Agostina Paez, 29, foi flagrada praticando ofensas racistas na saída de um bar. O episódio ocorreu no dia 14 de março
São Paulo, Sp (uol/folhapress) - 05/04/2026 12:02:15 | Foto:
A imprensa argentina chamou de "escândalo sem fim" o caso de Agostina Páez, ré por injúria racial no Rio. Nesta sexta-feira (3), um vídeo do pai dela imitando um macaco em um bar circulou nas redes sociais.
Mariano Páez negou ter feito o gesto e disse que as imagens foram manipuladas por inteligência artificial, mas a namorada justificou a conduta afirmando que ele estava "sob efeito do álcool".
"Provocação de um pai que nunca aprende", diz a chamada de versão impressa do Clarín. No texto, o jornal relata a história do vídeo do pai de Agostina Paéz, Mariano Páez, imitando um macaco em um bar.
O Clarín ainda explicou que o gesto "nunca saiu de cena". O jornal relembrou episódios de racismo contra Vini Jr. na Espanha, como neste ano, quando o jogador brasileiro denunciou o argentino Gianluca Prestianni por chamá-lo de "macaco".
O jornal ainda citou o episódio. No reality show Gran Hermano, a versão argentina do Big Brother no país, uma participante foi expulsa por falas racistas contra uma colega negra.
"Racismo e provocação: um escândalo sem fim", diz manchete do La Nación. O vídeo de Mariano Páez estampou a primeira página da edição impressa do jornal e foi chamado de um "doloroso capítulo" da história.
"Ofensa deliberada". Na versão digital, o jornal ainda afirmou que o gesto foi visto "pelo processo judicial, pela imprensa e pela política brasileira como uma ofensa deliberada".
O Página 12 chamou episódio de "escândalo internacional" que "não tem fim". Com essas palavras, o jornal noticiou que a namorada de Mariano Páez, Stefany Budán, defendeu-o das acusações de racismo, dizendo que ele estava sob efeitos do álcool.
O CASO
Agostina Paez, 29, foi flagrada praticando ofensas racistas na saída de um bar. O episódio ocorreu no dia 14 de março. A vítima, que é funcionário do bar, informou que a argentina teria lhe apontado o dedo e proferido ofensas de cunho racial ao chamá-lo de "negro" de forma pejorativa e discriminatória.
Confusão foi iniciada após a argentina alegar suposto erro no pagamento de uma conta. Para sanar dúvidas, o gerente pediu à Agostina que aguardasse enquanto ele iria conferir as imagens das câmeras de segurança do estabelecimento para verificar o que ela havia consumido.
Durante o período de espera, Agostina deu início aos xingamentos e ofensas discriminatórias contra um funcionário do bar, segundo a polícia. Parte da confusão foi registrada em vídeo e as imagens mostram a argentina imitando gestos de macaco e reproduzindo sons do animal para a vítima. Ela também proferiu a palavra "mono", expressão em espanhol para se referir a macaco de forma racista.
A Justiça do Rio de Janeiro autorizou Agostina a deixar o Brasil e retornar ao seu país de origem. Ela retornou à Argentina na quarta-feira (1) mediante o cumprimento de condições, entre elas o pagamento de caução equivalente a 60 salários mínimos - cerca de R$ 97,2 mil.
Nesta sexta-feira, viralizou um vídeo do pai dela, Mariano Páez, imitando um macaco em um bar na província de Santiago del Estero. Ele negou ter feito o gesto e disse que as imagens foram manipuladas por inteligência artificial. Ele afirmou também que foi chantageado por uma pessoa que pediu dinheiro para não divulgar o vídeo, que classifica como falso.
RACISMO X INJÚRIA RACIAL
A Lei de Racismo, de 1989, engloba "os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional". O crime ocorre quando há uma discriminação generalizada contra um coletivo de pessoas. Exemplo disso seria impedir um grupo de acessar um local em decorrência da sua raça, etnia ou religião.
O autor de crime de racismo pode ter uma punição de 1 a 5 anos de prisão. Trata-se de crime inafiançável e não prescreve. Ou seja: no caso de quem está sendo julgado, não é possível pagar fiança; para a vítima, não há prazo para denunciar.
Já a injúria racial consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem a fim de atacar a dignidade de alguém de forma individual. Um exemplo de injúria racial é xingar um negro de forma pejorativa utilizando uma palavra relacionada à raça.
SAIBA COMO DENUNCIAR
Você pode procurar delegacias especializadas, como, por exemplo, o Decradi em São Paulo e o Geacri em Goiás, ou ainda fazer um boletim de ocorrência em qualquer delegacia física ou online.
Caso seja um flagrante, ligue para o 190.
Advogada acusada de racismo em lanchonete pagará indenização de R$ 8 mil e terá de doar livros e fazer curso
MARIANA ZYLBERKAN-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A advogada Fabiani Marques Zouki, que chegou a ser presa por cometer injúrias racistas contra o atendente de uma lanchonete, em 2024 em São Paulo, teve o processo encerrado mediante acordo de não persecução penal com o Ministério Público. Ela, que respondia em liberdade, terá de pagar indenização à vítima, doar livros e fazer curso de formação antirracista, entre outras obrigações.
O acordo foi assinado em fevereiro com o Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi), e inclui doação de livros de temática antirracista à Coordenação de Igualdade Racial da secretaria municipal de Direitos Humanos e Cidadania no valor total de R$ 8,1 mil.
Entre os exemplares a serem doados, estão os títulos "Pequeno Manual Antirracista", de Djamila Ribeiro, "Futuro Ancestral", de Ailton Krenak, "Mitologia Dos Orixás", de Reginaldo Prandi.
A acusada também não poderá dirigir por seis meses, terá de fazer um curso de formação antirracista pelo prazo de 300 horas e pagar R$ 8,1 mil de indenização à vítima.
Outra determinação é participar de reuniões do Grupo Reflexivo promovido pela Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) por quatro semanas, além de fazer uma visita ao Museu da Imigração e responder perguntas relacionadas a letramento antirracista após assistir o conteúdo audiovisual "ColeçãoAntirracista - Olhar Imaginário".
Segundo a acusação, em junho de 2024, Fabiani dirigiu embriagada até o drive-thru de uma unidade do Burger King, em Moema, na zona sul de São Paulo. Irritada com a demora no atendimento, ela saiu do carro e se dirigiu até os atendentes, que explicaram que o sistema estava fora do ar. Em seguida, ela usou termos racistas para ofender um dos funcionários, chamando-o de "macaco".
Procurada, a defesa da advogada informou que o acordo constitui medida jurídica para o encerramento imediato do caso, e não implica reconhecimento de culpa. "Os fatos se deram em um contexto mais amplo, que não têm sido integralmente retratado, havendo circunstâncias relevantes envolvendo as partes, cuja complexidade não se resume às versões que circularam", informou em nota.
Comentários para "Gesto racista repetido pelo pai de Agostina Páez repercute na imprensa argentina":