O Brasil voltou a eleger três mulheres governadoras em uma mesma eleição após um hiato de 20 anos, igualando o recorde registrado em 2006
João Pedro Pitombo-salvador, Ba (folhapress) - 26/10/2026 08:18:22 | Foto: Michelle Bolsonaro (PL), Celina Leão (PP) e Bia Kicis (PL) — TV Globo/Reprodução
O Brasil voltou a eleger três mulheres governadoras em uma mesma eleição após um hiato de 20 anos, igualando o recorde registrado em 2006.
Foram reeleitas neste domingo (25) as governadoras Celina Leão (PP), no Distrito Federal, e Mailza Assis (PP), no Acre, que se unem à governadora Raquel Lyra (PSD), reeleita no primeiro turno em Pernambuco.
Celina Leão e Mailza Assis tiveram uma trajetória política parecida: ambas eram vice-governadoras e ascenderam ao governo em abril deste ano após renúncia dos titulares. Com a vitória, tornaram-se as primeiras mulheres eleitas para governar o Distrito Federal e Acre.
O Distrito Federal terá um cenário inédito no Brasil a partir de 2027, com uma mulher governadora e três mulheres no Senado: Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), eleitas este ano, e Damares Alves (Republicanos), eleita em 2022.
As mulheres foram 34 das 194 candidaturas ao governo registradas pelo TSE, ou seja, 18% do total.
Quatro foram para o segundo turno. Além das vitoriosas Celina Leão e Mailza Assis, foram derrotadas neste domingo Professora Dorinha (União Brasil), no Tocantins, e Maria do Carmo Seffair (PL), no Amazonas.
As quatro são do campo da direita e apoiaram o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais. Já Raquel Lyra, vencedora no primeiro turno, adotou posição de neutralidade em relação à eleição presidencial.
Hoje, cinco mulheres governam estados no Brasil: Lyra, Mailza, Celina, Fátima Bezerra (PT) -no Rio Grande do Norte- e Hana Ghassan, no Pará. Só Lyra e Bezerra foram eleitas diretamente em 2022. É o maior número de mulheres ocupando o cargo simultaneamente na história do país.
Ainda assim, o cenário de sub-representação contrasta com o de mulheres e negros na sociedade brasileira. Elas são 51,5% da população, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Desde 1994, quando Roseana Sarney (então no PFL) se tornou a primeira mulher eleita para o cargo, a presença feminina nos governos estaduais avançou de forma irregular, com apenas uma ou duas eleitas na maioria dos pleitos.
Em 1998, Roseana foi reeleita no Maranhão e foi a única mulher eleita naquele pleito, assim como quatro anos antes. Duas mulheres venceram disputas estaduais em 2002: Rosinha Garotinho, no Rio de Janeiro, e Wilma de Faria, no Rio Grande do Norte, ambas pelo PSB.
Em 2006, o número chegou a três, com a reeleição de Wilma e as vitórias de Ana Júlia Carepa (PT), no Pará, e Yeda Crusius (PSDB), no Rio Grande do Sul. Depois de quatro anos, Roseana voltou a vencer no Maranhão, e Rosalba Ciarlini (DEM) foi eleita no Rio Grande do Norte.
Em 2014 e 2018, apenas uma mulher foi eleita governadora em cada eleição: Suely Campos (PP) conquistou o Governo de Roraima e, quatro anos depois, Fátima Bezerra (PT) foi eleita no Rio Grande do Norte. Na eleição seguinte, em 2022, Fátima foi reeleita, e Raquel Lyra (então no PSDB) venceu em Pernambuco.
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