Empresária presa sob suspeita de tortura a empregada grávida também está grávida, diz defesa

Empresária é suspeita de agredir e torturar empregada doméstica grávida no Maranhão

Empresária presa sob suspeita de tortura a empregada grávida também está grávida, diz defesa
Empresária presa sob suspeita de tortura a empregada grávida também está grávida, diz defesa

Francisco Lima Neto-são Paulo, Sp (folhapress) - 07/05/2026 16:25:00 | Foto: Reprodução UOL

FRANCISCO LIMA NETO-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Presa nesta quinta-feira (7), em Teresina, no Piauí, sob suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica gestante, a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos também está grávida, segundo alega a sua defesa.

A prisão foi decretada pela Justiça na noite de quarta-feira (6). A sessão de violência teria ocorrido em 17 de abril, na cidade de Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís, no Maranhão.

A advogada Nathaly Moraes Silva afirmou que a gestação é de um mês.

Esse fato será utilizado para pedir a prisão domiciliar.

"Dentro da audiência de custódia a gente vai tentar prisão domiciliar pelo fato de ela estar grávida e de ter um filho menor de 6 anos", afirmou a advogada.

Segundo a SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) do Maranhão, ela tentava fugir no momento em que foi detida.

A advogada nega e disse que ela se apresentaria em Teresina, onde tem família.

"Ela se apresentaria fora do estado porque tem recebido várias ameaças e porque é um caso que causou grande comoção. Ela ia deixar o filho com a família em Teresina, já que ela não tem família no Maranhão", afirmou.

A defensora também ressaltou que Carolina não alega inocência.

"Ela admite lesão corporal, mas não tortura. E nos áudios ela acaba falando coisas que ela não fez. É a postura, o comportamento dela ser assim. Ela acaba pecando muito pela língua", afirmou.

A Justiça do Maranhão decretou, na noite de quarta-feira (6), a prisão preventiva (sem prazo) da empresária, após pedido da Polícia Civil, que classificou o episódio como grave, apontando "violência física reiterada, suposto uso de arma de fogo, agressões contra vítima gestante, intensa violência psicológica, ameaças de morte, restrição da capacidade de defesa da vítima e indícios de planejamento prévio dos crimes".

A ação para prendê-la envolveu agentes do Piauí e do Maranhão.

A Justiça também acatou pedido do delegado Walter Wanderley, responsável pela investigação, para busca e apreensão domiciliar, e desbloqueio e extração de dados de aparelhos eletrônicos ligados à empresária.

Na decisão, a Justiça ainda destaca que a prisão é necessária para "para garantir a proteção da vítima, preservar a ordem pública e assegurar o regular andamento da investigação e do processo".

Um policial militar citado nas denúncias também foi preso em São Luís. Segundo a PM, ele responde a procedimento instaurado pela Corregedoria da corporação para apuração de sua conduta e responsabilidade no caso, diz a SSP.

ENTENDA O CASO
Carolina Sthela Ferreira dos Anjos é investigada sob suspeita de agredir e torturar a empregada doméstica de 19 anos, grávida, que trabalhava em sua casa, em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luis, havia 15 dias.

As agressões teriam sido cometidas no dia 17, de acordo com a polícia. Na ocasião, Carolina acusou a empregada de ter roubado um anel. Ela enviou áudios a grupos de mensagens detalhando as violências que cometeu, revelados pela TV Mirante, afiliada da TV Globo.

Segundo o próprio relato, a empresária contou com a ajuda de um homem armado para agredir e torturar a jovem.

A empregada, que não será identificada, afirmou à polícia que as agressões começaram com puxões de cabelo, tapas, murros, e que foi derrubada no chão.

Caída, ela diz ter protegido a barriga contra os chutes, mas outras partes do corpo foram atingidas por chute, deixando-a com diversos hematomas.

"Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo", afirmou Carolina nos áudios.

A investigada contou que o homem ainda colocou a arma na cabeça e na boca da empregada.

Mesmo com o anel tendo sido encontrado dentro de um cesto de roupa suja, as agressões continuaram, segundo relato da empresária.

"Aí na hora que ela abre o cesto de roupa suja, que ela puxa, o anel cai. Ah, gente. Nessa hora, meu Deus, a Carol dos velhos tempos voltou, assim, floresceu. Dei tanto nessa mulher, eu dei tanto, que até hoje minha mão tá aqui inchada", contou a empresária nos áudios.

A jovem registrou boletim de ocorrência e passou por exames no IML (Instituto Médico Legal), que comprovaram as agressões.

A empresária contou nos áudios que a Polícia Militar foi até a casa dela, mas que não a levou para a delegacia porque um dos agentes a conhecia.

"Sorte minha, né? E sorte dela também. Eu expliquei pra ele o que tinha acontecido. Aí, ele disse: 'Carol, se não fosse eu, eu tinha que te conduzir para a delegacia porque ela tá cheia de hematoma'", contou.

Walter Wanderley, delegado responsável pela investigação, disse à TV Mirante que os áudios já estão anexados ao inquérito, na 21ª delegacia do bairro Araçagy.

"Está comprovado que ela foi agredida. Agora, não existe autoria mais patente do que o próprio agressor confessar. E o áudio, que a polícia já está de posse, já está apreendido. É uma prova incontestável também da autoria da agressão", afirmou o delegado.

Empresária é suspeita de agredir e torturar empregada doméstica grávida no Maranhão

Uma empresária é investigada sob suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica de 19 anos, grávida, na região metropolitana de São Luis, no Maranhão.

Carolina Sthela Ferreira dos Anjos acusava a empregada de ter roubado um anel. Ela enviou áudios a grupos de mensagens detalhando as violências que cometeu. Os áudio foram divulgados pela TV Mirante, afiliada da TV Globo.

As agressões ocorreram na cidade de Paço do Lumiar, em 17 de abril, mas só agora ganharam repercussão.

A reportagem não teve acesso à defesa dela, mas, em nota ao G1 Maranhão, ela disse que apresentará sua versão no momento adequado.

"Minha defesa já compareceu à delegacia, solicitou acesso aos autos e adotará todas as providências necessárias para que minha versão seja apresentada no momento adequado, de forma responsável e dentro do procedimento legal", afirmou. Disse ainda repudiar qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres, gestantes, trabalhadoras e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Segundo o próprio relato, a empresária contou com a ajuda de um homem armado para participar da sessão de tortura e agressão.

A empregada, que não será identificada, afirmou que as agressões começaram com puxões de cabelo, tapas, murros, e que foi derrubada no chão.

Ela afirmou que protegeu a barriga contra os chutes, mas que o resto do corpo foi atingido e que ficou com vários hematomas.

Carolina relatou em áudios a violência que cometeu.

"Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo", afirmou nos áudios.

A investigada contou que o homem colocou a arma na cabeça e na boca da empregada.

A sessão de tortura e agressão teria durado cerca de uma hora. Mesmo com o anel tendo sido encontrado dentro de um cesto de roupa suja, as agressões continuaram.

"Aí na hora que ela abre o cesto de roupa suja, que ela puxa, o anel cai. Ah, gente. Nessa hora, meu Deus, a Carol dos velhos tempos voltou, assim, floresceu. Dei tanto nessa mulher, eu dei tanto, que até hoje minha mão tá aqui inchada", contou a empresária nos áudios revelados pela Rede Mirante.

A jovem registrou boletim de ocorrência e passou por exames no IML (Instituto Médico Legal), que comprovaram as agressões.

A empresária contou nos áudios que a Polícia Militar foi até a casa dela, mas que não a levou para a delegacia porque um dos agentes a conhecia.

"Sorte minha, né? E sorte dela também. Eu expliquei pra ele o que tinha acontecido. Aí, ele disse: 'Carol, se não fosse eu, eu tinha que te conduzir para a delegacia porque ela tá cheia de hematoma'", contou em tom de deboche.

Walter Wanderley, delegado responsável pela investigação, disse à TV Mirante que os áudios já estão anexados ao inquérito, na 21ª delegacia do bairro Araçagy.

"Está comprovado que ela foi agredida. Agora, não existe autoria mais patente do que o próprio agressor confessar. E o áudio, que a polícia já está de posse, já está apreendido. É uma prova incontestável também da autoria da agressão", afirmou o delegado.

Felipe Serra, advogado que representa a doméstica, disse que ela trabalhava havia apenas 15 dias na casa de Carolina, quando as agressões aconteceram. Ele vai ingressar na Justiça com uma ação trabalhista e deve defendê-la também no processo criminal, após ter acesso ao inquérito.

A SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) do Maranhão afirmou que o caso está em investigação, que o inquérito está em fase adiantada e que novas informações não serão divulgadas para não comprometer o andamento das investigações e os procedimentos em curso.

A pasta afirmou que a conduta dos PMs que atenderam a ocorrência é apurada internamente.

A Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), seção Maranhão, pediu a prisão preventiva (sem prazo) de Carolina e fez um relatório sobre sua a situação jurídica. Segundo o órgão, ela responde a diversos processos, como furto, abuso de confiança, e inadimplência.

Um deles, de 2024, levou à sua condenação por calúnia por acusar falsamente a ex-babá do filho dela de roubar uma pulseira. Ela foi condenada a seis meses de detenção em regime aberto, mas teve a pena substituída por prestação de serviço comunitário. Carolina também foi condenada ao pagamento de R$ 4.000 por danos morais.

O pedido de prisão preventiva foi entregue nesta quarta-feira (6) ao delegado responsável pelo caso.

O governador do Maranhão, Carlos Brandão (sem partido), afirmou, em rede social, que acompanha o caso.

"Vamos garantir toda a assistência necessária e apurar, com rigor, os fatos. Inclusive, nossa equipe de governo já entrou em contato com a vítima para prestar todo o apoio. Esse é um caso grave, que não pode ficar impune. Em breve, trarei novas informações", afirmou.

Na nota ao G1, Carolina afirmou que sua família tem sofrido ataques e ameaças.

"Requeiro que não haja julgamento antecipado e que o inquérito seja conduzido em observância aos princípios constitucionais. A investigação ainda está em andamento, e a verdade deve ser esclarecida pelas vias legais, jamais por ameaças, ofensas, exposição de familiares ou linchamento virtual", afirmou.

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