Em Dia Internacional, Antônio Guterres alerta para avanço da negação do Holocausto

Secretário-geral das Nações Unidas sublinha a importância da memória, da dignidade humana e da defesa dos direitos fundamentais face ao ódio, à discriminação e à negação histórica, reafirmanando o sentido de humanidade partilhada

Em Dia Internacional, Antônio Guterres alerta para avanço da negação do Holocausto
Em Dia Internacional, Antônio Guterres alerta para avanço da negação do Holocausto

Agência Onu News - 28/01/2026 07:32:46 | Foto: Agência Onu News

Assinalado esta terça-feira, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, marca a libertação do campo de concentração e extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau, em 1945.

A data foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2005, e é marcada por eventos e atividades comemorativas na sede da ONU, em Nova Iorque, e em diversos escritórios em todo o mundo.

Em Nova Iorque haverá testemunhos de sobreviventes do Holocausto, bem como com intervenções oficiais incluindo do secretário-geral, António Guterres e da presidente da 80.ª Assembleia Geral, Annalena Baerbock.

Outros representantes nacionais e de alto nível estão presentes reafirmando o compromisso da Organização com a memória, a dignidade humana e os direitos fundamentais.

Mensagem do secretário-geral
Na sua mensagem, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que, neste dia, “honramos a memória das vítimas do Holocausto com solene reflexão e determinação inabalável”.

Ele recordou que o genocídio perpetrado pelo regime nazista resultou no assassinato de “seis milhões de judeus”, bem como dos povos Roma e Sinti, de pessoas com deficiência e de inúmeros outros grupos perseguidos.

Guterres sublinhou a dimensão humana de cada vida perdida, salientando que “cada vítima tinha um nome, esperanças e sonhos”, e que cada uma delas teve “os seus direitos sistematicamente negados e destruídos”.

O secretário-geral destacou ainda que o Holocausto não foi um acontecimento inevitável, frisando que “os seus arquitetos deixaram claro as suas intenções” e que o ódio e a violência “desenrolaram-se à vista de todos”.

Mensagem do alto comissário para os Direitos Humanos
Na sua mensagem para a data, o alto comissário para os Direitos Humanos, sublinhou que não é apenas um momento de recordação histórica, mas também um convite à reflexão sobre o presente e à responsabilidade de proteger o futuro.

Volker Turk recordou que o Holocausto não teve origem num passado distante ou obscuro, mas numa sociedade moderna, onde a apatia, o silêncio perante a injustiça e a desumanização progressiva abriram caminho ao genocídio.

Turk alertou para o aumento recente de ameaças e ataques contra judeus e para a normalização do ódio e da desumanização, incluindo nos espaços digitais.

O chefe de direitos humanos defendeu a necessidade de leis contra todas as formas de discriminação, de lideranças políticas que promovam a justiça em vez da polarização, e de educação contínua sobre o Holocausto e os direitos humanos.

Ele sublinhou ainda a importância de proteger a humanidade comum e de agir, individual e coletivamente, contra o racismo, o antissemitismo e a intolerância, inspirando-se no legado dos sobreviventes cujas histórias continuam a orientar as gerações futuras.

Retórica desumanizadora
Apesar de os factos serem inegáveis, ele alertou para o avanço contemporâneo “das forças de distorção e negação”.

Guterres advertiu que o antissemitismo, a intolerância, o racismo e a discriminação continuam a ser alimentados por uma retórica desumanizadora e pela indiferença, sublinhando que estas dinâmicas exigem uma resposta clara.

Segundo afirmou, “devemos tomar uma posição, para homenagear as vítimas do passado, e evitar novas atrocidades”, renunciando ao ódio e à injustiça onde quer que surjam.

Um dia enraizado na história das Nações Unidas
A criação do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto está profundamente ligada à própria fundação das Nações Unidas, estabelecidas na sequência dos horrores da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto.

Este crime contra a humanidade teve um impacto determinante no desenvolvimento do Direito Internacional, levando à adoção, em 1948, de dois instrumentos fundamentais: a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio.

A resolução da Assembleia Geral que instituiu o Dia Internacional também criou o Programa de Divulgação “O Holocausto e as Nações Unidas”, destinado a promover a educação, a memória e a prevenção de futuras atrocidades.

Um alerta permanente contra o ódio e a negação
A data constitui um lembrete global dos perigos do ódio, do preconceito, da intolerância e do antissemitismo. A data apela à recordação e à reflexão, sublinhando a necessidade de ação contínua para garantir que crimes desta natureza não se repitam.

As comemorações incluem cerimónias solenes e iniciativas educativas que recordam as vítimas e reforçam os valores da dignidade humana, da igualdade e do respeito pelos direitos fundamentais.

Defendendo os princípios fundamentais da ONU, Guterres reiterou que é preciso honrar a memória das vítimas do Holocausto através da reafirmação da humanidade partilhada, da defesa da dignidade humana e da proteção dos valores que unem a comunidade internacional.

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