Na presidência da COP30, o governo brasileiro propôs ao mundo a discussão de um mapa do caminho para reduzir gradualmente a produção e o consumo de combustíveis fósseis
Nicola Pamplona-rio De Janeiro, Rj (folhapress) - 24/06/2026 15:55:44 | Foto: Roberto Farias / Agência Petrobras
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta terça-feira (23) que o Brasil precisa decidir se quer gerar impostos e desenvolvimento com a produção de petróleo ou ir para a selva e ter um ar maravilhoso".
"O Brasil tem que entender e se decidir, afinal de contas, qual vai ser o seu futuro e o que ele quer desse futuro. 'Phase away' [políticas para reduzir a produção] de petróleo vai significar abrir mão de R$ 277 bilhões em tributos, porque foi o que nós pagamos no ano passado", disse Magda.
Na presidência da COP30, o governo brasileiro propôs ao mundo a discussão de um mapa do caminho para reduzir gradualmente a produção e o consumo de combustíveis fósseis. A proposta não foi aceita na conferência, mas Brasil e Turquia, sede da próxima COP, seguem trabalhando em um texto.
Após a COP, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou a elaboração de um mapa do caminho brasileiro, para criar "diretrizes para uma transição energética justa e planejada, com vistas à redução da dependência de combustíveis fósseis no Brasil".
Magda disse que o Plano Clima do governo brasileiro tem que considerar "a construção do futuro do Rio de Janeiro, a construção do futuro do Brasil".
"Não tem Plano Clima se não tiver sociedade, né? Então é muito fácil, olha, fecha tudo, vamos todo mundo para selva e vamos ter um ar maravilhoso", afirmou.
O debate sobre a redução da produção de petróleo, porém, vai além da qualidade do ar. Combustíveis fósseis são apontados por cientistas como a principal causa da mudança climática pelo excesso de gases do efeito estufa na atmosfera.
Esse processo torna mais frequentes e intensos eventos climáticos extremos, como enchentes, secas ou queimadas florestais, e tem também impactos econômicos em diferentes setores industriais ou agrícolas.
Magda não citou especificamente os planos de "phase away" brasileiros. Disse em seu discurso que a transição energética "não pode destruir o que estamos construindo". "Não temos vergonha de produzir petróleo", repetiu.
A indústria do petróleo passou a tentar difundir o termo "adição energética" em vez da transição energética, para reforçar a ideia de que o mundo precisará de renováveis, mas em complemento -e não substituição- ao petróleo.
"Temos que falar em adição energética, em soma de esforços, de um país que progride com transição energética, mas aquela transição do nosso tempo. Quando se falava em etanol e em Pro-Álcool, se falava além de petróleo e gás."
Ela participou do lançamento do anuário de petróleo e gás do Rio de Janeiro, elaborado pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro). O estado é responsável por quase 90% da produção nacional e altamente dependente das receitas desse setor.
No evento, a Firjan estreou outro slogan em defesa da indústria: "O petróleo está em tudo". "O Rio de Janeiro é petróleo, veste petróleo, se movimenta com petróleo, se alimenta, vive e constrói com petróleo", afirmou o presidente da Firjan, Luiz Cesio Caetano.
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