apesar de um destino turístico no caribe colombiano, é um grande porto de carvão.
O próximo destino da conferência pode, então, ser significativo do ponto de vista de mudanças climáticas e combustíveis fósseis.
Tuvalu é uma pequena ilha no Pacífico extremamente ameaçada pela crise do clima causada pela energia fóssil. O aumento do nível do mar ameaça a existência do país, que pode desaparecer em algumas décadas.
Já há, inclusive, migrantes climáticos provenientes de Tuvalu. Mais de 80% da população do país (cerca de 11 mil habitantes) já solicitou visto climático para ir para a Austrália.
Além disso, no último dia 17, ministros e autoridades de alto escalão de Tuvalu, Samoa, Fiji, Palau, Micronésia e Vanuatu lançaram uma declaração pedindo o banimento dos combustíveis fósseis no Pacífico e a transição para economias baseadas 100% em energias renováveis.
O documento pede, ainda, a negociação e adoção urgentes de um Tratado Global sobre Combustíveis Fósseis: um mecanismo internacional vinculativo para gerir uma eliminação justa, ordenada, equitativa e rápida do carvão, petróleo e gás.
A próxima conferência pelo abandono dos combustíveis fósseis também se aproxima -pelo menos metaforicamente- da próxima conferência climática das Nações Unidas. Em outubro, Tuvalu também vai sediar, ao lado de Fiji, o encontro de autoridades mundiais na pré-COP, que antecede as negociações climáticas da ONU, em novembro.
A COP31 será copresidida por Austrália, um dos maiores exportadores mundiais de carvão, e Turquia. O encontro da ONU ocorrerá na cidade litorânea turca de Antália, enquanto a chefia das negociações ficará com os australianos.
Empresários da 'Times Square de SP' querem atrair multidão e 'lucro com propósito' ao explorar publicidade no centro
Tuvalu deve sediar 2º encontro pelo fim dos combustíveis fósseis
ANDRÉ FLEURY MORAES E LEANDRO MACHADO-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Empresários à frente do projeto apelidado de Times Square paulistana, na famosa esquina das avenidas Ipiranga e São João, dizem esperar que a instalação de enormes painéis de LED com exibição de publicidade atraia mais pedestres para o centro de São Paulo e gere um "lucro com propósito" -o propósito, neste caso, é o que eles chamam de revitalização da região.
Como contrapartida pelo direito de explorar comercialmente a área, eles terão de colocar bancos em calçadas, restaurar a fachada pichada de uma igreja católica e fazer a manutenção de uma estátua e de um relógio antigo.
A iniciativa ganhou mais projeção e críticas há uma semana, ao ser anunciada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em um vídeo publicado nas redes sociais. O material, gerado por IA, mostra dezenas de painéis de LED instalados em prédios históricos, como a Galeria do Rock e o Palacete dos Artistas.
Na prática, porém, a Times Square paulistana será bem mais modesta, com quatro painéis. A expectativa do grupo era estrear os LEDs durante a Copa do Mundo, mas eles só ficarão prontos em agosto.
A cooperação foi proposta por dois grupos empresariais há dois anos. Um deles é o paulistano Fábrica de Bares, dono de estabelecimentos famosos como o Blue Note, Riviera e o Bar Brahma, este último situado na esquina das avenidas Ipiranga e São João, imortalizada pela música "Sampa", de Caetano Veloso.
A outra empresa se chama LedWave, de Goiânia. Nos últimos anos, ela vem instalando painéis semelhantes em cidades como Brasília e Porto Alegre. O grupo também tem um escritório em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Todo o projeto, que oficialmente se chama Boulevard São João, vai custar R$ 48,6 milhões às empresas. Porém, apenas R$ 6 milhões (R$ 2 milhões por ano de contrato) serão destinados às intervenções urbanas previstas como contrapartida pelo direito de exploração da paisagem.
O grupo também pretende fechar a esquina para os carros nos finais de semana, além de oferecer oficinas culturais, shows e apresentações gratuitas.
"É óbvio que nós queremos buscar o lucro. Mas eu falo e repito: o mais importante é o propósito, e ele está acima dos números. O plano é o lucro em si, porque se o empresário não tiver lucro, ele não consegue investir. E a nossa ideia é não parar nesse projeto, é ter outros projetos", disse Álvaro Aoas, 63, dono da Fábrica de Bares, na entrevista coletiva de apresentação da iniciativa, com a presença de Tarcísio e do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
"Então a gente acredita muito que, daqui a dez anos, vamos olhar para trás e falar: 'olha a semente que a gente plantou, olha como a gente conseguiu ser transformador'", completou o empresário. "Ah, tem a questão financeira, tem questão de números, tem tudo isso, mas não acho que seja o mais importante neste momento."
Os painéis de LED terão 25 metros de altura, e até 30% do conteúdo veiculado das 5h às 23h poderá ser publicidade. O restante terá vídeos de arte e agenda cultural. Segundo Aoas, o valor arrecadado com os anúncios será usado para bancar os custos do projeto.
Ainda não há informações sobre os valores a serem cobrados pelos patrocínios. Questionado pela Folha, Aoas declarou que isso ainda será objeto de análise.
Já Tiago Brito, CEO na LedWave, afirmou que apenas uma das telas, no edifício New York, terá 1.000 m², 30% maior que o Piccadilly Lights, maior painel de LED de Londres. O empresário acredita que a tecnologia de sua empresa pode atrair mais pessoas para o centro.
"O que os endereços mais importantes do mundo têm em comum? Muita luz, muito brilho. O que atrai as pessoas para essas esquinas globalmente falando? São os telões que trouxeram as pessoas ou são as pessoas que vão atrás dessa luz, desse brilho? Para a gente pouco importa. O que importa são pessoas se conectando com pessoas, com projetos, com locais instagramáveis. E é isso que a gente tem pra entregar pra cidade", disse.
A concessão tem sido criticada por flexibilizar a lei da Cidade Limpa, bandeira da gestão de Gilberto Kassab (PSD) que há duas décadas baniu placas publicitárias que escondiam a arquitetura paulistana. A parceria, porém, foi aprovada por 9 dos 16 membros da CPPU (Comissão de Proteção à Paisagem Urbana), órgão municipal que regula a publicidade externa e que até então costumava barrar iniciativas em conflito com a lei.
Para Nunes, o projeto não contraria a legislação, pois já existia no texto uma previsão legal para concessões deste tipo. "Nós passamos dois anos discutindo esse assunto. Ele passou por todas as comissões e foi aprovado. A lei da Cidade Limpa tem apoio popular, e tem nosso apoio", disse. Por outro lado, o prefeito vetou outras iniciativas do tipo na cidade.
A principal contrapartida é a restauração da fachada da Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no largo do Paissandu. Inaugurada em 1906 e tombada pelo órgão de patrimônio histórico municipal, ela é um reduto da população negra no centro. Vazia e sem vigilantes durante a noite, costuma ser alvo de pichadores.
"Essa igreja é um quilombo urbano que está esquecido pelo poder público. Ela é um pilar da cultura e da resistência negra", diz Vanilda Aparecida Jeremias, 63, diretora da irmandade. "Ficamos dois anos negociando a restauração com a prefeitura, e então surgiu a oportunidade dessa parceria. O ideal seria ter uma grade para cercar a igreja à noite, porque senão ela será pichada de novo", afirma.
As empresas também terão que restaurar a estátua da Mãe Preta, ao lado da igreja. Segundo Vanilda, a escultura é utilizada como veleiro pelos fiéis da irmandade, pois a igreja não possui o equipamento.
Outra contrapartida é a restauração e manutenção do Relógio de Níchile, na praça Antônio Prado. O equipamento foi instalado ali em 1935 pelo inventor Octávio de Níchile, que na época espalhou relógios em praças da cidade já explorando a publicidade de marcas.
A aprovação da CPPU diz que as empresas devem consultar órgãos de patrimônio estadual e federal, mas não dá mais detalhes sobre as circunstâncias dessa medida.COMBUSTÍVEIS-FÓSSEIS
Em nota à Folha de S.Paulo, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) disse não ter sido consultado. "O Iphan somente se manifesta tecnicamente sobre intervenções em bens acautelados ao nível federal", disse. Nenhum dos imóveis usados no projeto são tombados pelo instituto nacional.
Já o Condephaat (conselho estadual de patrimônio histórico) afirmou que a proposta "não depende de análise ou anuência do órgão, pois o local previsto não é tombado e não está inserido em área envoltória de bem protegido". Em nota, as empresas afirmaram que o termo de cooperação foi validado pela prefeitura e que o projeto está liberado para implementação.
Na coletiva, Nunes afirmou que Tarcísio é "o maior entusiasta" do projeto, embora o governo estadual não tenha participação direta. Candidato à reeleição, Tarcísio afirmou que os telões são parte de um conjunto de ações de revitalização. "Esse é um pequeno projeto, mas, no somatório de vários pequenos projetos, o que vai dar certo no final será trazer as pessoas de volta para o centro", disse.
Painel internacional na USP quer influenciar fim dos combustíveis fósseis
PHILLIPPE WATANABE-SANTA MARTA, COLÔMBIA (FOLHAPRESS) - O abandono dos combustíveis fósseis no espaço de tempo necessário para se evitar tragédias climáticas ainda maiores necessita de um empurrão científico. Pensando nisso, um painel internacional de especialistas, liderado pela USP (Universidade de São Paulo), foi lançado na conferência que ocorre desde sexta-feira (24) em Santa Marta, na Colômbia.
O SPGET (sigla em inglês para Painel Científico para a Transição Energética Global) é encabeçado por Gilberto Jannuzzi, pesquisador da Unicamp, Vera Songwe, copresidente do Painel de Especialistas de Alto Nível sobre Financiamento Climático, de Camarões, e Ottmar Edenhofer, diretor e economista-chefe do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, da Alemanha.
A ideia surgiu de Ana Toni, diretora-executiva da COP30 (conferência climática da ONU), durante o evento em Belém, no ano passado. Por esse motivo, a iniciativa terá o Brasil como sede.
A COP30 teve, pela primeira vez, um pavilhão de Ciência Planetária, liderado por Carlos Nobre, membro do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), e por Johan Rockström, diretor do Potsdam Institute for Climate Impact Research.
Durante a COP30, Ana Toni pediu para que Nobre e Rockström se dedicassem a montar o que agora se materializou no painel lançado na conferência para o abandono dos combustíveis fósseis.
Um grupo internacional de especialistas voltado a questões climáticas e com potencial impacto em políticas públicas pode parecer algo familiar para quem conhece um pouco o assunto. O nome IPCC -citado acima, do qual Nobre faz parte- pode vir a mente.
O painel, porém, segue um recorte bem mais restrito. Ele se concentra nas questões relacionadas a combustíveis fósseis e na transição para energia limpa.
Segundo Rockström, o painel terá um foco e visão mais imediatos, com atualizações anuais, e buscando auxiliar -a partir de conhecimento técnico científico e econômico, por exemplo- pontual e concretamente atores em caminhos para o processo de abandono dos combustíveis fósseis. Inicialmente, o projeto aparece voltado ao período de 2026 a 2035.
O painel é dividido em quatro grupos de trabalho: um focado nos caminhos para a transição propriamente dita em relação aos combustíveis fósseis; outro sobre soluções tecnológicas; outro sobre desenhos de políticas; e o último focado em finanças.
A iniciativa ainda não recebeu contato de países ou entidades subnacionais em busca de apoio. Além disso, o painel ainda procura fontes de financiamento, apesar de contar com uma verba para o período inicial de trabalho.
Agora lançado, o painel deve participar, nos próximos meses, de diversos eventos preparatórios para a COP31, que ocorrerá em Antália, na Turquia -país que copresidirá a conferência com a Austrália. Para a COP31, em novembro deste ano, o painel diz que terá seus primeiros resultados prontos para apresentação.
Irene Vélez-Torres, ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, afirmou à imprensa que é necessária uma reconexão entre políticas públicas e ciência. "Há muito lobby econômico e político que está, na verdade, desviando a lógica científica e a base da ciência na tomada de decisões, especialmente nas decisões governamentais."
Em uma carta, André Corrêa do Lago, presidente da COP30, diz esperar que o painel sirva de ponte entre a ciência produzida pelo IPCC e análises de energia feitas por agências como a AIE (Agência Internacional de Energia) e a Irena (Agência Internacional de Energia Renovável).
Na carta, Corrêa do Lago incentiva governos e instituições a ouvir e se engajar com o painel na busca pela transição energética.
"Esperamos que as conclusões do painel também enriqueçam os debates multilaterais e possíveis deliberações, inclusive no âmbito da UNFCCC, e contribuam para o ecossistema científico e de políticas públicas mais amplo que apoia rodadas sucessivas de ambição no contexto do Acordo de Paris", afirmou Corrêa do Lago. Apesar disso, vale lembrar que o painel não está sob a égide do Acordo de Paris e da UNFCCC (braço da ONU que lida com questões envolvidas em questões climáticas).
Da mesma forma, apesar de uma relação muito próxima com a UNFCCC, o IPCC também é uma entidade independente.
O potencial de influenciar e destravar o que se passa nas conferências climáticas é o pano de fundo e o propulsor do evento que ocorre em Santa Marta. A necessidade de decisões unânimes e a presença de lobby, especialmente petroleiro -que muitas vezes se concretizam em países bloqueando negociações-, nas negociações têm trazido críticas, há algum tempo, para as COPs.
"Coalition of the willing", algo como coalizão de países dispostos a contribuir, tem sido uma das expressões muito usadas em Santa Marta. A ideia é trazer para perto países que buscam e querem se colocar no processo de abandono dos combustíveis fósseis, mesmo que sejam nações produtoras de petróleo -como é o caso da própria Colômbia.
Por esse motivo, mesmo países importantes na poluição relacionada a combustíveis fósseis não foram convidados a participar, como EUA, China e Rússia, para citar alguns. Ao todo, a conferência espera receber representantes de 56 nações.
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