Relação dos irmãos Bolsonaro com Vorcaro deixa Flávio em ‘situação crítica’ na pré-campanha, diz analista política
Por josé Bernardes e maria Teresa Cruz - Portal Brasil De Fato - 16/05/2026 08:19:29 | Foto: Eduardo, Jair e Flávio Bolsonaro | Crédito: Reprodução/Twitter
Para Priscila Lapa, eleitorado raiz não deve mudar de opinião, mas novas revelações enfraquecem Flávio.
A Polícia Federal (PF) apura se o dinheiro transferido por Daniel Vorcaro — a pedido do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) — para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”, na verdade estaria custeando a vida do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.
Há poucos dias, Eduardo havia dado uma declaração de que não tinha qualquer ligação com a obra, mas reportagem do Intercept Brasil mostrou que, na verdade, o filho 02 do ex-presidente era produtor executivo do filme. A implicação de Flávio já o colocava numa situação bastante delicada. Com o possível envolvimento de seu irmão, o cenário se agrava.
Essa é a avaliação da cientista política Priscila Lapa, em entrevista ao Conexão BdF , da Rádio Brasil de Fato. A analista também destaca que, apesar dos fatos escandalosos que se avolumam, o bolsonarismo raiz tem tentando minimizar o cenário.
Para ela, é importante que as investigações continuem e se aprofundem cada vez mais para descobrir o que de fato aconteceu. “O que se sabe é que o pedido de Flávio não era para um mero patrocínio de um filme e ponto. E isso foi o que o senador tentou defender. A gente não pode esquecer que por ser um senador investido do mandato, ele não vai conseguir escapar de investigações e de algumas questões formais sobre tudo isso. O Eduardo Bolsonaro não está mais investido do mandato, mas ele deve responder pelos atos enquanto pessoa física e também enquanto esteve no mandato. As investigações podem conseguir revelar algo que possa ter acontecido antes”, considera.
“A gente não tem ainda dimensão de que onde esses fatos vão nos levar, mas não há dúvida de que [Flávio] não vai conseguir mais colar o discurso da vitimização. A situação é muito crítica, mesmo perante o eleitorado mais convertido, e até do ponto de vista das relações de confiança dessa candidatura, de outros possíveis aliados que poderiam apoiar essa candidatura e também o fogo amigo”, afirma Lapa.
A cientista política também avaliou a revelação de que o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), teria pago R$ 100 milhões para a produtora do filme de Bolsonaro, que tem uma empresa de instalação de wi-fi e teria vencido uma licitação para realizar o serviço, segundo informou reportagem do Intercept Brasil . Para Priscila Lapa, os acontecimentos vão se avolumando e, no final das contas, dizem respeito ao mesmo grupo político.
“À cada revelação a gente entende que todo esse grupo ligado à família Bolsonaro e a própria família Bolsonaro estavam usando seus meios para se manter no poder, para construir relações, e sempre nessa base da troca do interesse, dos interesses públicos misturados com privados. A gente vai vendo que tem uma rede articulada para manutenção do poder. Lamentavelmente, é a gente vendo se repetir no Brasil a corrupção dessas relações escusas, mas agora no discurso de quem diz combater a corrupção”, diz.
Corrupção institucionalizada
Com relação à operação da Polícia Federal (PF), que teve como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL), a cientista política defende que o que se vê no estado é uma corrupção institucionalizada.
“Todo o arcabouço estatal no Rio de Janeiro é muito em convívio [ com casos de corrupção ]. É quase que como uma lógica de funcionamento do sistema. Combater isso, pensar uma nova lógica social para aquele estado é desafiador, porque a gente vê que tem um conjunto de atores com comportamentos coniventes com essa estrutura que se institucionalizou”, avalia.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
Editado por: Thaís Ferraz
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