Samira foi agredida pelo ex-namorado Pedro Camilo Garcia.
São Paulo, Sp (folhapress) - 28/08/2025 09:33:55 | Foto: Imagem: Reprodução/Globo
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A médica Samira Khouri, agredida pelo ex-namorado Pedro Camilo Garcia em um apartamento em São Paulo, sofreu múltiplas fraturas no rosto e perdeu 50% da visão de um dos olhos. Ela falou pela primeira vez sobre o caso, em entrevista ao Fantástico.
Samira teve fratura no crânio e múltiplas fraturas na face. "Durante as agressões, o Pedro quebrou todas as estruturas que seguram meu globo ocular, além de vários ossos da minha face, principalmente do lado esquerdo", disse a médica.
Foi necessário colocar placas de titânio no rosto, conta Samira. "Eu tive que colocar também placas de titânio onde houve fraturas na minha face. Esse lado esquerdo está com várias placas para estabilizar as fraturas. Tive a maioria dos ossos do nariz quebrados".
Delegada disse que o rosto de Samira "ficou destruído". Segundo Débora Lázaro, as fotos do caso são "tristes de se ver". "Ela está muito agredida. O rosto [ficou] destruído"..
Agressão ocorreu no dia do aniversário de Samira, quando ela e Pedro - que viviam em Santos - estavam em São Paulo para celebrar. Os dois foram a uma festa, onde Samira fez amizade com um casal. "Ficamos eu e mais três meninos, era um casal e um amigo deles também era gay. Ficamos quase a balada inteira juntos."
Pedro viu Samira conversando com outras pessoas, ficou nervoso e foi retirado da festa por seguranças, relembra ela. "Pedro ficou exaltado, quis começar a brigar e os seguranças tiraram ele da balada".
A médica chegou antes ao apartamento onde eles estavam hospedados. "Ele chegou muito nervoso, eu nunca tinha visto assim. Na hora, fiquei com medo. O Pedro me deu um soco, eu caí no chão e não lembro de mais nada."
Samira afirma que perdeu os sentidos; Pedro continuou a agredi-la por cerca de seis minutos. "Quando eu acordei (após perder os sentidos), ele ainda estava me batendo. Ele deu 12 socos quando eu acordei".
A violência das agressões a Samira foi tamanha que Pedro quebrou a mão. Na audiência de custódia, o fisiculturista afirmou que quebrou o metacarpo (osso entre o punho e os dedos) durante "confusão" com a namorada.
Após a agressão, Pedro foi embora do apartamento levando o celular de Samira e dirigindo o carro dela. "Quando ele acabou de me socar, ouvi o barulho da chave do carro. Ele pegou meu celular e foi embora". Imagens gravadas por câmeras de segurança mostram o fisiculturista deixando o prédio mexendo na mão usada nos golpes contra a médica, como se estivesse com dor.
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RELEMBRE O CASO
Policiais acharam Samira caída na sala do apartamento em 14 de julho. Foram acionados por um vizinho. Os militares entraram no imóvel depois que tocaram a campainha e não tiveram resposta. Segundo o boletim de ocorrência, eles ouviram um som que parecia o de uma respiração ofegante.
Pedro foi preso dirigindo o carro de Samira e disse não lembrar o que aconteceu naquela madrugada. Em um trecho da audiência de custódia ao qual o UOL teve acesso, o fisiculturista afirmou que quebrou o metacarpo (osso entre o punho e os dedos) durante "confusão" com a namorada.
Na audiência de custódia, a prisão em flagrante foi convertida para preventiva por tentativa de homicídio. "O modus operandi denota covardia, descontrole emocional e periculosidade concreta por parte do custodiado, homem fisiculturista de robusto porte físico, que teria socado intensamente o rosto de sua namorada'', escreveu o juiz Diego de Alencar Salazar Primo na decisão.
Aos policiais, Pedro teria confessado o crime e justificado ciúmes como motivação. Ele disse, segundo a polícia, que tinha visto conversas da mulher com outro homem no celular dela.
O QUE DIZ A DEFESA DE PEDRO
À Justiça, defesa alegou problemas de saúde de Pedro, como Transtorno Alimentar de Bulimia Nervosa. Um relatório psicológico anexado pelos advogados ao processo também cita abuso de anabolizantes, esteroides e medicamentos psiquiátricos. Documento diz ainda que o réu não continuou com o atendimento psicológico.
Qualquer manifestação sobre o caso é prematura, disse o advogado do fisiculturista, à imprensa. Em nota, Danilo Pereira argumenta que ainda faltam etapas burocráticas. "Deverá prevalecer o respeito às partes e seus respectivos familiares, de modo que toda e qualquer manifestação será realizada exclusivamente no bojo dos autos, após franqueada a íntegra da documentação".
EM CASO DE VIOLÊNCIA, DENUNCIE
Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.
Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.
Também é possível realizar denúncias pelo número 180 -Central de Atendimento à Mulher- e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.
Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e através da página da Ouvidoria Nacional de Diretos Humanos (ONDH) do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). Vítimas de violência doméstica podem fazer a denúncia em até seis meses.
Médica espancada por namorado em São Paulo diz que ele ficou com ciúme de homem gay
A médica Samira Khouri, 27, que foi espancada pelo, então namorado, o fisiculturista Pedro Camilo Garcia Castro, 24, em 14 de julho em São Paulo, diz que ele ficou com ciúme de um homem gay na casa noturna em que estavam.
Ela disse que não consegue mais sorrir após o ataque, já que o lado esquerdo do rosto está paralisado. Ela também perdeu 50% da visão do olho esquerdo.
Os dois moravam em Santos, litoral paulista, mas no dia do ataque tinham alugado um apartamento na capital paulista para comemorar o aniversário dela.
O problema começou na casa noturna aonde eles foram.
"Chegando lá, a gente viu que era uma balada gay. A gente entrou lá, fizemos uma amizade. Então ficamos eu e mais três meninos, era um casal e um amigo deles que também era gay", disse em entrevista ao Fantástico, da TV Globo.
Pedro teria ficado com ciúme ao ver a namorada conversando com um dos jovens, mesmo ele tendo dito que era gay e não estava interessado nela.
"Começou a querer brigar. Os seguranças tiveram que tirá-lo da balada", relembrou na entrevista.
Ela voltou sozinha para o apartamento onde estavam hospedados. Ele voltou pouco tempo depois e a atacou.
"Ele chegou muito nervoso, eu nunca tinha visto assim. Na hora, fiquei com medo. O Pedro me deu um soco, eu caí no chão e não lembro de mais nada", afirmou a médica.
Ela disse que desmaiou na queda e quando recobrou os sentidos, ele ainda estava batendo nela. Samira, então, fingiu que ainda estava desmaiada.
"A primeira coisa que eu pensei foi: eu preciso ficar quieta. Se ele fez tudo isso comigo achando que eu tava desmaiada, o que ele vai fazer se ele ver que eu tô acordada? Ele me deu mais uns 12 socos enquanto eu acordei", explicou.
"Durante as agressões, o Pedro quebrou todas as estruturas que seguram o meu globo ocular, além de vários ossos da minha face, principalmente do lado esquerdo", disse.
Ela contou que precisou colocar placas de titânio para estabilizar as fraturas no rosto.
"Não é possível que alguém me deixou assim. Como alguém que dizia me amar quase me mata no meu aniversário? Isso não é amor", disse.
A advogada de Samira, Gabriela Manssur, disse que houve tentativa de feminicídio.
"Temos provas da materialidade dos fatos. E não ter feito nada para salvar pedindo ajuda demonstra inequivocamente que se trata de uma tentativa de feminicídio."
Em dois anos de relacionamento, Samira disse que nunca tinha sido agredida, mas que Pedro era ciumento, possessivo, batia na parede e controlava o celular dela.
Ela está afastada do trabalho e da pós-graduação que cursa e diz que quer apagar as tatuagens que tem com o nome dele.
A defesa de Pedro foi procurada, mas respondeu que não vai se manifestar nesse momento.
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