Proteger a amamentação é correto. Mas demonizar ou silenciar o setor lácteo é um contrassenso
Por Antônio Cabrera Mano Filho - 02/06/2026 10:47:47 | Foto: Embrapa divulgação
Uma data criada para lembrar a importância de um dos alimentos mais completos da humanidade — fonte de nutrição, renda, trabalho e desenvolvimento para milhões de famílias no mundo inteiro.
Mas, no Brasil, existe uma contradição pouco discutida.
Enquanto celebramos o leite, a propaganda e a promoção comercial de produtos como fórmulas infantis para lactentes e fórmulas de seguimento são fortemente restringidas pela Lei nº 11.265/2006. A intenção declarada é proteger o aleitamento materno.
O problema começa quando a regulação, em vez de informar melhor a sociedade, acaba limitando o mercado, a comunicação e a valorização de uma cadeia produtiva formada majoritariamente por pequenos produtores.
O leite brasileiro não nasce em grandes laboratórios. Nasce, em grande parte, em pequenas propriedades, fruto do trabalho diário de famílias que acordam cedo, enfrentam custos altos, margens apertadas e pouca previsibilidade.
Proteger a amamentação é correto. Mas demonizar ou silenciar o setor lácteo é um contrassenso.
É possível defender o leite materno e, ao mesmo tempo, reconhecer a importância econômica, social e nutricional do leite produzido no campo brasileiro.
No Dia Mundial do Leite, vale a reflexão: uma política pública inteligente não deveria opor mães, crianças e produtores rurais.
Quando o Estado transforma uma questão de saúde pública em conflito ideológico, acaba estimulando uma falsa guerra de classes: a mãe contra o produtor de leite.
Curiosidade: nos EUA, a liberdade é tanto, que você tem até a opção de comprar leite cru.
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