×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 17 de outubro de 2021

Covid-19 em 2021: Nós estamos no meio de uma epidemia, sem perspectiva de melhora

Covid-19 em 2021: Nós estamos no meio de uma epidemia, sem perspectiva de melhoraFoto: Parastoo Maleki / Unsplash

Brasil inícia 2021 com sequência de altas em casos e óbitos por covid-19.

Nara Lacerda - Brasil De Fato - 04/01/2021 - 21:18:27

Com casos e mortes em crescimento, pouco isolamento e sem plano nacional de enfrentamento, desafio se amplia este ano

Nós estamos no meio de uma epidemia, sem perspectiva de melhora

Na última semana de 2020, o Brasil completou um mês registrando números superiores a 4,5 mil mortes de covid-19 por período. O total de novos casos relatados se manteve acima dos 250 mil a cada sete dias, próximo dos piores patamares já observados no país desde o início da pandemia de coronavírus.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o ano se encerrou com mais de 750 mil pessoas contaminadas em observação.

Entre os dias 29 e 31 de dezembro, houve registros diários de mais de mil óbitos consecutivamente. Cenário semelhante não ocorria desde agosto. As perspectivas para o combate à pandemia em território nacional em 2021 não dão indicativos de que a situação pode melhorar. O país continua sem data para a vacinação e o presidente Jair Bolsonaro segue incentivando que a população não pratique o isolamento social.

Leia também: Entenda o que é e como acontece a mutação do novo coronavírus

No dia 1º de janeiro ele fazia um passeio de lancha na Praia Grande, em São Paulo e se jogou no mar, nadando em direção a um grupo de banhistas. Dezenas de pessoas se aglomeraram em volta do presidente para tirar fotos e cumprimentá-lo. Três dias depois, ele foi novamente à praia, andou pela areia sem máscara e voltou a saudar apoiadores.

O país pode iniciar o ano vivendo as consequências de aglomerações em festas de Natal a Réveillon, viagens e da adesão cada vez menor a medidas de distanciamento. Além disso, já enfrenta a chegada da nova variante do coronavírus, que teria potencial de transmissão maior. Nó primeiro dia útil do ano (segunda-feira, 4), foram confirmados dois casos da chamada B.1.1. em São Paulo.

Na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid (Pnad Covid-19), que traz dados de novembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatou que o índice de cidadãs e cidadãos praticando quarentena restrita no mês foi de apenas 11,1%. Mais de 10 milhões de pessoas não colocaram em prática nenhuma medida de distanciamento.

Em participação no podcast A Covid-19 na Semana, a médica de família e comunidade Nathalia Neiva dos Santos, da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, afirma que "as festas do final do ano, combinadas com as férias de janeiro e a perspectiva de turismo e deslocamento, vão trazer uma possibilidade de aumento dos casos".

A fórmula que reúne testagem em massa, rastreamento e isolamento dos contatos de contaminados e distanciamento da população em geral é considerada a mais efetiva para conter a propagação da covid-19 enquanto não há vacina.

De acordo com projeções da plataforma Geocovid, em um Brasil com a vida totalmente normalizada e zero isolamento, até o fim de janeiro, o número de contaminados passaria de 11 milhões.

Por meio da iniciativa, também é possível estimar a demanda hospitalar potencial sem as medidas de isolamento. Em trinta dias, seriam necessários mais de 50 mil leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Atualmente, cerca de 90% das cidades brasileiras não contam com estruturas dessa natureza. Os cidadãos precisam se deslocar a outros municípios para receber tratamento.

Nathalia Neiva destaca também que o declínio econômico vai dificultar ainda mais o combate à covid-19.

"Nós estamos no meio de uma epidemia, sem perspectiva de melhora, a não ser que a gente tenha um plano de imunização de fato, com prazos, datas e isso sendo colocado em prática. Mas também vamos viver uma piora sem o auxílio emergencial, aumento no desemprego. Isso impacta na saúde das pessoas", aponta.

Entidades lançam campanha para cobrar fortalecimento do SUS e vacina para todos

A médica ressalta que o desfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e o corte de gastos públicos têm potencial de mostrar suas piores consequências em meio à crise sanitária, sem perspectiva de recuperação do Produto Interno Bruto (PIB).

"Isso impacta, inclusive, em outras doenças que a gente tem vivenciado e até mesmo no próprio financiamento do SUS. O que a gente tem sentido, enquanto profissionais da saúde, é que nós estamos em uma panela de pressão", afirma.

Neiva lembra que a redução do orçamento do SUS ano a ano, fruto da emenda constitucional 95, conhecida como "teto de gastos", ocorre em um cenário de alta pressão para o sistema.

"É previsto para o próximo ano que a gente tenha uma perda de aproximadamente R$ 35 bilhões. Isso entra como acesso a medicações, leito de internação, equipes de estratégias de saúde da família. A gente está vivendo um momento de constrição de recursos, piora de vida das pessoas, ao mesmo tempo em que a quantidade de pessoas que a gente tem que abarcar enquanto sistema de saúde está ampliada. A conta não fecha", conclui.

Edição: Leandro Melito

Comentários para "Covid-19 em 2021: Nós estamos no meio de uma epidemia, sem perspectiva de melhora":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Aplicativo vai ajudar crianças e adolescentes a denunciar violências

Aplicativo vai ajudar crianças e adolescentes a denunciar violências

Plataforma será ligada à Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos

Campanha contra insegurança alimentar ilumina Congresso Nacional

Campanha contra insegurança alimentar ilumina Congresso Nacional

Campanha global lembra o Dia Mundial da Alimentação, no próximo sábado

Campanha

Campanha "Tenho Sede" conta com doações para construir 1 milhão de cisternas no Semiárido

Na campanha, mulheres do semiárido contam suas histórias sobre como o acesso à água através das cisternas transformou as suas vidas

Campanha da ASA busca doações para construir 1 milhão de cisternas no Semiárido brasileiro

Campanha da ASA busca doações para construir 1 milhão de cisternas no Semiárido brasileiro

Consideradas tecnologias simples e baratas, cisternas tendem a gerar benefícios para famílias e comunidades do semiárido

Dia Nacional do Idoso: Conheça políticas públicas para essa população

Dia Nacional do Idoso: Conheça políticas públicas para essa população

Pessoas com mais de 60 anos representam quase 18% dos brasileiros

Itamaraty não fará nada sobre deportação de crianças brasileiras dos EUA para Haiti, diz professor

Itamaraty não fará nada sobre deportação de crianças brasileiras dos EUA para Haiti, diz professor

A Sputnik Brasil conversou Thiago Rodrigues, professor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), sobre a grave crise de migração que levou milhares de haitianos à cidade texana de Del Rio.

Cerca de 930 milhões de toneladas de comida vão parar no lixo, alerta FAO

Cerca de 930 milhões de toneladas de comida vão parar no lixo, alerta FAO

2,5 milhões de pessoas na República Centro-Africana passam fome.

Balé muda vida de adolescentes em favelas brasileiras

Balé muda vida de adolescentes em favelas brasileiras

Dançar da favela para o mundo na plataforma da nuvem, é um sonho para todos os jovens bailarinos do Balé Paraisópolis em São Paulo no Brasil.

CNJ aprova política para atender pessoas em situação de rua: O que muda na prática?

CNJ aprova política para atender pessoas em situação de rua: O que muda na prática?

De acordo com o IPEA, no início da pandemia já chegava a 222 mil o número de pessoas vivendo em situação de rua no Brasil

Projeto Cultura Doadora realiza Semana da Doação de Órgãos entre os dias 26 e 1º de outubro

Projeto Cultura Doadora realiza Semana da Doação de Órgãos entre os dias 26 e 1º de outubro

O projeto Cultura Doadora preparou uma programação intensa para a Semana da Doação de Órgãos

Quase 9 mil vivem nas ruas de BH:

Quase 9 mil vivem nas ruas de BH: "A única coisa que eu quero é um lar para meus filhos”

Construção civil não para de anunciar novos empreendimentos em BH, mas não há indícios de que imóveis vão resolver problema habitacional