Diretor de O Agente Secreto conversou sobre repercussão do escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e dono do banco Master
Por lucas Salum - Portal Brasil De Fato - 19/05/2026 16:46:08 | Foto: Kleber Mendonça durante premiação do Oscar, em março | C: Karina Chancey - Portal BdF
Na última semana, o escândalo do banco Master saiu apenas do noticiário político e entrou na editoria de cultura. Isso por conta do áudio vazado entre o articulador do maior esquema de corrupção no sistema financeiro da história, Daniel Vorcaro, e o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no qual se falava sobre o apoio de R$ 61 milhões ao filme Dark Horse , uma biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso por tentativa de golpe.
Fazedores da cultura se manifestaram, primeiramente, exaltando como o orçamento do filme, R$ 134 milhões, supera de forma desproporcional qualquer outra produção nacional. Ainda Estou Aqui teve R$ 45 milhões destinado.
O mais recente sucesso brasileiro, O Agente Secreto , teve orçamento de R$ 28 milhões.
Diretor do longa, Kleber Mendonça Filho, conversou com o Brasil de Fato sobre as revelações.
“Eu acho muito engraçado, porque, nos últimos 10 ou 12 anos, a direita não só extinguiu o Ministério da Cultura duas vezes, mas investiu uma quantidade enorme de violências contra toda a parte cultural do país: os artistas, os mecanismos de apoio à cultura que fazem parte da Constituição Brasileira”, lembrou o cineasta.
“E agora, o que enterra uma campanha que já seria um desastre, mesmo sem essa catástrofe que aconteceu essa semana, é exatamente uma tentativa de fazer um filme para ter o que eles não têm: uma narrativa de prestígio através do cinema. Nós contamos histórias porque são histórias que a gente precisa contar.”
Em um grupo privado nas redes sociais, Walter Salles, diretor de Ainda Estou Aqui , comentou com os amigos: “grande dia para o cinema nacional”, no dia em que o áudio foi publicado pelo The Intercept Brasil .
Kleber Mendonça também comentou sobre o orçamento, que é considerado alto, inclusive para os padrões de Hollywood.
“Está completamente fora dos padrões de trabalho honesto no audiovisual brasileiro. Os números não fazem parte da realidade da realização de um filme no Brasil.”
“Mas é muito irônico, muito engraçado que tudo isso tenha resultado nisso: numa tentativa de fazer cinema sem saber fazer cinema, operando de uma maneira que me parece 100% desonesta.”
Editado por: Luís Indriunas
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