Por muito tempo, as mães foram acusadas erroneamente de ser uma “fonte de infecção” para a doença congênita “ao passar o parasita às crianças”; realidade mostra que falta de prevenção e tratamento impedem auxílio; mundo tem 8 milhões de infecções e 10 mil mortes por ano
Agência Onu News - 14/04/2026 10:03:08 | Foto: Agência Onu News
Neste 14 de abril, o Dia Mundial de Combate à Doença de Chagas coloca as mulheres no centro das atenções para condenar a negligência e o estigma de que elas foram, algum dia, "fonte de infecção" para a doença de Chagas congênita.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, a realidade é bem diferente. A grande maioria das mulheres que vivem com a doença de Chagas foi infectada da mesma forma que seus familiares e vizinhos.
Inseto barbeiro
A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e transmitida pela picada do inseto triatomíneo também conhecido como inseto barbeiro. A infecção também pode ocorrer pelo consumo de alimentos ou bebidas contaminados.
Apesar disso, meninas e mulheres em idade fértil têm sido sistematicamente negligenciadas com falta de informação, educação e conscientização.
As consequências são graves: até um terço das mulheres com infecção por Trypanossoma cruzi desenvolverá alterações cardíacas que podem levar à cardiomiopatia, tornando a gravidez um evento de alto risco tanto para a mãe quanto para o bebê.
Tratamento para recém-nascidos
A OMS afirma que, todos os anos, em todo o mundo, são registrados 8 milhões de casos da Doença de Chagas com 10 mil mortes e 100 milhões de pessoas em todo o globo correm risco de contaminação.
A transmissão durante a gravidez ou o parto ocorre em cerca de 3% a 5% das gestações e é atualmente a principal via de infecção em áreas onde a transmissão vetorial é controlada e em nível global. E quando os recém-nascidos são tratados no primeiro ano de vida, a chance de cura é de 90%.
Infectologista brasileiro Carlos Chagas
Em mensagem para marcar o Dia Mundial, o diretor-geral da OMS pediu aos governos mais apoio para que as grávidas sejam rastreadas durante a gravidez.
Para Tedros Ghebreyesus, é fundamental testar todos os recém-nascidos de mães infectadas, pelo menos ao nascimento e após 8 meses, juntamente com os seus irmãos, garantindo que nenhum diagnóstico seja perdido.
O nome Doença de Chagas ou Mal de Chagas deve-se ao infectologista brasileiro e professor Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas, que morreu em 1934, e foi considerado a primeira pessoa a descrever completamente uma doença infecciosa.
Comentários para "Dia Mundial de Combate à Doença de Chagas foca em estigmas sobre mulheres":