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Educação pelo Mundo. O que Singapura e Índia têm a nos ensinar

Educação pelo Mundo. O que Singapura e Índia têm a nos ensinarFoto: Arte EBC

Os dois países asiáticos investem em pesquisa e tecnologia

Por Repórter Mariana Tokarnia - 06/05/2019 - 11:48:39

Experiências bem-sucedidas que possam servir de inspiração para a educação brasileira. Em busca desses exemplos, a repórter da Agência Brasil Mariana Tokarnia fará parte, durante 12 dias, de uma missão técnica internacional composta de reitores e representantes de instituições de ensino superior brasileiras.

A repórter conhecerá iniciativas em Singapura - uma cidade-Estado que ocupa o primeiro lugar em avaliações educacionais internacionais – e na Índia - um dos países mais populosos do mundo e com alta expectativa de crescimento econômico.

Foto: Arte EBC

A programação inclui cursos, visitas guiadas e palestras em instituições de ensino e entidades de educação dos dois países. A jornalista viaja a convite do Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior do Brasil (clique aqui e leia o diário de bordo da viagem).

Destinos

O primeiro destino será Singapura, pequeno país asiático com território de 721,5 km² – 30 vezes menor que Sergipe, o menor estado brasileiro. O país conta com uma população de 5,6 milhões de habitantes. Singapura ocupa o primeiro lugar no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), principal referência internacional de qualidade da educação, aplicado a estudantes de 15 anos de 70 países.

No ensino superior, Singapura conta com 34 universidades – duas delas se destacam em rankings internacionais entre as melhores do mundo, a National University of Singapore (NUS) e a Nanyang Technological University, segundo o QS Top University Ranking e o Times Higher Education.

Na Índia, gigante com uma população de 1,3 bilhão de habitantes, a missão passará por Bangalore, cidade considerada o Vale do Silício indiano, e pela capital do país, Nova Déli.

Em educação, o país apresenta grandes disparidades, ao mesmo tempo que tem um dos maiores sistemas de educação superior do mundo registra altos índices de analfabetismo - cerca de 25% da população.

Segundo a OCDE, a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas pelo país, de 7,4% até 2020, coloca a Índia em primeiro lugar no ranking divulgado pela organização em março deste ano.

O Taj Mahal, um dos mais conhecidos monumentos do país e que inspirou Jorge Ben Jor em música de mesmo nome, também fará parte da viagem.

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Jardim Botânico de Singapura - Mariana Tokarnia/Agência Brasil

Singapura homenageia visitantes ilustres com espécies híbridas de orquídeas

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil*

Singapura - Hoje (5) é o último dia que passaremos em Singapura. Nesta tarde, a 11ª Missão Técnica Internacional do Semesp segue viagem para a Índia. Em cima do criado-mudo no quarto do hotel, encontro uma flor com uma mensagem que deveria estar ali desde o primeiro dia, mas eu não havia reparado: “Desejamos uma estadia excepcional em Singapura, que as suas descobertas sejam tão memoráveis quanto esta singular orquídea”.

A orquídea é a flor nacional de Singapura, e a singularidade de cada uma das espécies é tão valorizada que o país desenvolve as próprias espécies híbridas. Isso não apenas para plantar nos jardins, mas para presentear autoridades, políticos e celebridades que visitam a cidade.

No Jardim Nacional de Orquídeas, um espaço é reservado às espécies desenvolvidas especialmente para personalidades como a chanceler alemã, Angela Merkel, que visitou o país em 2011; e Margaret Thatcher, que foi primeira-ministra do Reino Unido e visitou Singapura em 1985.

Uma orquídea branca, com as pétalas arredondadas, foi desenvolvida em homenagem à princesa Diana, que morreu após um acidente de carro na cidade de Paris, em 1997.

* A repórter viajou a convite do Semesp

A orquídea é o simbolo Nacional de Singapura, país que homenageia personalidades de forma marcante:

Em Singapura a comida de rua é comercializada em áreas fechadas - Mariana Tokarnia/Agência Brasil

Em Singapura, comida de rua dá lugar a mercados com classificação por higiene

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil*

Singapura - Quem busca barracas e balcões de comida improvisadas, com panelas e tachos posicionados no meio da rua, a clássica comida de rua, vai se decepcionar ao chegar a Singapura. O país decidiu abolir a street food de raiz e organizar os vendedores ambulantes.

Visitei um dos lugares onde foram posicionados os vendedores, uma espécie de mercado, com mesas, banheiro e a devida infraestrutura para uma refeição confortável.

Cada restaurante recebe uma classificação baseada nos cumprimentos dos critérios de higiene: A, B ou C, sendo os estabelecimentos A considerados os "mais higiênicos".

Eu comi um youmian, uma variedade de macarrão muito comum na China - os chineses e descendentes representam mais de 70% da população de Singapura. Junto com o macarrão, cogumelos, verduras e ovo. Comprei em um estabelecimento B. Aliás, só vi estabelecimentos B no lugar. Minto. Havia um A, mas ele estava fechado.

Bom, se a comida serve como parâmetro de qualidade do país, é importante dizer também que não encontrei nenhum restaurante C no local.

*A repórter viajou a convite do Semesp

Confira como é vendida a comida de rua em Singapura:

A repórter Mariana Tokarnia conta um pouco como foi a experiência de fazer um curso de formação de líderes na Escola de Políticas Públicas da Universidade Nacional de Singapura:

Singapura: mulheres buscam espaço no mundo acadêmico

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil*

Singapura - Como é ser mulher na Singapura? Essa pergunta tem tantas respostas quantas são as mulheres que vivem nessa cidade-estado. Para a professora da Universidade Nacional de Singapura (NUS) Anne Pakir é uma questão de esforço e habilidade para se destacar não apenas como mulher, mas como cidadã nesse país altamente competitivo.

Como professora universitária em uma sociedade onde a educação é prioridade, Anne está entre poucas. “Eu fui muito sortuda porque sempre tive apoio da minha família e do meu marido. Eles me ajudaram a fazer o que eu gosto de fazer”.

Ela conta que um estudo mostrou que as mulheres nas universidades da Singapura não chegavam ao topo na proporção que deveriam. De acordo com Anne, as “demandas sociais” ao longo da formação atrapalham a ascensão na vida acadêmica. Entre essas demandas, ela destaca a maternidade, cujas obrigações ainda recaem, principalmente nos primeiros anos de vida, sobre as mulheres. “A maternidade acaba tirando nosso tempo na pesquisa”, diz.

Em Singapura, os estudantes passam por uma avaliação no 10º ano escolar, geralmente aos 15 anos, e a partir dos resultados podem escolher uma trajetória de estudos. Entre elas, uma trajetória voltada para o ensino técnico e uma para o ensino acadêmico. Essa formação ocorre ainda no que seria para o Brasil o ensino médio.

Aqueles que são aprovados para a formação acadêmica, podem ingressar em uma das universidades e cursar uma graduação. Atualmente, 35% da população de 18 a 24 anos cursa uma universidade em Singapura. No Brasil, essa porcentagem é 18,1%.

Após esse processo, ainda é necessário se especializar e fazer um curso específico de formação de professores para lecionar. Anne passou por tudo isso e seguiu os estudos. Possui, entre outros títulos, Ph.D em linguística na Universidade do Havaí, em Manoa, Honolulu, Estados Unidos.

Mulheres no poder

A Singapura tem, desde 2017, a primeira mulher presidente, Halimah Yacob. “Eu acho que mulheres no mundo geralmente pensam que existe um teto de vidro que não podem ultrapassar. Na Singapura é uma questão de habilidade, mais do que de gênero, que vai encorajar você a aspirar uma posição de poder”, defende, Anne.

Os estudos na Singapura são diários, inclusive nos finais de semana. O nível de cobrança e de estresse é alto. Já no final da carreira, Anne, quer agora, ter tempo para cuidar de si. “Estou muito feliz porque eu vou me aposentar. Eu trabalhei por 48 anos da minha vida, o que é um longo tempo. Eu estou ansiosa para ter mais tempo para mim.”

* A repórter viajou a convite do Semesp

Assista a entrevista completa com a professora Anne Pakir, da Universidade Nacional de Singapura:

Saiba mais sobre a Universidade Nacional de Singapura, a primeira universidade de pesquisa autônoma do país asiático:

Líder em educação, Singapura volta-se agora às emoções dos estudantes

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil*

Singapura - Destaque em avaliações e rankings educacionais internacionais, Singapura agora tem o desafio de ultrapassar as notas altas e voltar-se para o desenvolvimento do indivíduo. Os talentos de cada estudante estão sendo respeitados? Os alunos são capazes de serem gentis e ajudar os outros? Essas são algumas das questões que o país pretende solucionar, de acordo com o professor da Escola de Políticas Públicas da Universidade de Singapura (NUS) Saravanan Gopinathan.

“As notas acadêmicas por si só não refletem que tipo de pessoa as obteve. O mundo do futuro, que vai ser muito mais complicado, muito mais imprevisível e fluido, vai exigir um nível de maturidade socioemocional para que ele possa lidar com imprevisibilidade”, diz.

“A preocupação é: como asseguramos que as crianças sejam indivíduos diferentes, que sejam vistas como tendo certas preferências, talentos e ansiedades? Como os professores entendem isso e como o currículo e como a pedagogia refletem essa mudança que precisamos fazer?”, acrescenta.

Gopinathan é um dos palestrantes do curso oferecido pela NUS para líderes do ensino superior. O professor destaca ainda o papel dos professores nesse processo: “Nenhum sistema educacional pode ser melhor que os seus professores e, por isso, passamos muito tempo pensando em como selecionar os professores, como prepará-los e como fazer com que eles se aperfeiçoem e vejam a carreira docente como uma carreira para a vida”.

Competitividade

Voltar o ensino para capacidades socioemocionais é algo que tem sido feito em várias partes do mundo. A própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada pelo Brasil em 2017 para o ensino infantil e fundamental e, em 2018, para o ensino médio, prevê que em todo o período escolar sejam desenvolvidas, além de capacidades acadêmicas, também habilidades socioemocionais.

Singapura, ao tratar dessas questões, mantém-se alinhada ao que está sendo debatido no restante do mundo e talvez, mais uma vez, posicione-se entre os melhores também nesse quesito.


Importância da educação

Estar entre os melhores do mundo é algo estratégico para Singapura. A cidade-Estado não dispõe de fonte de recursos naturais para manter a própria economia. A saída encontrada desde que separou-se da Malásia e passou a ter a configuração atual, em 1965, foi investir em pessoal e mostrar-se boa o suficiente para ser necessária ao mundo. “O custo da liderança é muito alto e nós não podemos custear falhas”, diz Gopinathan.

Uma das escolhas que foram feitas, ainda na década de 1960 já pensando no crescimento econômico da região, foi ter o inglês como língua oficial nas escolas. Ao todo, são quatro: além do inglês, mandarim, malaio e a língua indiana tamil. A maior parte da população, 75%, é chinesa. Mesmo assim, optou-se pelo inglês já pensando na internacionalização, de acordo com Gopinathan.

Hoje, Singapura, que até a década de 1960 era um país em desenvolvimento, é considerada desenvolvida. Atingiu o status de melhor cidade do mundo para se fazer negócios e tem o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os países asiáticos e o 11º melhor do mundo, segundo dados de 2014 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

“Se se tem uma economia forte, você pode ir a exposições, pode ir para concertos, se não tem uma economia forte, nada disso é possível. A educação é para que as pessoas possam criar empregos”, diz o professor adjunto da NUS N. Varaprasad, sócio do Grupo de Consultoria em Educação de Singapura, que também é um dos palestrantes do curso.

O sistema de ensino é baseado em excelência. Na própria universidade, os alunos são encorajados a morar nas residências estudantis. Isso porque a universidade fica distante das áreas residenciais da cidade e, quanto mais tempo no campus , mais tempo estudando.

Nesse contexto, deixar a competitividade de lado e respeitar as emoções não parece algo simples. Ambos professores usaram em suas falas a mesma expressão: “Amanhã, alguém poderá estar comendo o seu almoço”. Gopinathan complementa: “Estamos sempre estressados e sempre correndo. O medo do desemprego é muito alto”.

*A repórter viajou a convite do Semesp

Assista a um trecho da entrevista com o professor Saravanan Gopinathan, da Lee Kuan Yew School of Public Policy, da Universidade Nacional de Singapura:

Confira as primeiras impressões da repórter Mariana Tokarnia na chegada a Singapura, país que está em primeiro lugar no Pisa - Programa Internacional de Avaliação de Estudantes:

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