A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes
José Marques E Raquel Lopes-brasília, Df (folhapress) - 19/10/2026 15:46:49 | Foto: Gustavo Moreno/STF
A Polícia Federal cumpriu, nesta segunda-feira (19), mandado de busca e apreensão contra um ex-servidor do STJ (Superior Tribunal de Justiça) suspeito de vazar minutas de decisões ao advogado Willer Tomaz, amigo do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL).
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e apura possível violação de sigilo funcional de Humberto Fontoura Pradera, que tinha cargo comissionado no STF e foi exonerado na última sexta-feira (16).
Pradera é suspeito de repassar informações sobre demandas internas e de encaminhar fotografia de documento interno a Willer. A investigação foi divulgada inicialmente pelo site UOL e confirmada pela reportagem.
A defesa de Pradera não foi localizada pela reportagem. Procurado, o STJ afirma que o presidente da corte, Luis Felipe Salomão, tomou conhecimento dos fatos e abriu um procedimento interno para apuração.
"Como não se trata de concursado, o servidor em cargo de confiança foi exonerado na sexta-feira (16). As medidas criminais estão em andamento e são sigilosas, e sobre elas o tribunal não vai se manifestar", diz o órgão.
Em nota, Willer Tomaz "nega categoricamente ter tido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal, bem como ter interferido em qualquer manifestação".
"As insinuações são falsas, configuram desinformação e revelam desconhecimento elementar, ou deliberada distorção, do funcionamento dos tribunais."
A PF aponta, nas investigações, proximidade entre Pradera e Tomaz. Em uma determinada ocasião, o então funcionário do STJ encaminhou ao advogado uma fotografia da tela de um computador na qual aparece um documento de 17 páginas, feita quatro dias antes de ela ser assinada e publicada.
A investigação também aponta que forma vazadas a Tomaz informações do Ministério Público Federal por meio de um subprocurador-geral da República aposentado.
Flávio Bolsonaro é investigado no STF por suspeita de lavagem com advogado do caso INSS
ANNA JÚLIA LOPES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido de inquérito contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, também investigado pela corporação por envolvimento com fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
No Supremo, foi sorteado para relatar o caso o ministro Alexandre de Moraes. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha de S.Paulo.
A campanha de Flávio foi procurada por email institucional e via WhatsApp, mas ainda não houve resposta.
A investigação teve origem em movimentações relacionadas ao setor de apostas. Na sexta-feira (16), a Folha mostrou que uma empresa do setor, de propriedade de Willer Tomaz, havia pagado voos de Flávio para a Europa em 2025.
A apuração revelou que a empresa atuou como intermediária na compra das passagens aéreas e que teria sido utilizada para custear viagens de caráter pessoal, envolvendo tanto os núcleos familiares de Willer quanto de Flávio.
Segundo a PF, o senador possuía acesso operacional relevante como usuário master em uma conta bancária pertencente a empresa offshore Alcazar Holding, da qual o advogado é sócio. Em maio de 2025, foi solicitada a exclusão do acesso do parlamentar.
A investigação aponta relação de proximidade entre Willer e Flávio. Entre os registros localizados pela PF, constam referências a festas, encontros e reuniões envolvendo os dois.
Quando questionado pela Folha de S.Paulo sobre as viagens em 16 de outubro, Flávio afirmou que sua relação com Willer é exclusivamente de amizade.
Willer é investigado sob a acusação de fazer repasses financeiros de dinheiro obtido em fraudes contra a Previdência no escândalo do INSS. Ele também é dono da Rede Loto, primeira bet a conseguir uma licença de operação no país ainda em maio de 2023, emitida pelo governo do Rio de Janeiro.
Esta é a segunda investigação da qual Flávio é alvo no STF. O senador também é formalmente investigado no inquérito que apura a produção do filme "Dark Horse", sobre seu pai, Jair Bolsonaro (PL).
No caso, a PF pediu a apuração de possível prática de lavagem de dinheiro e corrupção no contexto do financiamento do filme junto ao Banco Master.
Em maio, foi revelado um áudio enviado por Flávio a Daniel Vorcaro, dono do Master, pedindo dinheiro para a produção da obra. O senador negociou com o então banqueiro um repasse de pelo menos US$ 24 milhões (hoje, aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a produção.
Em entrevistas para explicar a origem dos recursos o filme, o senador sempre repetiu que se tratava de patrocínio privado.
Grupo pede investigação de Flávio Bolsonaro por posse de imóvel e vê advocacia administrativa
EDUARDO MOURA-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O coletivo Derrubando Muros enviou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) para investigar o processo que atribuiu o direito de ocupação de um imóvel de luxo para o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). O imóvel era antes ocupado pela família do jogador do Tottenham Richarlison.
"Não é uma mera disputa entre entes privados. Trata-se de patrimônio da União. É de todos os brasileiros", afirma José Cesar Martins, coordenador do Derrubando Muros.
Assinam o documento nomes como Miguel Reale Jr. e Conrado Hübner Mendes, colunista da Folha.
Segundo a denúncia, há indícios de advocacia administrativa, ou seja, uso de algo público para benefício particular.
O terreno é de propriedade da União. O que Richarlison havia comprado era o direito de ocupação da propriedade Segundo ele, foi feito um investimento de cerca de R$ 10 milhões dele junto a outros parceiros.
Logo após Richarlison ter adquirido a posse do imóvel, surgiram pessoas interessadas em comprá-lo. Entre eles estava Flávio Bolsonaro, segundo o jogador. "Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça", afirmou o atleta nas redes sociais neste sábado (17).
De acordo com o documento do Derrubando Muros, a iniciativa não pretende representar nenhuma das partes envolvidas, nem restabelecer sua posse em favor de pessoa determinada.
A ocupação do local por Richarlison estaria consolidada à espera de decisão administrativa da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), "que é conhecida como lenta para decidir", diz Martins.
Nesse ínterim, o jogador teria sido procurado pelo advogado e amigo de Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz, o que foi recusado por Richarlison.
Segundo Richarlison, Willer e Flávio entraram diretamente na SPU com o pedido de regularização do imóvel em favor do senador.
"O pedido foi aceito em tempo recorde, Richarlison perdeu o imóvel e a ilha passou a pertencer a Flávio Bolsonaro", afirma o coordenador do Derrubando Muros.
De acordo com a Justiça do Rio de Janeiro, uma sentença extinguiu o processo em outubro de 2025, sem julgamento do mérito, por renúncia de uma das partes. Em janeiro de 2026, após o trânsito em julgado, o processo foi arquivado.
A disputa pelo casarão -equipado com cachoeira particular e situado próximo ao aeroporto da região costeira do Rio de Janeiro- estende-se desde 2020. O atleta e seus sócios negociaram a compra do imóvel, mas foram surpreendidos em 2022 por um mandado de reintegração de posse movido pela empresa M Locadora, representada por um advogado associado a Willer Tomaz.
Em manifestações anteriores sobre o caso, o senador Flávio Bolsonaro negou qualquer atuação irregular, afirmando manter apenas relação de amizade com Willer Tomaz. Já o empresário sustentou que adquiriu legalmente os direitos sobre o terreno e desembolsou R$ 5 milhões para regularizar pendências fiscais do imóvel, classificando os antigos ocupantes como invasores.
Segundo reportagem do UOL, Willer Tomaz, além de ser investigado por fraudes contra a Previdência, recebia minutas de decisões do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e de manifestações do MPF (Ministério Público Federal) antes da publicação, aponta investigação da Polícia Federal.
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