PF encontra US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados a Jaques Wagner
João Pedro Pitombo-salvador, Ba (folhapress) - 18/06/2026 18:09:59 | Foto: © ELZA FIÚZA/AGÊNCIA BRASIL
O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula (PT) no Senado, afirmou nesta quinta-feira (18) à Band News TV que nunca recebeu dinheiro do Banco Master, mas admitiu ter pedido para o banqueiro baiano Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, comprar um apartamento, sob a condição de que ele recompraria o imóvel posteriormente.
"Eu tinha interesse de dar, de ajudar a minha filha a comprar um apartamento desses. Como Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele: 'você pode comprar? Depois eu vou recomprar' Porque o apartamento está em construção. E eu teria que vende o apartamento de minha filha para poder complementar o apartamento ou ela financiar", afirmou o senador.
O imóvel, avaliado em R$ 2,5 milhões fica no bairro do Horto Florestal, um dos mais valorizados de Salvador. A Polícia Federal investiga suspeitas de que o senador recebeu pagamentos ligados ao Master além do apartamento.
A apuração foi feita a partir da análise de material apreendido com Augusto Lima, ex-sócio do Master, e motivou nova fase da Operação Compliance Zero desta quinta.
O senador disse ter recebido uma ligação do presidente Lula nesta quinta-feira, que teria manifestado solidariedade ao amigo e aliado. "Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo."
Também disse continuar na liderança do governo no Senado até segunda ordem. "A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e eu acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim."
Wagner reiterou que não possui negócios com o Master, nem teve nenhuma transferência de patrimônio do banco ou seus sócios para o seu nome. Também assinalou não ter nenhuma relação com Vorcaro e resumiu o elo com o banco Master ao banqueiro Augusto Lima.
Disse ter encontrado Vorcaro apenas duas vezes, a primeira quando o banco Master assumiu a operação do Credcesta, e a segunda quando indicou o ex-ministro Ricardo Lewandowski para ocupar um posto no banco após ter sido consultado.
A PF cumpriu nesta quinta 18 mandados de busca e apreensão em nova fase da operação Compliance Zero. Os mandados foram expedidos pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.
Foram feitas buscas em endereços ligados a Wagner e Lima em Salvador e em um hotel em Brasília onde o senador mora.
Policiais federais também estiveram em endereço em Salvador de Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner, e da esposa dele Bonnie Bonilha. A reportagem não localizou a defesa de Sodré e de Bonnie.
PF encontra US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados a Jaques Wagner
JOSÉ MARQUES, MARCOS HERMANSON E JOÃO GABRIEL-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal encontrou US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais) em endereços ligados ao senador Jaques Wagner, ao cumprir mandados de busca e operação na nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18).
A Polícia Federal encontrou US$ 49 mil em dinheiro vivo no quarto de hotel em que Wagner mora, no Distrito Federal, além de 33,5 mil euros e US$ 6.175 em endereços ligados ao parlamentar na Bahia.
Autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a operação mira ligação entre o líder do PT no Senado e o empresário Augusto Lima, que foi sócio do Banco Master de Daniel Vorcaro.
Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Wagner ainda não se pronunciou. A defesa do empresário Augusto Lima afirmou que os fatos serão esclarecidos e que ele sempre agiu dentro da lei.
A Polícia Federal apura suspeitas de que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, recebeu pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, por meio da empresa do enteado da esposa do enteado, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.
A Polícia Federal identificou um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada ao empresário Augusto Lima ao "núcleo familiar" de Jaques Wagner, o que segundo o ministro André Mendonça é uma das evidências de proximidade entre o parlamentar e o senador.
A transferência aconteceu em outubro de 2025, após o Banco Central barrar a venda do Master para o BRB, e foi da PKL One -que pertence à prima de Lima, Andréa- para a BN Financeira. Bonnie Bonilha, esposa do enteado de Jaques Wagner, seria "vinculada à estrutura societária" da BN Financeira, de acordo com a decisão.
A apuração da Polícia Federal foi feita a partir da análise de material apreendido com Augusto Lima, ex-sócio do Master, e motivou a fase da Operação Compliance Zero desta quinta-feira (18).
Segundo as investigações, Wagner teria recebido de Lima um apartamento em Salvador, além de viagens gratuitas em jatinhos ligados ao Master, e ingressos para assistir a um show de "cantora internacional" em Los Angeles, em 2023.
A investigação também aponta atuação parlamentar de Wagner em favor dos interesses do Banco Master, com a defesa de propostas favoráveis ao grupo de Vorcaro e Augusto Lima.
A PF cumpre nesta quinta 18 mandados de busca e apreensão em nova fase da operação Compliance Zero. O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), expediu os mandados para buscas na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.
Enteado de Jaques Wagner teve papel ativo nas cobranças a banqueiro, diz PF
JOÃO PEDRO PITOMBO-SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - As investigações da Polícia Federal apontam que Eduardo Sodré, enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), teve um papel ativo nas cobranças ao banqueiro Augusto Lima, que foi sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.
Eduardo Mendonça Sodré Martins é advogado e desde janeiro de 2023 comanda a Secretaria de Meio Ambiente da Bahia do governo Jerônimo Rodrigues (PT). Sua indicação ao cargo é atribuída a Jaques Wagner.
Sodré foi procurado por meio da assessoria da Secretaria de Meio Ambiente e da Secretaria de Comunicação do Governo da Bahia nesta quinta-feira (18), mas não houve retorno.
O secretário e a esposa dele, Bonnie Bonilha, foram alvos de mandados de busca e apreensão na nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18).
Bonilha é sócia da BN Financeira Ltda. Em 17 de outubro de 2025, a empresa recebeu repasses de R$ 3,5 milhões da PLK One Participações, firma vinculada à operação Credcesta.
As investigações indicam que a BN Financeira foi constituída como microempresa, com capital social reduzido e sem aparente estrutura operacional compatível com os valores movimentados.
De acordo com a Polícia Federal, Sodré era o responsável por fazer cobranças ao banqueiro Augusto Lima, mencionando boletos, notas fiscais, documentos e providências necessárias à formalização de pagamentos.
Em 4 de setembro de 2025, Eduardo Sodré afirmou em mensagem a Augusto Lima: "Amanhã vence os boletos e são altos". Em resposta, Lima afirmou que o cenário estava crítico e vinculou a dificuldade financeira ao insucesso da operação de venda do Banco Master ao BRB -o BC havia vetado o negócio no dia anterior.
Também foram encontradas planilhas no telefone celular do advogado Daniel Lopes Monteiro, ligado a Augusto Lima, contendo pagamentos de R$ 2,3 milhões a "Dudu", apelido que, segundo a investigação, corresponderia a Eduardo.
Oriundo da rede de supermercados estatal Cesta do Povo, privatizada em 2018 na gestão do então governador Rui Costa (PT), o Credcesta é um cartão consignado com benefícios para servidores.
A empresa tem exclusividade de 15 anos no governo da Bahia para operar nesse segmento, com taxa de juros na casa de 4,7%, ocupando um adicional de 30% de comprometimento da renda.
Sem conseguir manter o Credcesta com escala nacional, Augusto Lima buscava recursos com investidores para continuar com a operação na Bahia por meio de um fundo. A Bahia é o único estado onde o Credcesta mantém a exclusividade para trabalhar com esse tipo de produto até 2033.
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) afirmou em abril que não descarta a suspensão do contrato de operação do Credcesta e disse que aguardava um parecer da PGE (Procuradoria-Geral do Estado).
Em janeiro, Jaques Wagner afirmou à reportagem que, apesar de ter conhecido Lima em um ambiente institucional, se tornaram amigos. Também disse que a venda da Cesta do Povo foi um bom negócio para a Bahia, já que a estatal enfrentava dificuldades financeiras.
Empresa ligada a ex-sócio do Master pagou R$ 3,5 mi a 'núcleo familiar' de Jaques Wagner, diz Mendonça
JOÃO GABRIEL E JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal (PF) identificou um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada ao empresário Augusto Lima –ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master, na fraude bilionária ao sistema financeiro brasileiro- ao "núcleo familiar" de Jaques Wagner, líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado.
Segundo o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, essa é uma das evidências de proximidade entre o parlamentar e o senador.
A transação aconteceu em outubro de 2025, após o Banco Central rejeitar a compra do Master pelo BRB.
Os problemas na negociação entre os bancos, inclusive, são usados por Augusto Lima para justificar o atraso de pagamentos à família de Jaques, de acordo com conversas obtidas pela PF.
As informações constam da decisão de Mendonça que autorizou a operação de busca e apreensão desta quinta-feira (18) contra o senador e o empresário.
A PF aponta, destaca o ministro, que os pagamentos são "supostamente destinados ao núcleo familiar de Jaques Wagner".
A Folha de S.Paulo procurou a assessoria do senador na manhã desta quinta, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem.
"As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração", disse o empresário, por meio de nota..
Segundo ele, as investigações vão comprovar que ele sempre atuou "dentro dos limites da lei".
A operação desta quinta apura suspeitas de que Wagner recebeu pagamentos ligados ao Master, por meio da empresa da esposa do enteado, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.
Também investigam se o senador beneficiou o banco em sua atuação parlamentar.
Além disso, a PF afirma que o senador viajou a Ilha da Paixão, propriedade de Augusto Lima no Rio de Janeiro, com tudo pago pelo empresário. Também fez viagens em jatinho dele.
Segundo a investigação, cobrou e recebeu ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados Unidos, pagos pela Reag -empresa que tinha papel central na arquitetura financeira fraudulenta do Master.
A transação de R$ 3,5 milhões aconteceu entre as empresas PKL One Participações -que pertence à prima de Augusto Lima, Andréa- e a BN Financeira- vinculada a Eduardo Sodré, cunhado de Jaques, casado com Bonnie, filha do senador.
Esta segunda teve sua atividade econômica suspensa pela decisão de Mendonça.
A relação entre as empresas é central, segundo a decisão, para demonstrar a proximidade entre o empresário e o líder do governo no Senado.
Diálogos obtidos pela Polícia Federal mostram que, no início de setembro de 2025, Sodré envia mensagens a Lima cobrando a realização de pagamentos. "Amanhã vence os
boletos e são altos", diz ele ao empresário.
"Em resposta, Augusto [Lima] afirmou que o cenário estava 'crítico' e vinculou a dificuldade financeira ao insucesso da operação Banco Master/BRB, sugerindo inclusive que se cancelasse a nota para posterior emissão", diz a Polícia Federal.
A troca, de acordo com a decisão de Mendonça, aconteceu um dia depois do Banco Central reprovar a compra do Master pelo BRB.
A operação de R$ 3,5 mihões é concluída, aponta a investigação, pouco mais de um mês depois, em outubro de 2025.
Segundo a decisão de Mendonça, a BN Financeira, de Sodré, é a "pessoa jurídica central no eixo dos pagamentos supostamente destinados ao núcleo familiar de Jaques Wagner".
A decisão destaca ainda que a empresa tem capital social reduzido e não apresenta estrutura operacional compatível com os valores movimentados.
"A Polícia Federal sustenta que a empresa [BN Financeira] teria sido utilizada para conferir aparência de licitude a repasses financeiros supostamente desvinculados de prestação real de serviços, funcionando como veículo formal de recepção e dissimulação de vantagens indevidas.
Essas informações são usadas por Mendonça para justificar a proibição de contato entre Jaques Wagner e Augusto Lima, além dos demais investigados na operação -com exceção dos familiares.
Além disso, a PKL One, segundo a PF, uma empresa associada ao Credcesta, programa de crédito consignado do governo da Bahia que, segundo apontam as investigações, foi usado pelo Master para realizar fraudes.
Segundo Mendonça, foi por meio da PKL One e as operações de consignado que Augusto Lima e Jaques Wagner se aproximaram, "inclusive a partir de negócios relacionados a carteiras de crédito e à plataforma Credcesta".
A decisão, porém, não dá mais detalhes sobre o contexto do Credcesta.
Amigo de Lula, ex-governador da Bahia e alvo da PF: saiba quem é Jaques Wagner
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Líder do governo Lula (PT) no Senado e pré-candidato à reeleição, Jaques Wagner, 75, é um dos aliados mais próximos do presidente. Ele chegou a ser cogitado para ser o candidato ao Palácio do Planalto do petista, em 2018, até desistir após operação policial em seu apartamento.
Nesta quinta-feira (18), Wagner foi alvo de outra ação da PF (Polícia Federal), desta vez relacionada às investigações sobre o Banco Master. O senador foi procurado por meio de sua assessoria, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
Nascido no Rio de Janeiro, ele estudou engenharia civil na PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), mas construiu sua carreira política na Bahia.
Líder sindical no polo petroquímico de Camaçari, foi monitorado pelos serviços de informação do regime. O nome do hoje petista também aparece em documento de 1975 da extinta Divisão de Segurança e Informações da Petrobras. O relatório citava a militância política e contraindicava a contratação de Wagner para uma vaga de estágio.
"Registra antecedentes políticos ideológicos. Elemento pertencente ao Partido Comunista do Brasil. Citado em depoimento de vários subversivos como militante da PUC [do Rio de Janeiro]. Contraindicado por esta divisão para fazer um estágio de operador na Refinaria Landulpho Alves", diz o texto.
O hoje senador foi presidente do Sindiquímica, sindicato dos trabalhadores químicos e petroquímicos da Bahia, e participou da fundação do PT e da CUT (Central Única dos Trabalhadores) no estado.
Foi deputado federal por três mandatos, entre 1991 e 2003. No Legislativo, é tido como político moderado e com capacidade de diálogo. Rival em seu estado, Antonio Carlos Magalhães, o ACM, como era conhecido, descreveu-o em 2002 como um político "hábil e competente".
A derrota do carlismo na Bahia, por sinal, é o principal trunfo do histórico eleitoral de Wagner. Aconteceu em 2006, quando ele derrotou Paulo Souto, então no PFL, no primeiro turno da disputa pelo governo do estado. Wagner governou a Bahia por dois mandatos, de 2007 a 2014, e foi sucedido por Rui Costa, também do PT.
O hoje líder do Senado também foi ministro do Trabalho e das Relações Institucionais nos primeiros mandatos de Lula e da Defesa e Casa Civil na gestão de Dilma Rousseff (PT).
Em 2005, no auge da crise do mensalão, Wagner assumiu a articulação política do governo a pedido do petista. Anos depois, em 2018, era o preferido de Lula para liderar a chapa presidencial quando o hoje presidente estava preso em Curitiba.
Wagner, porém, recusou. Segundo relato feito à Folha, repetiu em conversas reservadas a frase: "Não vou substituir Lula". A desistência foi associada por aliados ao fato de ele ter sido, pouco antes, alvo da Operação Cartão Vermelho, que investigou suspeitas ligadas a repasses de empreiteiras na construção e gestão da Arena Fonte Nova, em Salvador.
A PF afirmou à época que o petista teria recebido R$ 82 milhões em propina e doações. Wagner negou as acusações.
Na operação, foram apreendidos 15 relógios no apartamento do ex-governador, além de celulares, computadores e documentos. No dia seguinte, Wagner afirmou que os relógios eram réplicas compradas na China. "Eu gosto de relógio, mas não ligo para marca", disse.
Em 2019, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) anulou a operação. O tribunal decidiu que a investigação não era de competência da Justiça Federal, porque os recursos para a reforma do estádio vieram do estado da Bahia, e não da União.
Crítico à Lava Jato, o senador também já fez autocrítica sobre o PT ao comentar a operação. Em entrevista à Folha em 2016, quando era chefe da Casa Civil de Dilma, afirmou que o partido usou ferramentas que já eram adotadas por outros partidos e "se lambuzou".
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