Ala do STF passa a defender domiciliar para Bolsonaro e vê ida à Papudinha como passo inicial

Flávio prega união, elogia Michelle e Tarcísio e acena a Caiado, Zema e Ratinho

Ala do STF passa a defender domiciliar para Bolsonaro e vê ida à Papudinha como passo inicial
Ala do STF passa a defender domiciliar para Bolsonaro e vê ida à Papudinha como passo inicial

Carolina Linhares E Catia Seabra-são Paulo, Sp, Brasília, Df (folhapress) - 19/01/2026 07:01:43 | Foto: Divulgação STF

CATIA SEABRA E ANA POMPEU-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Aliados de Jair Bolsonaro (PL) e parte dos integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) avaliam que a decisão do ministro Alexandre de Moraes de mudar o local da prisão do ex-presidente foi um passo inicial para enviá-lo para o regime domiciliar.

Dois integrantes da corte, de diferentes grupos, viram a decisão do magistrado como um gesto nesse sentido porque o novo local, a chamada Papudinha, oferece melhores condições para o político. Para eles, a eventual mudança para que ele cumpra a pena em casa pode ocorrer no curto prazo.

A avaliação é feita ainda que Moraes não tenha dado nenhum indício de que pretende conceder o benefício ao ex-presidente. Na decisão em que determinou a transferência para a Papudinha, o ministro disse que o cumprimento da pena não é uma "estadia hoteleira" ou uma "colônia de férias" e rebateu as críticas dos filhos do ex-presidente sobre as condições da sala de Estado Maior da Polícia Federal.

Condenado por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro foi retirado do regime domiciliar e enviado para a Superintendência da PF em Brasília em novembro, após tentar violar a sua tornozeleira eletrônica, segundo ele, por "curiosidade". Seus médicos atribuíram o episódio a confusão mental causada por medicamentos. Segundo especialistas, os remédios usados pelo ex-presidente são seguros e em casos raros podem causar delírio.

Desde que o ex-presidente foi colocado em regime fechado, sua defesa fez uma série de pedidos a Moraes, de Smart TV a redução de ruídos do ar condicionado, e a família tem alardeado supostos riscos à saúde que ele correria fora de casa. A mobilização aumentou após Bolsonaro sofrer uma queda, e os exames detectarem traumatismo craniano leve.

À Folha de4 S.Paulo um integrante do Supremo, do grupo considerado próximo a Moraes, disse que passou a defender que Bolsonaro possa cumprir a pena em casa pelo receio de o Supremo ser considerado culpado por eventuais complicações na saúde dele.

Esse magistrado avalia ser uma questão de tempo para que o próprio Moraes seja convencido de que isso seria o mais prudente.

A aposta de pessoas próximas ao ex-presidente é similar. Para eles, os demais magistrados serão convencidos da necessidade de mudar o político de regime prisional e pressionarão Moraes para que tome uma decisão nesse sentido.

Essa avaliação ganhou força após a investida da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no tribunal.

Michelle conversou tanto com Moraes como com o ministro Gilmar Mendes. Tarcísio falou com quatro magistrados para pedir a prisão domiciliar.

A decisão de Moraes de transferir o ex-presidente foi tomada após essas conversas. Em rede social, a ex-primeira-dama disse que as novas instalações são "menos prejudiciais à sua saúde" [de Bolsonaro] e lhe trazem "mais dignidade", mas ainda assim, seguiria com o empenho de levá-lo para a casa.

As instalações na unidade no Distrito Federal comportam até quatro pessoas, mas serão usadas exclusivamente por Bolsonaro. O espaço conta com 65 m², sendo 10 m² de área externa, e tem quarto, banheiro, sala, cozinha e lavanderia.

Por isso, a transferência foi vista até dentro do Supremo como um gesto de Moraes. Na sua decisão, o ministro afirmou que o novo local permitirá o aumento do tempo de visitas aos familiares, a realização livre de "banho de sol" e de exercícios a qualquer horário do dia, inclusive com a possibilidade de instalação de aparelhos para fisioterapia, tais como esteira e bicicleta.

O magistrado também informou que há banheiro com chuveiro de água quente, armários, cama de casal e TV. E, ao invés de um frigobar, agora há uma geladeira.

Na decisão em que ordenou a transferência de Bolsonaro, Moraes também determinou que o ex-presidente seja submetido imediatamente à junta médica oficial, composta por médicos da PF, para avaliação do seu quadro clínico de saúde.

Depois disso, ele decidirá se mantém o ex-presidente na Papudinha ou determina a sua transferência para um hospital penitenciário. Essa avaliação antecede a análise do novo pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa.

Domiciliar a Bolsonaro une Michelle e Tarcísio, e aliados tentam reabilitar candidatura presidencial

Aliados de Tarcísio de Freitas (Republicanos) apostam na atuação dele e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) pela prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL) para reabilitar a candidatura presidencial do governador de São Paulo.

Apesar de o ex-presidente ter indicado o filho mais velho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como seu representante na disputa eleitoral deste ano, um grupo do entorno do governador avalia que a situação ainda pode mudar.

Na quinta-feira (15), Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), transferiu Bolsonaro para o batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal conhecido como Papudinha, o que foi considerado uma vitória por bolsonaristas. Eles destacam que o objetivo final ainda é o regime domiciliar.

O ex-presidente estava preso em casa até novembro, quando admitiu uma tentativa de violar sua tornozeleira eletrônica e foi transferido para uma sala na Superintendência da Polícia Federal.

A transferência para a Papudinha, junto ao complexo da Papuda, ocorreu horas após Moraes ter recebido Michelle. A ex-primeira-dama e Tarcísio conversaram também com outros ministros para pressionar pela prisão domiciliar.

Integrantes do STF relataram nos bastidores que a conversa que a ex-primeira-dama teve com pelo menos um ministro foi positiva e que ela levou informações importantes sobre a saúde de Bolsonaro.

Chamou atenção o fato de ela ter levado um memorial, nome dado a documento detalhado com informações sobre o caso, robusto com detalhes sobre a situação do marido e ter se portado de maneira cordial.

Ainda que Moraes resista a conceder o benefício ao ex-presidente, aliados de Tarcísio apostam que possa haver uma pressão de outros ministros para convencer o relator a recuar.

Segundo bolsonaristas pró-Tarcísio, esse esforço serviria à estratégia de convencer Bolsonaro a retirar a candidatura de Flávio e endossar a do governador –que é preferido por parte do centrão e do mercado financeiro por ser considerado mais competitivo contra Lula (PT).

Interlocutores de Tarcísio e Michelle negam haver interesse eleitoral no movimento. Eles dizem que ambos têm preocupação com a saúde debilitada de Bolsonaro, que caiu e bateu a cabeça enquanto estava preso na PF.

Da mesma forma, entusiastas da candidatura de Flávio afirmam que nem a prisão domiciliar poderia demover Bolsonaro de apoiar o filho. Na visão deles, não há possibilidade alguma de o senador desistir de concorrer ao Planalto.

Ainda de acordo com aliados do senador, a articulação de Tarcísio pode ser um tiro no pé caso sugira aos eleitores que ele está conspirando contra a escolha do ex-presidente.

Um líder do centrão diz que a candidatura de Flávio está consolidada e que relacionar as condições de prisão à candidatura presidencial seria uma teoria conspiratória. Para outro dirigente, ainda há tempo para mudança de cenário.

Parlamentares bolsonaristas afirmam que Michelle prefere a candidatura de Tarcísio e lembram que ela até compartilhou um post da esposa do governador sobre um novo CEO para o Brasil. Nesse cenário, a aproximação entre eles teria o objetivo de que a ex-primeira-dama fosse candidata a vice na chapa.

Para políticos ouvidos pela reportagem, o público bolsonarista pode atribuir a melhora nas condições de prisão de Bolsonaro –que agora está em uma cela maior e com mais estrutura– à atuação de Tarcísio e, principalmente, de Michelle.

"Parabéns a Michelle e Tarcísio! Souberam articular para tirar Bolsonaro da PF para um lugar melhor . Certas vitórias se conquistam por etapas", escreveu o pastor Silas Malafaia em rede social.

Perfis de apoio a Tarcísio nas redes exaltaram a dupla.

Michelle escreveu, na sexta (16) em suas redes sociais, que o estado de saúde de Bolsonaro demanda que ele esteja em casa, sendo cuidado pela família. Ela também rebateu a versão de que estivesse agindo politicamente ao buscar Moraes.

"Para mim, a família está acima de qualquer narrativa, acima de qualquer conveniência política. Aqueles que também amam e defendem o meu amor, o nosso líder, peço que não me levem ao tribunal do julgamento pessoal, que não se apressem em me julgar ou a criar rótulos de conotação política."
Outro filho de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro (PL), que já teve desavenças com a madrasta, insinuou em suas redes que há uma tentativa de medir forças com o ex-presidente.

"Tenho convicção absoluta, diante dos fatos mais recentes, de que o objetivo jamais foi medir forças com os filhos de Jair Bolsonaro. Isso sempre foi apenas a superfície do jogo. O verdadeiro intento, ainda que de forma dissimulada, é medir forças com o próprio Jair Bolsonaro", escreveu.

Aliados de Tarcísio que defendem sua candidatura dizem que essa articulação da dupla pela prisão domiciliar não é necessariamente uma moeda de troca eleitoral. A expectativa, porém, é a de que tanto o governador como Michelle alcancem mais prestígio do que Flávio ante o ex-presidente –o que poderia fazê-lo mudar de ideia em relação à eleição.

O empresário Filipe Sabará, que integra o time de Flávio na pré-campanha, disse à Folha que há uma tentativa de tirar o senador da disputa.

"De um lado, uma carta, escrita de próprio punho por Jair Bolsonaro, maior líder da direita, contendo uma missão ao seu filho mais velho. De outro, uma 'forçação de barra' por grupos de interesse, usando a luta legítima de uma esposa desesperada pelo alívio do seu marido, plantando notas e pesquisas, e usando o governador Tarcísio como manobra, para tentarem minar a candidatura de Flávio Bolsonaro."

Flávio prega união, elogia Michelle e Tarcísio e acena a Caiado, Zema e Ratinho

JOÃO GABRIEL-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após farpas e indiretas públicas entre lideranças da direita nos últimos dias, o senador e candidato declarado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), publicou um vídeo neste sábado pedindo união em seu campo político.

"Como a gente vai conseguir unir o Brasil se a gente não consegue unir a direita antes? Não caia em pilha errada", disse.

Na postagem, Flávio elogiou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e elogiou os também governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil).

O filho de Jair Bolsonaro também convocou seus seguidores a fazer críticas ao governo Lula (PT) nas redes sociais e voltou a defender seu pai, preso por tentativa de golpe de Estado.

Nos últimos dias, a transferência de Bolsonaro da sede da Polícia Federal para a chamada Papudinha expôs uma divisão entre seus apoiadores e resultou em embate público entre aliados de Flávio e de Tarcísio.

Na sexta (16), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pediu a aliados que não a julgassem, em mensagem publicada no dia em que foi revelada a conversa entre ela e o ministro do STF Alexandre de Moraes horas antes de o marido ser enviado para a unidade prisional.

"Ainda que hoje as instalações do complexo sejam menos prejudiciais à sua saúde [de Bolsonaro] e lhe tragam mais dignidade, continuaremos lutando para levá-lo para casa", declarou.

No vídeo publicao neste sábado, Flávio pediu calma aos eleitores da direita e disse que um palanque conjunto dele com Michelle, Tarcísio, Ratinho Jr (PSD, governador do Paraná), Romeu Zema (Novo, governador de Minas Gerais) e Ronaldo Caiado (União, governador de Goiás) vai acontecer "no momento certo".

"O Tarcísio é um aliado fundamental, a Michelle tem um papel importantíssimo", afirmou.

Ele ainda pediu que seus eleitores não ataquem um ou outro político, e que isso fortalece a esquerda.

"Vamos colocar nossas diferenças menores um pouco de lado. Vamos focar naquilo que nos une", completou.

Embates no bolsonarismo
O bolsonarismo vive uma série de embates públicos especialmente desde que o ex-presidente foi colocado em prisão domiciliar, em agosto do ano passado.

Após ele escolher Flávio para ser candidato a Presidência em 2026, lideranças da direita têm alternado entre frases de apoio a ele ou de crítica e defesa de outros nomes, principalmente o de Tarcísio.

Na última quarta-feira (14), por exemplo, Michelle publicou um vídeo do governador para defendê-lo das cobranças de bolsonaristas por um apoio mais incisivo à empreitada presidencial de Flávio.

No dia seguinte, quinta (15), o senador foi questionado sobre a possibilidade de Michelle concorrer ao Planalto após as movimentações públicas dela e a alfinetou na resposta, dizendo que ele jamais trabalhou para ser candidato.

"Eu nunca costurei, nunca procurei, não rodei o Brasil por isso. Não corri atrás de ser pré-candidato", disse. Michelle fez diversas viagens pelo Brasil à frente do PL Mulher –do qual se licenciou pouco depois do anúncio da candidatura de Flávio.

Ao mesmo tempo, Tarcísio publicou um vídeo com críticas ao PT, e sua esposa, Cristiane, comentou o post dizendo que o Brasil precisa "de um novo CEO, meu marido", no que foi avaliado como uma aceno à campanha ao Planalto e críticas a Flávio.

Dias depois, o governador de São Paulo minimizou e disse que "nunca teve esse projeto" de concorrer à Presidência, e que quer buscar a reeleição no estado.

"O Flávio é um grande nome, já falei que ele é meu candidato, que vai ter o nosso apoio", completou.

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