Chefe da PF rebate crítica de Jaques Wagner e diz que divulgar dinheiro apreendido é padrão

PF encontra US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados a Jaques Wagner

Chefe da PF rebate crítica de Jaques Wagner e diz que divulgar dinheiro apreendido é padrão
Chefe da PF rebate crítica de Jaques Wagner e diz que divulgar dinheiro apreendido é padrão

João Pedro Pitombo-salvador, Ba (folhapress) - 03/07/2026 18:49:07 | Foto: © LULA MARQUES/ AGÊNCIA BRASIL

JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse nesta sexta-feira (3) que o órgão seguiu o mesmo padrão de transparência de outras operações ao divulgar fotos do dinheiro apreendido em residências do senador Jaques Wagner (PT-BA) na ação relacionada a suspeitas sobre o Banco Master.

O ex-líder do governo no Senado criticou, em entrevista à Folha, as fotos com as cédulas apreendidas pela PF.

"Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta", disse Wagner.

Em café da manhã com jornalistas, Andrei disse que a operação envolvendo um líder do governo Lula (PT) reafirmou "a autonomia e independência de uma polícia de Estado" e que o órgão segue "um padrão de comunicação e de transparência que tem sido feito em todas as operações".

Ele disse que a Polícia Federal já adotou outras medidas para evitar espetacularização de operações, especialmente após a Lava Jato, como cancelar entrevistas coletivas sobre as ações e deixar de exibir pessoas com algemas, mas que, por enquanto, deve continuar divulgando imagens das apreensões.

O diretor-geral afirmou que não há seletividade nessas divulgações, e se referiu, sem nominar, a reclamações do líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, que reclamou também de imagens de R$ 460 mil apreendidos em sua residência em Brasília, em dezembro.

Em 18 de junho, a PF fez apreensões em endereços de Wagner para investigar se ele recebeu pagamentos ligados ao dono do Master, Daniel Vorcaro, por meio da empresa da nora dele, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.

A apuração foi feita a partir da análise de material apreendido com Augusto Lima, ex-sócio do Master. Lima também foi alvo novamente de buscas.

Wagner defendeu que o dinheiro, aproximadamente US$ 55 mil, tem origem legal. "Algumas vezes, eu indo viajar, comprei dólar no Banco do Brasil. Mas toda vez que você viaja pelo Senado tem diária, que pode ser paga, depositada na sua conta ou pedida em dólar. Sempre peço em dólar, que é uma forma também de eu economizar e guardar", disse o senador.

Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado após ser alvo da PF por ligação com Master

CATIA SEABRA, MARIANA BRASIL E ISADORA ALBERNAZ - BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O senador Jaques Wagner (PT-BA) decidiu nesta quarta-feira (24) deixar o cargo de líder do governo no Senado. Ele estava pressionado a sair do posto depois de ter sido alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de ter recebido pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Wagner resistia à ideia de deixar a liderança do governo. Sua saída foi consumada depois de reunião de cerca de duas horas com o presidente Lula (PT). O chefe do governo estudava demitir seu aliado, mas preferia que o próprio senador tomasse a iniciativa de se afastar.

Lula, que concorrerá à reeleição neste ano, quer evitar que sua candidatura seja contaminada pelo escândalo do Banco Master.

Na última segunda-feira (22), a defesa de Wagner apresentou recurso contra decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a busca e apreensão nos endereços do senador. No pedido, a equipe negou a acusação da PF de que Wagner tenha atuado em favor do Master no Congresso Nacional e afirmou que há "erros graves" na medida.

Com o recurso, a defesa procura, por exemplo, anular as provas obtidas com a busca e apreensão em endereços do senador. Caso Mendonça negue o pedido, os advogados devem recorrer à Segunda Turma do Supremo.

A decisão de deixar o posto era esperada por parte dos aliados de Wagner, como mostrou a Folha. O movimento é um gesto para tentar preservar a gestão petista em meio a escândalo, que surpreendeu governistas.

Jaques Wagner ocupava o posto de líder do governo no Senado desde o início do atual mandato de Lula (PT). Foi anunciado ainda durante o governo de transição, em dezembro de 2022. Ex-governador da Bahia, ele é um dos principais nomes do PT no estado e um dos aliados mais próximos do presidente.

Lula e Wagner se conhecem há quase 50 anos e se tornaram amigos ao longo dessas décadas. O senador foi um dos principais políticos que mantiveram apoio ao hoje presidente da República quando ele foi preso, em 2018.

Interlocutores ouvidos pela Folha afirmam que o senador já quis entregar a liderança duas vezes após derrotas do governo no Congresso, mas Lula não teria deixado. A primeira tentativa de abandonar o cargo ocorreu com a aprovação do PL da Dosimetria, que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e, depois, quando Jorge Messias teve sua indicação ao STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitada.

Agora, o governo teme que ação contra Wagner esvazie o efeito de revelações sobre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também manteve relação com Vorcaro e chegou a pedir dinheiro ao ex-banqueiro para financiar o filme sobre seu pai.

Lula já havia questionado Wagner, em reuniões privadas, sobre notícias acerca de sua relação com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Segundo relatos, nessas ocasiões o senador tranquilizou o presidente, afirmando não haver envolvimento com o caso.

A coluna Mônica Bergamo também apurou que o presidente já estava preparado para a possibilidade de o escândalo do Banco Master atingir pessoas do núcleo de seu governo, especialmente da Bahia, e já teria inclusive ensaiado a resposta para dar.

A expectativa no Planalto é que Lula reitere discurso em favor das operações iniciadas em seu próprio governo e faça um pedido de explicações a Wagner.

A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta, apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Além de Jaques Wagner, foram alvos Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário no governo Jerônimo Rodrigues (PT-BA).

Os investigadores identificaram um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Lima ao "núcleo familiar" de Jaques Wagner, o que segundo o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, é uma das evidências de proximidade entre o parlamentar e o senador.

Wagner também teria recebido de Lima um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, além de viagens gratuitas em jatinhos ligados ao Master, e ingressos para assistir a um show de uma "cantora internacional" em Los Angeles, em 2023.

Em endereços ligados ao senador, agentes da Polícia Federal encontraram US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais).

Jaques Wagner pede ao STF para anular busca e apreensão e diz que nunca favoreceu Master

JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) A defesa de Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula (PT) no Senado, apresentou um recurso a André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), contra a decisão do ministro que autorizou a busca e apreensão em endereços do senador ocorrida na quinta-feira (18).

A defesa argumenta que existem "erros graves que comprometem a medida", entre eles o de que o senador "jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer o Banco Master".

Caso Mendonça negue o pedido, os advogados devem recorrer à Segunda Turma do Supremo.

A Polícia Federal vê suspeitas na atuação parlamentar do senador. Segundo a decisão que autorizou as buscas e apreensões, há indícios de que Wagner atuou a favor do empresário no Congresso Nacional.

Uma das pautas mencionadas é a de uma emenda em medida provisória convertida em lei de 2022, que trata de ampliação de crédito consignado. A atuação aconteceu em data próxima, segundo a PF, de relações contratuais entre o Master e a empresa da esposa de seu enteado.

A decisão também menciona a tentativa de aprovar uma emenda que tratava da ampliação de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), apresentada por Ciro Nogueira (PP-PI), que ficou conhecida como "emenda Master". Em fase anterior da operação, a PF apontou suspeita de que o próprio banco redigiu o texto da emenda.

O advogado de Wagner, Pablo Domingues, diz em nota que é um equívoco das investigações apontar que o senador atuou a favor do banco de Daniel Vorcaro, e "prova disso é que a única emenda de sua autoria sobre o tema, apresentada à medida provisória 1106/2022, propunha limitar juros e proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do banco".

"Além disso, o senador se posicionou contra a 'Emenda Master', apresentada por outro parlamentar [Ciro Nogueira, do PP-PI] no âmbito da PEC 65/2023", afirmou a defesa. "Todos esses posicionamentos e atuações do senador Jaques Wagner são públicos. O próprio relator da proposta, senador Plínio Valério (PSDB-AM), reforçou em nota jamais ter sido procurado pelo líder do governo para tratar do assunto", afirmou.

A peça enviada ao Supremo diz ainda que os valores em espécie encontrados em endereços ligados a Wagner "têm origem lícita e comprovada". "Parte é proveniente de diárias publicamente declaradas pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto a instituição financeira, com registro regular. Não há nada a ocultar".

"O próprio Ministério Público Federal já havia considerado prematura a apreensão desses bens. A defesa confia que o Supremo Tribunal Federal corrigirá os equívocos e reafirma a tranquilidade do senador quanto à sua conduta."
Wagner foi um dos 18 alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal na última quinta, em fase da operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas a Daniel Vorcaro e o Master.

A PF encontrou US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais) em endereços de Wagner, e os apreendeu.

Os mandados foram expedidos por Mendonça. Outro alvo foi o empresário Augusto Lima, que foi sócio de Vorcaro no Master. Foram feitas buscas em endereços ligados a ambos em Salvador e em um hotel em Brasília onde Wagner mora.

Policiais Federais também estiveram em endereço em Salvador de Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner. Ele é secretário no governo Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia.

A defesa de Augusto Lima afirmou, em nota, que as diligências da PF nesta quinta eram "desnecessárias", uma vez que o empresário "está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração".

"De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública", afirmaram os advogados de Lima, na quinta.

Dinheiro apreendido em endereços de Jaques Wagner será periciado para identificação de origem

JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O dinheiro em espécie apreendido em endereços ligados ao líder do governo Lula (PT) no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), será encaminhado à perícia pela Polícia Federal para análise da origem das cédulas.

A avaliação também irá analisar se as justificativas do senador, de que são valores oriundos de diárias não utilizadas em missões internacionais, são válidas. O procedimento é normal em operações com materiais apreendidos.

Nesta quinta-feira (18), a PF encontrou US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais) em endereços ligados a Wagner, ao cumprir mandados de busca e operação na nova fase da Operação Compliance Zero.

Em nota, o senador afirmou que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. Sobre os valores em espécie apreendidos, a nota informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais.

A PF encontrou US$ 49 mil em dinheiro vivo no quarto de hotel em que Wagner mora, no Distrito Federal, além de 33,5 mil euros e US$ 6.175 em endereços relacionados ao parlamentar na Bahia.

Autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a operação mira ligação entre o líder do governo no Senado e o empresário Augusto Lima, que foi sócio do Banco Master de Daniel Vorcaro.

"O senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá", disse, em nota.

O advogado do senador, Pablo Domingues, disse que o "que se obteve como resultado da busca, se alcançaria facilmente sem ela". "Infelizmente, o expediente se repete em ano de eleição, nos mesmíssimos modos da busca e apreensão realizada em 2018", disse, em referência a uma ação da PF contra Wagner na época da Operação Lava Jato.

Domingues também disse que lamentava a divulgação das fotos da apreensão pela Polícia Federal, e disse que "o processo penal não pode ser instrumento de constrangimento público".

A defesa do empresário Augusto Lima afirmou que os fatos serão esclarecidos e que ele sempre agiu dentro da lei.

A ação da PF apura suspeitas de que o Wagner recebeu pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, por meio da empresa da esposa do enteado, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.

Lula evita falar de Jaques Wagner, mas faz sinal positivo ao ser questionado se ele segue líder do governo

CATARINA SCORTECCI E ARTUR BÚRIGO-CURITIBA, PR, E BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O presidente Lula (PT) fez um gesto positivo a jornalistas nesta sexta-feira (19) quando questionado se o senador Jaques Wagner (PT-BA) permaneceria na liderança do governo petista no Senado. A pergunta foi feita enquanto Lula cumprimentava parte da plateia que o aguardava no Hospital Luxemburgo, em Belo Horizonte (MG).

O presidente não parou para dar declarações à imprensa. Durante discurso, ele não mencionou o episódio envolvendo o aliado. Wagner foi alvo nesta quinta-feira (18) da nova fase da Operação Compliance Zero.

A Polícia Federal apura suspeitas de que o senador recebeu pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, por meio da empresa da nora dele, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. O senador nega ilegalidades.

Na capital mineira, Lula participa do anúncio de investimentos de R$ 89,3 milhões para o Hospital Luxemburgo, que se tornou uma unidade 100% SUS. O hospital, do Instituto Mário Penna, é referência em oncologia em Minas Gerais.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também participa da agenda. Durante discurso, ele citou números de programas comandados pela pasta e, em tom eleitoral, alfinetou o governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL), e também o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo), pré-candidato ao Planalto.

"A gente já teve um presidente que se negava a investir em estado onde o governador não o apoiasse", afirmou Padilha em referência a Bolsonaro, acrescentando que a postura de Zema "não impediu que o governo federal investisse no estado".

Esta é a 16ª vez que Lula visita o estado no atual mandato. O petista acelerou o número de agendas em Minas em meio à dificuldade do partido para estabelecer um palanque no estado para as eleições em 2026.

Os mineiros respondem pelo segundo maior colégio eleitoral do país. Desde a redemocratização, o candidato à Presidência que vence no estado chega ao Palácio do Planalto.

Após ver suas tentativas frustradas de convencer o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB), que decidiu deixar a vida pública ao fim deste mandato, os petistas procuram um plano B para uma candidatura ao Governo de Minas.

As conversas com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) não avançaram, e agora surgem como possíveis nomes o ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) e o ex-procurador geral de Justiça Jarbas Soares (PSB).

O ex-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) Josué Gomes da Silva (PSB) e a ex-reitora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Sandra Goulart (PT) também costumam ser citados.

Após o evento nesta manhã na capital mineira, Lula vai à tarde para Divinópolis, para a inauguração de um hospital regional. A cidade é reduto político do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que aparece na liderança das últimas pesquisas de intenção de voto ao governo estadual.

Apoiador da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, Cleitinho diz ainda não ter definido se lançará seu nome para a disputa deste ano. O senador mineiro não deve comparecer à agenda presencial.

Jaques Wagner nega repasses do Master e diz que Augusto Lima intermediaria compra de imóvel

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula (PT) no Senado, afirmou nesta quinta-feira (18) à Band News TV que nunca recebeu dinheiro do Banco Master, mas admitiu ter pedido para o banqueiro baiano Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, comprar um apartamento, sob a condição de que ele recompraria o imóvel posteriormente.

"Eu tinha interesse de dar, de ajudar a minha filha a comprar um apartamento desses. Como Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele: 'você pode comprar? Depois eu vou recomprar' Porque o apartamento está em construção. E eu teria que vende o apartamento de minha filha para poder complementar o apartamento ou ela financiar", afirmou o senador.

O imóvel, avaliado em R$ 2,5 milhões fica no bairro do Horto Florestal, um dos mais valorizados de Salvador. A Polícia Federal investiga suspeitas de que o senador recebeu pagamentos ligados ao Master além do apartamento.

A apuração foi feita a partir da análise de material apreendido com Augusto Lima, ex-sócio do Master, e motivou nova fase da Operação Compliance Zero desta quinta.

O senador disse ter recebido uma ligação do presidente Lula nesta quinta-feira, que teria manifestado solidariedade ao amigo e aliado. "Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo."
Também disse continuar na liderança do governo no Senado até segunda ordem. "A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e eu acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim."
Wagner reiterou que não possui negócios com o Master, nem teve nenhuma transferência de patrimônio do banco ou seus sócios para o seu nome. Também assinalou não ter nenhuma relação com Vorcaro e resumiu o elo com o banco Master ao banqueiro Augusto Lima.

Disse ter encontrado Vorcaro apenas duas vezes, a primeira quando o banco Master assumiu a operação do Credcesta, e a segunda quando indicou o ex-ministro Ricardo Lewandowski para ocupar um posto no banco após ter sido consultado.

A PF cumpriu nesta quinta 18 mandados de busca e apreensão em nova fase da operação Compliance Zero. Os mandados foram expedidos pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.

Foram feitas buscas em endereços ligados a Wagner e Lima em Salvador e em um hotel em Brasília onde o senador mora.

Policiais federais também estiveram em endereço em Salvador de Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner, e da esposa dele Bonnie Bonilha. A reportagem não localizou a defesa de Sodré e de Bonnie.

PF encontra US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados a Jaques Wagner

JOSÉ MARQUES, MARCOS HERMANSON E JOÃO GABRIEL-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal encontrou US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais) em endereços ligados ao senador Jaques Wagner, ao cumprir mandados de busca e operação na nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18).

A Polícia Federal encontrou US$ 49 mil em dinheiro vivo no quarto de hotel em que Wagner mora, no Distrito Federal, além de 33,5 mil euros e US$ 6.175 em endereços ligados ao parlamentar na Bahia.

Autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a operação mira ligação entre o líder do PT no Senado e o empresário Augusto Lima, que foi sócio do Banco Master de Daniel Vorcaro.

Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Wagner ainda não se pronunciou. A defesa do empresário Augusto Lima afirmou que os fatos serão esclarecidos e que ele sempre agiu dentro da lei.

A Polícia Federal apura suspeitas de que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, recebeu pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, por meio da empresa do enteado da esposa do enteado, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.

A Polícia Federal identificou um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada ao empresário Augusto Lima ao "núcleo familiar" de Jaques Wagner, o que segundo o ministro André Mendonça é uma das evidências de proximidade entre o parlamentar e o senador.

A transferência aconteceu em outubro de 2025, após o Banco Central barrar a venda do Master para o BRB, e foi da PKL One -que pertence à prima de Lima, Andréa- para a BN Financeira. Bonnie Bonilha, esposa do enteado de Jaques Wagner, seria "vinculada à estrutura societária" da BN Financeira, de acordo com a decisão.

A apuração da Polícia Federal foi feita a partir da análise de material apreendido com Augusto Lima, ex-sócio do Master, e motivou a fase da Operação Compliance Zero desta quinta-feira (18).

Segundo as investigações, Wagner teria recebido de Lima um apartamento em Salvador, além de viagens gratuitas em jatinhos ligados ao Master, e ingressos para assistir a um show de "cantora internacional" em Los Angeles, em 2023.

A investigação também aponta atuação parlamentar de Wagner em favor dos interesses do Banco Master, com a defesa de propostas favoráveis ao grupo de Vorcaro e Augusto Lima.

A PF cumpre nesta quinta 18 mandados de busca e apreensão em nova fase da operação Compliance Zero. O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), expediu os mandados para buscas na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.

Enteado de Jaques Wagner teve papel ativo nas cobranças a banqueiro, diz PF

JOÃO PEDRO PITOMBO-SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - As investigações da Polícia Federal apontam que Eduardo Sodré, enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), teve um papel ativo nas cobranças ao banqueiro Augusto Lima, que foi sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

Eduardo Mendonça Sodré Martins é advogado e desde janeiro de 2023 comanda a Secretaria de Meio Ambiente da Bahia do governo Jerônimo Rodrigues (PT). Sua indicação ao cargo é atribuída a Jaques Wagner.

Sodré foi procurado por meio da assessoria da Secretaria de Meio Ambiente e da Secretaria de Comunicação do Governo da Bahia nesta quinta-feira (18), mas não houve retorno.

O secretário e a esposa dele, Bonnie Bonilha, foram alvos de mandados de busca e apreensão na nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18).

Bonilha é sócia da BN Financeira Ltda. Em 17 de outubro de 2025, a empresa recebeu repasses de R$ 3,5 milhões da PLK One Participações, firma vinculada à operação Credcesta.

As investigações indicam que a BN Financeira foi constituída como microempresa, com capital social reduzido e sem aparente estrutura operacional compatível com os valores movimentados.

De acordo com a Polícia Federal, Sodré era o responsável por fazer cobranças ao banqueiro Augusto Lima, mencionando boletos, notas fiscais, documentos e providências necessárias à formalização de pagamentos.

Em 4 de setembro de 2025, Eduardo Sodré afirmou em mensagem a Augusto Lima: "Amanhã vence os boletos e são altos". Em resposta, Lima afirmou que o cenário estava crítico e vinculou a dificuldade financeira ao insucesso da operação de venda do Banco Master ao BRB -o BC havia vetado o negócio no dia anterior.

Também foram encontradas planilhas no telefone celular do advogado Daniel Lopes Monteiro, ligado a Augusto Lima, contendo pagamentos de R$ 2,3 milhões a "Dudu", apelido que, segundo a investigação, corresponderia a Eduardo.

Oriundo da rede de supermercados estatal Cesta do Povo, privatizada em 2018 na gestão do então governador Rui Costa (PT), o Credcesta é um cartão consignado com benefícios para servidores.

A empresa tem exclusividade de 15 anos no governo da Bahia para operar nesse segmento, com taxa de juros na casa de 4,7%, ocupando um adicional de 30% de comprometimento da renda.

Sem conseguir manter o Credcesta com escala nacional, Augusto Lima buscava recursos com investidores para continuar com a operação na Bahia por meio de um fundo. A Bahia é o único estado onde o Credcesta mantém a exclusividade para trabalhar com esse tipo de produto até 2033.

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) afirmou em abril que não descarta a suspensão do contrato de operação do Credcesta e disse que aguardava um parecer da PGE (Procuradoria-Geral do Estado).

Em janeiro, Jaques Wagner afirmou à reportagem que, apesar de ter conhecido Lima em um ambiente institucional, se tornaram amigos. Também disse que a venda da Cesta do Povo foi um bom negócio para a Bahia, já que a estatal enfrentava dificuldades financeiras.

Empresa ligada a ex-sócio do Master pagou R$ 3,5 mi a 'núcleo familiar' de Jaques Wagner, diz Mendonça

JOÃO GABRIEL E JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal (PF) identificou um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada ao empresário Augusto Lima –ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master, na fraude bilionária ao sistema financeiro brasileiro- ao "núcleo familiar" de Jaques Wagner, líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado.

Segundo o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, essa é uma das evidências de proximidade entre o parlamentar e o senador.

A transação aconteceu em outubro de 2025, após o Banco Central rejeitar a compra do Master pelo BRB.

Os problemas na negociação entre os bancos, inclusive, são usados por Augusto Lima para justificar o atraso de pagamentos à família de Jaques, de acordo com conversas obtidas pela PF.

As informações constam da decisão de Mendonça que autorizou a operação de busca e apreensão desta quinta-feira (18) contra o senador e o empresário.

A PF aponta, destaca o ministro, que os pagamentos são "supostamente destinados ao núcleo familiar de Jaques Wagner".

A Folha de S.Paulo procurou a assessoria do senador na manhã desta quinta, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem.

"As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração", disse o empresário, por meio de nota..

Segundo ele, as investigações vão comprovar que ele sempre atuou "dentro dos limites da lei".

A operação desta quinta apura suspeitas de que Wagner recebeu pagamentos ligados ao Master, por meio da empresa da esposa do enteado, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.

Também investigam se o senador beneficiou o banco em sua atuação parlamentar.

Além disso, a PF afirma que o senador viajou a Ilha da Paixão, propriedade de Augusto Lima no Rio de Janeiro, com tudo pago pelo empresário. Também fez viagens em jatinho dele.

Segundo a investigação, cobrou e recebeu ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados Unidos, pagos pela Reag -empresa que tinha papel central na arquitetura financeira fraudulenta do Master.

A transação de R$ 3,5 milhões aconteceu entre as empresas PKL One Participações -que pertence à prima de Augusto Lima, Andréa- e a BN Financeira- vinculada a Eduardo Sodré, cunhado de Jaques, casado com Bonnie, filha do senador.

Esta segunda teve sua atividade econômica suspensa pela decisão de Mendonça.

A relação entre as empresas é central, segundo a decisão, para demonstrar a proximidade entre o empresário e o líder do governo no Senado.

Diálogos obtidos pela Polícia Federal mostram que, no início de setembro de 2025, Sodré envia mensagens a Lima cobrando a realização de pagamentos. "Amanhã vence os
boletos e são altos", diz ele ao empresário.

"Em resposta, Augusto [Lima] afirmou que o cenário estava 'crítico' e vinculou a dificuldade financeira ao insucesso da operação Banco Master/BRB, sugerindo inclusive que se cancelasse a nota para posterior emissão", diz a Polícia Federal.

A troca, de acordo com a decisão de Mendonça, aconteceu um dia depois do Banco Central reprovar a compra do Master pelo BRB.

A operação de R$ 3,5 mihões é concluída, aponta a investigação, pouco mais de um mês depois, em outubro de 2025.

Segundo a decisão de Mendonça, a BN Financeira, de Sodré, é a "pessoa jurídica central no eixo dos pagamentos supostamente destinados ao núcleo familiar de Jaques Wagner".

A decisão destaca ainda que a empresa tem capital social reduzido e não apresenta estrutura operacional compatível com os valores movimentados.

"A Polícia Federal sustenta que a empresa [BN Financeira] teria sido utilizada para conferir aparência de licitude a repasses financeiros supostamente desvinculados de prestação real de serviços, funcionando como veículo formal de recepção e dissimulação de vantagens indevidas.

Essas informações são usadas por Mendonça para justificar a proibição de contato entre Jaques Wagner e Augusto Lima, além dos demais investigados na operação -com exceção dos familiares.

Além disso, a PKL One, segundo a PF, uma empresa associada ao Credcesta, programa de crédito consignado do governo da Bahia que, segundo apontam as investigações, foi usado pelo Master para realizar fraudes.

Segundo Mendonça, foi por meio da PKL One e as operações de consignado que Augusto Lima e Jaques Wagner se aproximaram, "inclusive a partir de negócios relacionados a carteiras de crédito e à plataforma Credcesta".

A decisão, porém, não dá mais detalhes sobre o contexto do Credcesta.

Amigo de Lula, ex-governador da Bahia e alvo da PF: saiba quem é Jaques Wagner

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Líder do governo Lula (PT) no Senado e pré-candidato à reeleição, Jaques Wagner, 75, é um dos aliados mais próximos do presidente. Ele chegou a ser cogitado para ser o candidato ao Palácio do Planalto do petista, em 2018, até desistir após operação policial em seu apartamento.

Nesta quinta-feira (18), Wagner foi alvo de outra ação da PF (Polícia Federal), desta vez relacionada às investigações sobre o Banco Master. O senador foi procurado por meio de sua assessoria, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

Nascido no Rio de Janeiro, ele estudou engenharia civil na PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), mas construiu sua carreira política na Bahia.

Líder sindical no polo petroquímico de Camaçari, foi monitorado pelos serviços de informação do regime. O nome do hoje petista também aparece em documento de 1975 da extinta Divisão de Segurança e Informações da Petrobras. O relatório citava a militância política e contraindicava a contratação de Wagner para uma vaga de estágio.

"Registra antecedentes políticos ideológicos. Elemento pertencente ao Partido Comunista do Brasil. Citado em depoimento de vários subversivos como militante da PUC [do Rio de Janeiro]. Contraindicado por esta divisão para fazer um estágio de operador na Refinaria Landulpho Alves", diz o texto.

O hoje senador foi presidente do Sindiquímica, sindicato dos trabalhadores químicos e petroquímicos da Bahia, e participou da fundação do PT e da CUT (Central Única dos Trabalhadores) no estado.

Foi deputado federal por três mandatos, entre 1991 e 2003. No Legislativo, é tido como político moderado e com capacidade de diálogo. Rival em seu estado, Antonio Carlos Magalhães, o ACM, como era conhecido, descreveu-o em 2002 como um político "hábil e competente".

A derrota do carlismo na Bahia, por sinal, é o principal trunfo do histórico eleitoral de Wagner. Aconteceu em 2006, quando ele derrotou Paulo Souto, então no PFL, no primeiro turno da disputa pelo governo do estado. Wagner governou a Bahia por dois mandatos, de 2007 a 2014, e foi sucedido por Rui Costa, também do PT.

O hoje líder do Senado também foi ministro do Trabalho e das Relações Institucionais nos primeiros mandatos de Lula e da Defesa e Casa Civil na gestão de Dilma Rousseff (PT).

Em 2005, no auge da crise do mensalão, Wagner assumiu a articulação política do governo a pedido do petista. Anos depois, em 2018, era o preferido de Lula para liderar a chapa presidencial quando o hoje presidente estava preso em Curitiba.

Wagner, porém, recusou. Segundo relato feito à Folha, repetiu em conversas reservadas a frase: "Não vou substituir Lula". A desistência foi associada por aliados ao fato de ele ter sido, pouco antes, alvo da Operação Cartão Vermelho, que investigou suspeitas ligadas a repasses de empreiteiras na construção e gestão da Arena Fonte Nova, em Salvador.

A PF afirmou à época que o petista teria recebido R$ 82 milhões em propina e doações. Wagner negou as acusações.

Na operação, foram apreendidos 15 relógios no apartamento do ex-governador, além de celulares, computadores e documentos. No dia seguinte, Wagner afirmou que os relógios eram réplicas compradas na China. "Eu gosto de relógio, mas não ligo para marca", disse.

Em 2019, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) anulou a operação. O tribunal decidiu que a investigação não era de competência da Justiça Federal, porque os recursos para a reforma do estádio vieram do estado da Bahia, e não da União.

Crítico à Lava Jato, o senador também já fez autocrítica sobre o PT ao comentar a operação. Em entrevista à Folha em 2016, quando era chefe da Casa Civil de Dilma, afirmou que o partido usou ferramentas que já eram adotadas por outros partidos e "se lambuzou".

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