Presidente nacional do PT questiona disputa por imóvel de R$ 10 milhões e critica atuação do senador em temas relacionados à segurança pública e ao combate ao crime organizado
Redação Brasil 247 - 20/10/2026 15:47:41 | Foto: Reprodução CBF TV
LUCAS BOMBANA-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio a uma disputa com o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) por uma propriedade em Angra dos Reis, o atacante Richarlison atravessa um momento de baixa e de incerteza dentro dos gramados.
Centroavante titular da seleção brasileira de Tite na Copa do Mundo de 2022, no Qatar, e autor do gol eleito pelos torcedores o mais bonito do torneio, na estreia contra a Sérvia, o jogador de 29 anos sequer foi chamado por Carlo Ancelotti para o Mundial de 2026 na América do Norte e também não faz parte dos planos do treinador italiano Roberto De Zerbi, do Tottenham, da Premier League, para a recém-iniciada temporada europeia 2026/27.
Após o time do norte de Londres brigar contra o rebaixamento nas duas últimas temporadas, salvando-se da segunda divisão de forma dramática apenas na última rodada na temporada 2025/26, o atleta deixou claro à diretoria que gostaria de ser negociado.
Durante a intertemporada europeia, ele chegou a pedir publicamente para ser negociado ao Everton, clube de Liverpool que defendeu por quatro temporadas antes de chegar ao Tottenham, em julho de 2022.
"Sempre deixei claro, em todas as oportunidades, que uma saída minha para outro lugar teria também de ser boa para o clube. Se não fosse, eu jamais aceitaria, como não aceitei quando tudo aqui estava desmoronando e precisaram de mim. Eu fiquei e dei minha vida. Então, espero que tratem a minha situação com o mesmo respeito que eu sempre tive pelos Spurs e por todas as pessoas que trabalharam comigo neste período. Só não queiram decidir por mim", escreveu o centroavante em publicação nas redes sociais no fim de agosto.
"Se entrarem em um acordo entre Spurs e Everton, eu volto pro meu time do coração. Minha intenção era, sim, voltar ao lugar onde fui muito feliz. Só que as negociações eram do jeito que as pessoas queriam. E não vai ser desse jeito mais. Apesar desse tumulto, eu tenho contrato com os Spurs e estarei à disposição do clube", acrescentou.
Sem um acordo para voltar ao Everton, Richarlison também recebeu sondagens do Trabzonspor, time turco que ganhou os holofotes recentemente por contratar o atacante egípcio Mohamed Salah e o volante brasileiro Fabinho, e esteve perto de jogar no Vasco.
Torcedor declarado do cruz-maltino, o atacante sinalizou que gostaria de atuar pelo time no Brasil por empréstimo em um contrato de curta duração, somente até dezembro, com a intenção de voltar ao exterior em 2027.
O negócio, contudo, também acabou não sendo concretizado porque o Tottenham já havia chegado ao limite de seis atletas emprestados para clubes de outras ligas, conforme regras estabelecidas pela Premier League.
"Estivemos muito perto de eu assinar com o Vasco. Meu time do coração, time de toda minha família. Foi por pouco", afirmou o jogador.
Sem conseguir encontrar um novo clube, o atacante capixaba natural de Nova Venécia chegou a atuar entre os titulares na estreia do Tottenham na Premier League, na derrota por 3 a 0 para o Brentford, no dia 22 de agosto.
Desde então, não voltou mais a ser relacionado por De Zerbi para partidas da Premier League ou das Copas locais. O treinador inclusive já deixou claro que não conta com o brasileiro neste momento. "Richarlison não vai jogar mesmo estando disponível", declarou o treinador.
Para poder manter o ritmo de jogo, Richarlison atuou pela equipe sub-21 do Tottenham no último dia 13 de outubro, em jogo contra o Cheltenham Town pelo torneio Jersey Mike's Trophy. Marcou um dos gols no empate por 2 a 2 no tempo regulamentar, fazendo a característica comemoração imitando um pombo, e converteu sua cobrança na disputa de pênaltis, vencida pelo Cheltenham por 7 a 6.
Com contrato com o Tottenham até junho de 2027, e a possibilidade de assinar um pré-contrato com outro clube a partir de dezembro, o jogador também teve seu nome relacionado ao Galatasaray, da Turquia.
Enquanto aguarda uma definição sobre seu futuro, Richarlison tenta reaver uma propriedade de luxo em Angra dos Reis. Segundo o jogador, o imóvel foi tomado "na mão grande" pelo senador Flávio Bolsonaro, por meio de manobras judiciais, após ele se negar a negociar.
O terreno é de propriedade da União. O que Richarlison havia comprado era o direito de ocupação da propriedade Segundo ele, foi feito um investimento de cerca de R$ 10 milhões dele junto a outros parceiros.
Logo após Richarlison ter adquirido a posse do imóvel, surgiram pessoas interessadas em comprá-lo. Entre elas estava Flávio Bolsonaro, segundo o jogador. "Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça", afirmou o atleta nas redes sociais neste sábado (17).
Segundo Richarlison, o advogado Willer Tomaz e Flávio entraram diretamente na SPU (Secretaria do Patrimônio da União) com o pedido de regularização do imóvel em favor do senador.
A disputa pelo casarão -equipado com cachoeira particular e situado próximo ao aeroporto da região costeira do Rio de Janeiro- estende-se desde 2020. O atleta e seus sócios negociaram a compra do imóvel, mas foram surpreendidos em 2022 por um mandado de reintegração de posse movido pela empresa M Locadora, representada por um advogado associado a Willer Tomaz.
Em manifestações anteriores sobre o caso, o senador Flávio Bolsonaro negou qualquer atuação irregular, afirmando manter apenas relação de amizade com Willer Tomaz.
O advogado sustentou que adquiriu legalmente os direitos sobre o terreno e desembolsou R$ 5 milhões para regularizar pendências fiscais do imóvel, classificando os antigos ocupantes como invasores. Ele chegou a desafiar Richarlison a apresentar documentos que comprovassem seu vínculo com a propriedade. "Se forem válidos, Willer Tomaz transfere a ele os direitos sobre o imóvel sem cobrar um centavo."
Edinho Silva cobra explicações de Flávio Bolsonaro após denúncia de Richarlison sobre roubo de ilha em Angra dos Reis
Redação Brasil 247 - O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e coordenador político da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Edinho Silva, cobrou explicações do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) após o jogador Richarlison denunciar uma disputa envolvendo uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas pelo PT, o atleta acusa Flávio e o advogado Willer Tomaz, apontado como sócio do senador, de terem obtido a posse do imóvel por meio de uma decisão judicial que ele considera irregular.
Em entrevista a jornalistas no comitê de campanha, em Brasília, Edinho afirmou estar indignado com o relato do jogador e questionou a conduta atribuída ao candidato presidencial.
“Como que alguém que rouba uma ilha pode querer ser presidente da República?”, declarou o dirigente petista.
A afirmação constitui uma acusação política de Edinho Silva. A existência da disputa imobiliária, por si só, não comprova a prática de crime pelos envolvidos.
A controvérsia ganhou repercussão depois que Richarlison publicou, no sábado (17), um vídeo em seu perfil no Instagram relatando a disputa pela propriedade.
Segundo o jogador, a mansão foi adquirida em sociedade entre 2020 e 2021, em uma operação que envolveu aproximadamente R$ 10 milhões. Ele afirmou ter recusado propostas de venda, inclusive uma que atribuiu a Flávio Bolsonaro.
Richarlison relatou que, enquanto procurava regularizar a documentação da propriedade, Flávio e Willer Tomaz conseguiram obter judicialmente a posse do imóvel em um prazo que considerou surpreendentemente curto.
“Como não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça. A gente estava resolvendo a papelada, e eles falaram que demorava meses ou até anos para resolver. Flávio Bolsonaro e o tal do Willer Tomaz foram lá e, em 24 horas, pegaram a posse da ilha. Aí a Justiça falhou. Os caras tomaram a ilha sem gastar um tostão, até onde eu sei. Gastei em torno de R$ 10 milhões lá e não recebi nada”, afirmou o atleta.
O relato levanta questionamentos sobre as circunstâncias da transferência de posse, os fundamentos da decisão judicial e os direitos das partes envolvidas na disputa.
As acusações, entretanto, precisam ser confrontadas com os documentos do processo e com as manifestações de Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. O conteúdo divulgado pelo PT não apresenta esses esclarecimentos.
Para Edinho Silva, a denúncia apresentada pelo jogador exige explicações públicas de Flávio Bolsonaro, especialmente por se tratar de um candidato à Presidência da República.
O dirigente petista relacionou o episódio a outros questionamentos sobre a trajetória política do senador e afirmou que o eleitorado precisa conhecer as circunstâncias das controvérsias envolvendo o candidato.
Na avaliação de Edinho, Flávio deve esclarecer não apenas a disputa pelo imóvel em Angra dos Reis, mas também suas posições sobre legislação penal, segurança pública e mecanismos de combate ao crime organizado.
Durante a entrevista, Edinho Silva criticou a atuação de Flávio Bolsonaro em propostas legislativas relacionadas à identificação e ao rastreamento de munições.
O dirigente mencionou uma iniciativa que flexibilizaria exigências de identificação de cartuchos destinados às forças de segurança, o que, segundo ele, dificultaria investigações sobre o desvio de munições para organizações criminosas.
“Alguém que apoia um projeto de lei para que não se tenha condição de rastrear a comercialização e a utilização de munição é porque está beneficiando o crime organizado”, afirmou Edinho.
A declaração expressa a interpretação política do presidente do PT sobre os possíveis efeitos da mudança legislativa.
O rastreamento de munições é um instrumento utilizado em investigações criminais para identificar lotes, fornecedores e possíveis desvios de estoques legalizados. Alterações nesses mecanismos podem afetar a capacidade das autoridades de reconstruir a origem de materiais encontrados em cenas de crimes.
Edinho também questionou a atuação parlamentar de Flávio em votações relacionadas à responsabilização de agentes de segurança acusados de crimes.
O presidente nacional do PT afirmou que Flávio Bolsonaro “não tem credibilidade para debater segurança pública”.
Como justificativa, mencionou episódios que classificou como demonstrações de proximidade ou defesa de milicianos, além de posições legislativas que, em sua avaliação, poderiam prejudicar o combate ao crime organizado.
Edinho citou especificamente o voto contrário de Flávio, quando deputado estadual no Rio de Janeiro, a um projeto destinado a retirar a posse de armas de policiais envolvidos em agressões contra mulheres.
Para o dirigente, esse histórico deveria ser esclarecido pelo candidato, sobretudo diante da importância da segurança pública na campanha presidencial.
As declarações sobre supostas relações com milicianos e proteção a criminosos são acusações formuladas por Edinho Silva e não constituem, isoladamente, comprovação de envolvimento do senador em atividades criminosas.
A entrevista de Edinho Silva ocorreu antes do debate presidencial promovido pela Rede Bandeirantes no domingo (18), primeiro confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Na ocasião, o presidente do PT afirmou que Lula estava “muito tranquilo e animado” para o encontro e que pretendia utilizar o debate para apresentar propostas e cobrar explicações sobre o histórico político do adversário.
“O que nós mais queremos é o confronto de ideias. Nós queremos que o povo brasileiro possa saber o que representa o Flávio Bolsonaro, que mente o tempo todo”, declarou.
Edinho também acusou Flávio de utilizar informações falsas para conquistar votos e afirmou que suas posições políticas representariam riscos para o enfrentamento do crime organizado e para a proteção de mulheres vítimas de violência.
Essas afirmações refletem a avaliação do dirigente petista sobre o candidato do PL.
Ao concluir a entrevista, Edinho reiterou que esperava respostas públicas de Flávio Bolsonaro.
“Eu acho que o Flávio Bolsonaro tem muito o que explicar, e nós queremos no debate de amanhã que ele mostre ao Brasil não as mentiras que ele conta, mas quem efetivamente ele é”, afirmou.
A denúncia de Richarlison acrescentou um novo elemento à disputa presidencial na semana que antecede o segundo turno, marcado para 25 de outubro. O esclarecimento das circunstâncias da posse do imóvel em Angra dos Reis depende da análise dos registros imobiliários, das decisões judiciais e das versões de todas as partes envolvidas.
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