O que é virar ré? Entenda a condição da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra e o que acontece agora

Tornar-se réu (ou ré) significa que a Justiça analisou a acusação e entendeu que existem elementos mínimos para a abertura de um processo criminal

O que é virar ré? Entenda a condição da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra e o que acontece agora
O que é virar ré? Entenda a condição da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra e o que acontece agora

São Paulo, Sp (uol/folhapress) - 18/06/2026 18:18:25 | Foto: Reprodução/Instagram @dra.deolanebezerra

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia contra Deolane Bezerra, que se tornou ré sob acusação dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro para o PCC. A defesa alega inocência.

Deolane, que está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, passa a responder formalmente ao processo. A defesa terá dez dias para apresentar resposta à acusação.

A denúncia é um desdobramento da Operação Vérnix, deflagrada a partir de suspeitas de que uma transportadora de fachada era utilizada para lavar dinheiro do PCC. A operação resultou na prisão da influenciadora e de Everton de Souza, apontado como operador financeiro da organização criminosa.

O QUE É SE TORNAR RÉ
Tornar-se réu (ou ré) significa que a Justiça analisou a acusação e entendeu que existem elementos mínimos para a abertura de um processo criminal.

"Quando o Judiciário aceita a denúncia formulada pelo Ministério Público, o denunciado passa à condição de réu e começa a responder a processo judicial", diz o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

De acordo com o CNJ, a primeira etapa é a investigação, quando a polícia apura os fatos. Em seguida, a pessoa pode ser indiciada, caso o inquérito policial reúna indícios de autoria e materialidade do crime.

Em geral, o indiciamento é formalizado pelo delegado de polícia com base em elementos obtidos durante a investigação. Depoimentos, laudos periciais e interceptações telefônicas são alguns exemplos.

No caso de Deolane, além da materialidade dos crimes investigados, a Justiça afirma que os elementos reunidos apontam para a existência de uma organização criminosa. Segundo a decisão, havia uma "organização criminosa estruturada para a prática sistemática de lavagem de capitais (com crimes antecedentes de tráfico de drogas e integração ao Primeiro Comando da Capital), mediante uso de empresa de fachada (Transportadora Lado a Lado)".

Após a conclusão do inquérito, a autoridade policial encaminha o caso ao Ministério Público, que avalia se existem provas suficientes para apresentar denúncia à Justiça. Com o recebimento e aceite da denúncia pelo Judiciário, o acusado passa oficialmente à condição de réu.

Isso não significa que ele seja considerado culpado. A decisão apenas indica que a acusação superou a análise inicial do juiz e será examinada ao longo do processo.

O QUE ACONTECE AGORA COM DEOLANE
A partir de agora, a defesa de Deolane poderá contestar as acusações, apresentar provas e indicar testemunhas. Também serão realizadas audiências para ouvir investigados, testemunhas e demais envolvidos.

Somente após a fase de instrução, na qual acusação e defesa produzem suas provas, a Justiça decidirá se a influenciadora será absolvida ou condenada. A ação penal pode se estender por meses ou até anos.

A defesa nega as acusações. Em declaração ao UOL, o advogado Aury Lopes Júnior afirmou que Deolane "não faz parte de nenhuma organização criminosa e tampouco cometeu qualquer crime, o que será provado ao longo do processo". O defensor ainda não havia se manifestado sobre a decisão que recebeu a denúncia.

Deolane está presa desde 21 de maio, sob suspeita de ligação com o PCC. Segundo o Ministério Público, ela teria participado de transações financeiras envolvendo familiares de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e utilizado suas contas para movimentar recursos de uma transportadora apontada como instrumento de lavagem de dinheiro para a família Camacho.

Além de Deolane, a Justiça também aceitou a denúncia contra outras pessoas. Entre elas estão Marcola, apontado como líder da facção; seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior; Everton de Souza, apontado como operador financeiro da organização; e os sobrinhos de Marcola, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho.

Justiça aceita denúncia e Deolane vira ré sob acusação de lavar dinheiro do PCC

ROGÉRIO GENTILE-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça paulista aceitou a denúncia contra a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra sob acusação de lavar dinheiro para a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Com isso, Deolane, que está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado, passa a ser réu no processo e terá dez dias para apresentar resposta à acusação.

Marcos Willian Herbas Camacho, o Marcola, principal chefe da facção criminosa, o irmão dele, Alejandro Herbas Camacho Júnior, e Everton de Souza, apontado como operador financeiro do esquema, também passaram a ser réus na ação, de acordo com a decisão judicial da 3ª Vara de Presidente Venceslau.

A denúncia é desdobramento da Operação Vérnix, realizada a partir de suspeitas de que uma transportadora de fachada era usada para lavar dinheiro do PCC. A operação resultou na prisão de Deolane e de Everton de Souza.

Também foram denunciados Leonardo Alexsander Ribeiro e Paloma Sanches, sobrinhos de Marcola, que estão foragidos.

Em nota divulgada na semana passada, quando houve a denúncia, a defesa de Deolane afirmou que ela "não faz parte de nenhuma organização criminosa e tampouco cometeu qualquer crime, o que será provado ao longo do processo".

O advogado Bruno Ferullo –que defende Marcola, seu irmão e os dois sobrinhos– afirmou por ocasião da denúncia que vai "demonstrar a fragilidade narrativa acusatória e a improcedência das imputações" contra seus clientes. Ele argumentou que tanto Marcola quanto Alejandro Juvenal estão presos e "submetidos a severas restrições de contato e comunicação, o que, por si só, torna inviável qualquer participação nos fatos investigados".

Afirmou também que Leonardo Alexsander e Paloma "refutam integralmente" as acusações e que "serão apresentados os esclarecimentos e as provas pertinentes acerca da origem e da regularidade das operações apontadas" na investigação.

Após a prisão de Deolane, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, responsável pela denúncia, disse à Folha de S.Paulo que há uma relação direta e íntima entre Deolane e a família de Marcola.

Segundo ele, Deolane teria fornecido contas para a lavagem de dinheiro do grupo criminoso, o que é negado por sua defesa. Um dos indícios de atividade criminosa, segundo ele, seria um aumento repentino do patrimônio dela, com ganhos superiores a R$ 140 milhões de 2020 a 2022.

"Ela tem relação direta com a família Camacho, além de relação de amizade íntima com integrantes, como Paloma e Alexandro, filhos de Marcolinha [Alejandro Juvenal Herbas Camacho, irmão de Marcola] também indiciados", diz.

O promotor disse considerar que está praticamente comprovada a incompatibilidade entre as atividades profissionais de Deolane e seus ganhos financeiros.

Após ser presa, Deolane chorou durante a audiência de custódia ao afirmar que foi presa no exercício da advocacia.

"Excelência, eu fui presa no exercício da profissão. À época dos fatos, eu advogava. É um processo bem antigo, de 2019, 2020. Eu quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, que eu fui presa por estar advogando, por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta, por um cliente que consta no próprio relatório da polícia o meu acompanhamento ao cliente", afirmou.

Ela não informou na audiência quem seria o seu cliente.

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