Moraes editou contrato de R$ 131 milhões de Vorcaro com escritório de esposa
José Marques-brasília, Df (folhapress) - 02/09/2026 16:38:24 | Foto: Reprodução Vermelho
Com Moraes e Mendonça lado a lado, STF ignora caso Master em 1ª sessão após novas mensagens de Vorcaro
ANA POMPEU E LUÍSA MARTINS-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça se encontraram no plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quarta-feira (2) pela primeira vez depois de as mensagens de Daniel Vorcaro a Moraes serem tornadas públicas, por determinação do relator do caso do Banco Master.
Nenhum dos ministros presentes mencionou a crise das suspeitas sobre os diálogos envolvendo o ex-banqueiro e Moraes. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também está na corte. O material O material também registra pedidos para que fossem acionados o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o PGR.
Moraes e Mendonça dividem a bancada e se sentam lado a lado e são as figuras centrais da crise enfrentada pela corte. Na abertura da sessão, eles não conversaram.
O decano da corte, ministro Gilmar Mendes, que costuma fazer intervenções em momentos de tensão que recaem sobre a corte, também não se manifestou e deixou o prédio do Supremo pouco depois da abertura.
O presidente da corte, Luiz Edson Fachin, optou por evitar dar espaço para manifestações dos ministros. Nos bastidores, ele afirmou a interlocutores que a mensagem que gostaria de dar sobre o caso foi passada por meio de nota divulgada pela manhã.
No texto, ele afirmou que tomará medidas "cabíveis e necessárias" nos próximos dias.
Na sessão, o chefe do Judiciário chamou um processo a ser começado do zero, o que significa que, ao menos na primeira parte da sessão, os ministros ouvirão as manifestações dos advogados. Os ministros só votam e, portanto, falam depois dessa etapa.
Fachin afirmou, no início da sessão, que daria prioridade a casos com previsão de sustentação oral de advogados e chamou o último item da pauta, que tem baixo potencial de polêmica.
O colegiado passou a ouvir as defesas das partes de um recurso sobre o pagamento de ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis) por empresas de compra, venda ou locação de imóveis ao transferir bens e direitos para incorporação ao capital social.
O plenário é organizado de acordo com a data de entrada de cada magistrado. Moraes assumiu a cadeira em 2017 e Me ndonça em 2021.
PF vê omissão da AGU em crise com Mendonça, e orgão de Messias diz que evitou risco à investigação
JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Integrantes da cúpula da Polícia Federal dizem ver omissão da AGU (Advocacia-Geral da União) na crise que culminou na ordem do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), para elaboração de um relatório que expôs trocas de mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
O órgão comandado por Jorge Messias, por sua vez, tem apontado que a PF propõe medidas que poderiam resultar na anulação de investigações sobre o Banco Master.
A troca de acusações é o último capítulo da disputa que escalou entre a AGU e a PF nos últimos meses. O embate começou quando a Polícia Federal passou a demandar que a AGU atuasse perante o Supremo para tentar reduzir o controle do ministro Dias Toffoli sobre os inquéritos do qual ele era relator.
A AGU, responsável por representar juridicamente a União, tem se manifestado de forma contrária esse tipo de demanda.
Messias já tentou articular uma solução consensual para o conflito e marcou em agosto uma reunião entre Mendonça e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não esteve no encontro.
Os atritos começaram ainda no período em que Dias Toffoli era o relator dos inquéritos do Master no STF.
Em janeiro deste ano, a Polícia Federal pediu que a AGU acionasse o Supremo para questionar a decisão de Toffoli de definir os peritos que atuariam na análise das provas do caso.
À época, a AGU argumentou que não cabia a ela tratar de assuntos de competência criminal e que o caso Master não era um tema de governo.
Em fevereiro, Toffoli deixou o caso Master após a revelação de que houve trocas de mensagens entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem o ministro entre seus sócios. O caso foi então sorteado para Mendonça.
O ministro acabou acumulando os inquéritos ao de outra importante operação, a Sem Desconto, que trata de suspeitas de desvios em benefícios do INSS. Reservadamente, passou a manifestar desconfianças sobre investigadores.
Ele restringiu o acesso da cúpula da PF a informações dos inquéritos na medida em que as investigações avançavam sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Em julho, Mendonça determinou que todos os atos da investigação sobre fraudes no INSS fossem juntados ao processo que tramita em seu gabinete.
Deste modo, essas informações não poderiam passar mais por outros departamentos da PF, como a Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro.
Mendonça também determinou que qualquer afastamento de policiais da equipe de investigadores seja comunicado previamente a ele e que a remessa de todas as extrações de dados seja enviada a seu gabinete.
As medidas foram interpretadas na PF como uma uma intromissão do magistrado na gestão de suas equipes e uma violação às competências da corporação. A polícia pediu à AGU que encontrasse algum remédio judicial para rebater a determinação do ministro, o que não aconteceu.
Na semana passada, em mais um dos episódios decorrentes da crise entre instituições, Mendonça ordenou que a PF fizesse a análise e identificasse em 72 horas todas as pessoas mencionadas em determinadas mensagens que estavam no celular de Vorcaro.
Essas mensagens eram trocadas com Alexandre de Moraes e incluíam menções a Andrei e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A ordem do ministro, como a Folha de S. Paulo mostrou, foi vista com desconforto por setores da Polícia Federal, que avaliaram a decisão como uma tentativa de conduzir a investigação, que cabe à corporação.
Mas ela também acirrou os ânimos desses setores da PF em relação à AGU. A situação se agrava por Messias poder ser indicado ao Supremo novamente, com o apoio de André Mendonça.
Dentro da AGU, o entendimento é de que não houve omissão e de que o órgão não pretende abrir um flanco para que a validade desses inquéritos seja colocada em xeque por advogados dos alvos.
O entendimento é que, ao convidar Mendonça e Wellington para a reunião, Messias tentou dar uma solução política e de consenso ao caso, e que a chefia da PF também deveria ter procurado o ministro do STF.
O material elaborado pela PF sobre alexandre de Moraes, que teve o sigilo retirado nesta terça-feira (1º), mostrou uma série de envio de mensagens de Vorcaro para Moraes, inclusive uma na qual o ex-banqueiro questiona se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso ao tentar viajar para o exterior.
Mendonça confirma depoimento de Vorcaro sem PF, mas diz que Moraes não foi tema do encontro
(FOLHAPRESS) - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça confirmou que houve um recente depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pelo escândalo do Banco Master, com presença do Ministério Público e sem a Polícia Federal (PF).
De acordo com nota publicada na tarde desta quarta-feira (2), por meio de sua assessoria de imprensa, não foram abordados temas relacionados a seu colega de corte Alexandre de Moraes.
Moraes está no centro de uma das mais graves crises da história do Supremo, após a revelação de que o ministro mantinha contato com Vorcaro e tratava com o ex-banqueiro justamente das investigações contra o Master.
O depoimento no gabinete de Mendonça, relator da investigação do Master no Supremo, sem a PF, foi revelado pelo jornal O Globo.
"O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar", afirmou o ministro, por meio de nota.
A data não foi revelada. Segundo Mendonça, a presença do Ministério Público é obrigatória em casos como estes; a da PF, não.
"Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete", afirmou o ministro.
"O conteúdo da audiência é resguardado por sigilo legal. Registre-se, apenas, que a informação de que teriam sido abordados temas relacionados ao ministro Alexandre de Moraes não procede", completou.
Este foi o segundo posicionamento público de Mendonça sobre o Masterapenas nesta quarta. No primeiro, ainda pela manhã, confirmou que teve um encontro com Vorcaro em 2025, como mostrou o repórter Paulo Motoryn em sua página Noites Húngaras.
O relator tem sido criticado por parte da PF que vê possível excesso na atuação do ministro.
Na manhã desta quarta, o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que tomará medidas "cabíveis e necessárias" nos próximos dias após a revelação das mensagens de Vorcaro.
"A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal", disse Fachin sem citar nominalmente Moraes, Mendonça, o ex-banqueiro ou o Master.
As mensagens divulgadas nesta terça mostram Vorcaro procurou Moraes enquanto tentava salvar o Master, faz perguntas sobre o andamento das investigações contra seu banco e, às vésperas de ser preso, chega não só a marcar um encontro com o ministro, mas inclusive questioná-lo se haveria necessidade de fugir do país.
O material também registra pedidos para que fossem acionados o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para tentar frear as apurações.
Outros documentos tratam de um contrato de cerca de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e de uma segunda proposta, de R$ 50 milhões, que previa o pagamento com cotas de um jatinho e de um helicóptero.
Parte das mensagens é atribuída diretamente a Moraes. Em outros trechos, a PF afirma apenas suspeitar que o ministro seria o interlocutor de Vorcaro. A extração recuperou conteúdos enviados pelo ex-banqueiro, mas não eventuais respostas, porque os dois usariam imagens de visualização única com textos escritos em outro aplicativo. Os documentos também não demonstram que os pedidos feitos por Vorcaro tenham sido atendidos.
Vorcaro foi preso pela PF no dia 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. Documentos mostram que no dia 14 ele pergunta a Moraes se está "marcado amanhã lá em casa" ou se "prefere deixar para semana que vem". Minutos depois, confirma: "Vou chegar 14:30 ok! La em casa marcado".
Na noite do dia 15 de novembro, dois dias antes de ser preso, o ex-banqueiro pede um encontro com Moraes que "pode ser bem rápido". "As 14 então. Passo na sua casa ou na minha?", completa.
Na ocasião, um sábado, Vorcaro envia a Moraes a mensagem: "Acha que segunda já tenho que estar fora?", questionando sobre a necessidade de sair do país. No dia seguinte, 16, um domingo, avisa: "Já estou em voo, vou pousar 14:20 e irei direto praí, tudo bem?"
Mendonça chamou reunião surpresa para requisitar relatório sobre Moraes, e PF vê excesso de ministro
JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A ordem do ministro André Mendonça que levou a Polícia Federal a elaborar um documento com análises dos diálogos entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, seu colega de STF (Supremo Tribunal Federal), foi apresentada de surpresa em uma reunião na semana passada com integrantes da corporação.
A determinação criou o temor entre investigadores de que o avanço sobre Moraes e outras autoridades -como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues- pudessem ser vistas como um excesso e levar à anulação de apurações relacionadas ao Banco Master.
A ordem do ministro foi vista com desconforto por setores da Polícia Federal, que avaliaram a decisão como uma tentativa de conduzir a investigação, que cabe à coorporação.
O material elaborado pela PF, que teve o sigilo retirado nesta terça-feira (1º), mostrou uma série de trocas de mensagens entre o ministro e Vorcaro, inclusive uma na qual o ex-banqueiro questiona se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso ao tentar viajar para o exterior.
O encontro de Mendonça com integrantes da PF aconteceu em 24 de agosto, sob solicitação do próprio ministro. Ele tem se reunido com regularidade com as equipes que trabalham nas investigações relacionadas às operações Compliance Zero (sobre o Master) e Sem Desconto (de fraudes no INSS, que se desdobraram nas apurações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha).
Segundo investigadores, Mendonça convocou a reunião sob pretexto de tratar de uma diligência da PF sobre outro tema. Mas, quando a reunião começou, os policiais foram surpreendidos ao receber o despacho, que já estava pronto, para ser cumprido.
Nele, Mendonça determinou que a PF fizesse a análise e identificasse em 72 horas todas as pessoas mencionadas em determinadas mensagens que estavam no celular de Vorcaro.
O ministro mandou identificar inclusive detentores de foro no Supremo e pessoas às quais cabe apenas ao plenário julgar -como integrantes do próprio STF e o procurador-geral da República.
Parte das mensagens trocadas com Moraes já havia aparecido em outros inquéritos, como o que investiga suspeitas de irregularidades no relacionamento de servidores do Banco Central com Vorcaro. A polícia, porém, não nomeava quem era o interlocutor do ex-banqueiro.
Procurado pela reportagem, o ministro André Mendonça não se manifestou.
Internamente, integrantes da PF temem que a análise das conversas de Moraes com Vorcaro acabem sendo interpretadas como o início de uma investigação policial sobre o ministro, sem autorização do plenário da corte.
Outra preocupação da PF é que a crise causada dentro do Supremo acabem provocando a anulação, de forma colegiada, das demais apurações sobre os esquemas de Daniel Vorcaro.
A interpretação é a mesma que levou o próprio Gonet a pedir a nulidade da decisão de Mendonça, na noite desta terça. O PGR disse que o ministro não pode se valer "da polícia judiciária como sua longa manus para atividades que não lhe foram assinaladas" e que a ordem foi feita "sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da autoridade policial".
O próprio Gonet é citado na análise da PF feita a pedido de Mendonça. Em diálogos com Vorcaro, um advogado encaminha mensagens atribuídas ao procurador-geral da República. Procurado sobre o tema, Gonet não se manifestou.
Integrantes da polícia também dizem que a própria corte não levou à frente suspeitas anteriores no caso Master que envolveram um ministro do STF -no caso, Dias Toffoli.
Em fevereiro, a PF entregou ao presidente da corte um relatório mostrando uma troca de mensagens entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem o ministro entre seus sócios.
O documento levou Toffoli a deixar a relatoria do caso Master, que foi sorteada para Mendonça, mas acabou sendo arquivado pelo presidente do STF, Edson Fachin.
Mendonça tem escalado tensões tanto com a cúpula da Polícai Federal quanto com outros integrantes do Supremo devido à centralização de investigações que estão sob sua supervisão.
O ministro tem se queixado de demora na apuração de desdobramentos do caso do INSS e vê uma tentativa de impedir que elas avancem sobre aliados e familiares do presidente Lula (PT), candidato à reeleição em 2026.
A cúpula da PF, por sua vez, vê como intromissões do relator na sua autonomia para conduzir os trabalhos, ao determinar, por exemplo, que qualquer mudança na equipe de investigadores lhe seja comunicada de antemão.
No mês passado, o magistrado decidiu determinar que todos os atos da investigação do INSS sejam imediatamente anexados ao processo que tramita em seu gabinete, o que incomodou a cúpula da PF.
As decisões do ministro também criaram conflitos com a PGR, que pediu o envio do material sobre Lulinha para a primeira instância, por não haver pessoas com foro especial no Supremo investigadas no caso.
Mensagens em poder da PF expõem elos e indicam atuação de Moraes a favor de Vorcaro
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a favor do ex-banqueiro e colocaram os órgãos da cúpula do Judiciário em uma crise inédita.
A retirada de sigilo da investigação nesta terça-feira (1º) , por decisão do ministro André Mendonça, aponta que, dias antes de ser preso pela PF, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país. O conteúdo revela ainda que o dono do Master, atualmente preso, pediu encontros com o magistrado para tratar dos negócios que o tornaram alvo de investigação por fraude bancária bilionária -e que eles se encontraram pelo menos seis vezes.
As informações em poder da PF mostram também que Moraes fez edições no contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Master, antes de o documento ser assinado. Procurado pela reportagem, o ministro não se manifestou.
Além de acirrar uma guerra interna dentro do STF e de mobilizar a oposição pelo impeachment de Moraes, as revelações geraram reação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, também citado nas conversas. Ele pediu a anulação do relatório da PF e disse que Mendonça "se valeu da polícia" para "impor a investigação" de Moraes, exercendo "atividades que não lhe foram assinaladas".
Mendonça solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, para que seja marcada sessão presencial do plenário do STF para debater as mensagens. Ele havia pedido que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestasse sobre o caso, no qual aparecem também mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor a atuação de "Andrei e Paulo" a seu favor -as referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet.
Vorcaro foi preso pela PF no dia 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. Documentos mostram que no dia 14 ele pergunta a Moraes se está "marcado amanhã lá em casa" ou se "prefere deixar para semana que vem". Minutos depois, confirma: "Vou chegar 14:30 ok! La em casa marcado".
Na noite do dia 15 de novembro, dois dias antes de ser preso, o ex-banqueiro pede um encontro com Moraes que "pode ser bem rápido". "As 14 então. Passo na sua casa ou na minha?", completa.
Na ocasião, um sábado, Vorcaro envia a Moraes a mensagem: "Acha que segunda já tenho que estar fora?", questionando sobre a necessidade de sair do país. No dia seguinte, 16, um domingo, avisa: "Já estou em voo, vou pousar 14:20 e irei direto praí, tudo bem?"
As trocas de mensagem sobre os encontros aconteceram simultaneamente a outras mensagens, nas quais Vorcaro questionava Moraes sobre o andamento do processo contra ele e o Master.
Durante as trocas, o dono do Master pergunta diversas vezes sobre as apurações contra ele, se mostra indignado e diz que está tentando resolver todas as pendências para evitar problemas.
As conversas entre Vorcaro e Moraes constam de material apreendido no celular do ex-banqueiro. Vorcaro costumava mandar mensagens em visualização única, que somem logo após serem lidas, e fazia isso enviando prints de textos anotados no bloco de notas do celular. A PF foi capaz de recuperar o conteúdo.
O relatório produzido mostra ainda que Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro (PL), intermediou o contato entre Vorcaro e Moraes. De acordo com o material, Faria repassou os números de telefone de Moraes a Vorcaro, no final de 2023, por meio do aplicativo WhatsApp, que foi salvo logo em seguida em sua agenda.
Logo em seguida, Faria encaminhou mensagem ao dono do Master mencionando "Alex" e "almoço no dia 30". A PF registrou também que, no mês seguinte, o ex-ministro de Bolsonaro perguntou a Vorcaro se ele poderia falar, pois iria conversar com interlocutor não nominado no diálogo, ao qual se refere por meio do emoji de "homem careca".
No mesmo dia, ele perguntou se Vorcaro "respondeu a Vivi". Dois dias depois, em 17 de janeiro de 2024, o contato "Vivi Moraes" retornou com a versão final do contrato firmado entre o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, com o dono do Master.
O acordo teve a sua última modificação feita pelo usuário "Ministro Alexandre de Moraes", em 15 de janeiro de 2024, conforme metadados do documento.
Em outra mensagem, Faria enviou mensagem a Vorcaro informando que havia confirmado jantar com "o Careca" para o início de fevereiro. Já em março de 2024, foi pedido um outro encontro por ele a Moraes, que respondeu que não conseguia jantar, mas teria tempo "de tomar um whisky".
Em nota, Faria disse que sugeriu o escritório Barci de Moraes para atuação em um caso na Justiça de São Paulo, que não se reuniu em nenhum momento com a banca e "sequer tomou conhecimento dos valores contratados entre as partes".
A investigação da PF mostra que a transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero como pagamento por um segundo contrato com o escritório de Viviane Barci de Moraes.
O contrato de R$ 50 milhões previa quitar R$ 40 milhões com a transferência de cotas das duas aeronaves. Outros R$ 10 milhões seriam acertados como reembolso das despesas envolvidas nos voos, segundo uma minuta de contrato.
Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes disse que assinou apenas um primeiro contrato, de cerca de R$ 130 milhões, com o Master e nega "transferência ou substituição do contrato". Diz ainda que a proposta de Vorcaro não foi aceita e que "nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição".
SENADO E CAMPANHA ELEITORAL
No Senado, responsável por sabatinar e votar a indicação de nomes ao Supremo, a oposição subiu o tom nas cobranças pelo impeachment de Moraes, embora admita poucos efeitos práticos, diante da falta de votos e de apoio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Reservadamente, dois aliados de Alcolumbre dizem não ver qualquer mudança de postura por parte dele, a partir das novas informações sobre a relação entre o ministro e o ex-banqueiro.
O candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) defendeu que o ministro renuncie ao cargo e cobrou explicações -apesar de, ele próprio, evitar responder sobre sua relação com Vorcaro. O ex-banqueiro financiou o filme "Dark Horse", que contará a história de seu pai.
Aliados de Lula (PT), por sua vez, minimizaram o risco de abalos à candidatura à reeleição do petista, afirmando que Flávio, seu principal oponente, é quem será afetado pelos avanços das investigações do caso Master, especialmente em decorrência do escândalo "Dark Horse".
Oposição cobra impeachment de Moraes, mas vê resistência de Alcolumbre e centrão
AUGUSTO TENÓRIO, CAROLINA LINHARES E THAÍSA OLIVEIRA-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Senadores de oposição falam em aumentar a cobrança pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), mas admitem poucos efeitos práticos, diante da falta de votos e de apoio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Reservadamente, dois aliados de Alcolumbre dizem não ver qualquer mudança de postura por parte dele, a partir das novas informações sobre a relação do ministro do Supremo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
Um deles afirma que a possibilidade de o senador dar início a um processo de impeachment continua igual a zero e que qualquer desdobramento no Senado só deve ocorrer depois das eleições.
Alcolumbre, Moraes e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) jantam juntos frequentemente e têm uma relação de bastante proximidade. Na presidência, os dois senadores sempre se colocaram como anteparo do afastamento de Moraes.
Um dos principais líderes do centrão, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que é investigado pela Polícia Federal no caso Master, não quis responder sobre o pedido de impeachment nem sobre o teor do inquérito que veio à público nesta terça. Ciro afirmou que não tinha visto o noticiário e que está focado na reeleição dele.
"Eu só quero saber de eleição no Piauí. Nenhuma outra pauta. Esse não é meu foco, desculpa", disse o senador, suspeito de receber dinheiro vivo e viagens de luxo de Vorcaro e de atuar a favor dos interesses dele no Congresso Nacional.
Para aumentar a pressão pública, parte da oposição discute repetir o motim feito quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso, em agosto do ano passado, segundo a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
"O Brasil aguarda isso. Defendo ocuparmos o Senado até o impeachment ou a renúncia de Moraes. O Brasil aguarda isso, é estarrecedor", afirma.
As notícias envolvendo Moraes e Vorcaro foram discutidas nesta terça-feira (1º) durante um almoço organizado semanalmente entre bolsonaristas. Segundo relatos, o clima foi de resignação.
"O presidente [Davi Alcolumbre] tem feito acordos e mantido pedidos de impeachment na gaveta. O Senado é a Casa que tem que ter altivez. Não podemos mais deixar de dar respostas", diz o senador Carlos Viana (PSD-MG).
Parlamentares dos dois lados afirmam que as revelações sobre Moraes e Vorcaro devem incendiar ainda mais as eleições, tanto a de presidente da República como a de senadores. O caso também estará no centro da manifestação bolsonarista marcada para o feriado de 7 de Setembro, em São Paulo.
Sem maioria política no Senado para um processo de impeachment, o candidato à Presidência do PL, senador Flávio Bolsonaro, defendeu que o ministro renuncie ao cargo e cobrou explicações -apesar de, ele próprio, evitar responder sobre sua relação com Vorcaro. O ex-banqueiro financiou o filme "Dark Horse", que contará a história de seu pai, Jair Bolsonaro.
"É uma coisa muito grave. Eu acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem mais condição dele continuar sendo ministro do Supremo", disse Flávio a jornalistas.
O líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), anunciou um novo pedido de impeachment e disse que o grupo vai continuar fazendo a parte dele. Segundo o Partido Novo, há 53 pedidos de afastamento contra Moraes no Senado.
Integrantes do governo avaliam que as revelações desta terça devem tumultuar o Senado, mas não a ponto de impedir votações como a do fim da escala de trabalho 6x1 na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), prevista para esta quarta-feira (2).
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que a oposição quer se aproveitar dos fatos para impor uma pauta que já defende há mais tempo, o impeachment de Moraes. A senadora admitiu, porém, que as suspeitas sobre o ministro são graves.
"A nossa pauta não é essa", disse a senadora sobre o afastamento do ministro, defendendo que o Congresso se debruce exclusivamente sobre os temas pautados para esta semana, como a medida que acaba com o imposto de importação para compras internacionais até US$ 50.
"Esses projetos não interessam apenas ao governo, eles são projetos que interessam à sociedade. Se a oposição não quer fazer do Senado a caixa de ressonância da sociedade, eles têm que ser responsabilizados. Estão colocando o debate eleitoral acima das questões políticas", disse.
Durante a tarde, Flávio fez um discurso no plenário, cobrando que o Senado abra o processo de impeachment contra Moraes.
A sessão foi dominada pela indicação de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), um aliado de Moraes, ao TCU (Tribunal de Contas da União), sendo que a maioria dos senadores ignorou as revelações desta terça -além de Flávio, apenas Viana, Magno Malta (PL-ES), Alessandro Vieira (MDB-SE) e Esperidião Amin (PP-SC) falaram sobre o ministro.
"Alexandre de Moraes precisa ter o processo de impeachment imediatamente iniciado. [...] Não dá para fingir que ele não cometeu crime de responsabilidade, pelo amor de Deus", disse o candidato do PL.
"É muito preocupante essa espécie de anestesia que estamos vendo por parte do Poder Legislativo. [...] Até quando esse Senado vai tapar os olhos. [...] Cadê os defensores da democracia que não estão falando desse absurdo, desse conluio, desses crimes que claramente foram praticados por Alexandre de Moraes?", questionou Flávio.
O senador acusou o STF de ameaçar a política. "Hoje todo mundo aqui, de um jeito ou de outro, acaba vivendo sob uma espécie de ameaça, uma espada apontada para a sua cabeça. [...] Vamos ficar aceitando esse estado policialesco de ameaça, de interferência na política até quando?", disse.
Flávio também provocou Alcolumbre, que é próximo de Moraes, lembrando que foi por meio do ministro que Lula (PT) e o presidente do Senado se reaproximaram. "O presidente da República tem que se servir de Alexandre de Moraes para fazer articulação política, presidente Davi, com Vossa Excelência", declarou.
Investigação da Polícia Federal tornada pública nesta terça indica que Vorcaro perguntou a Moraes se deveria fugir do país, dois dias antes da operação em que acabou preso, em novembro do ano passado.
Moraes também editou o contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes.
Além do pedido de impeachment de Moraes, a oposição apresentou uma queixa-crime contra ele na PGR (Procuradoria-Geral da República) e um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, em que pede a abertura de uma investigação.
A oposição afirmou que também vai enviar um ofício ao presidente Lula pedindo o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e acionar a PGR contra ele -mas não por meio do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que acusam de estar contaminado.
Em mensagens enviadas a Moraes, Vorcaro pergunta se o ministro poderia intervir a favor dele junto a Andrei ou a Gonet. Relatório da PF aponta que um filho de Gonet pediu a Vorcaro para ir a um evento custeado pelo então banqueiro em Londres, com despesas pagas.
Entenda como a PF ligou mensagens de Vorcaro no WhatsApp a Moraes, mesmo com visualização única
PEDRO S. TEIXEIRA-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Antes de cada mensagem que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro enviou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o dono do Banco Master sempre abria o bloco de notas, fazia um printscreen e salvava a imagem, de acordo com a Polícia Federal. Esse padrão foi o elo usado para reconstruir o diálogo na investigação que veio a público nesta terça-feira (1º).
Vorcaro teria perguntado, por exemplo, se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal no fim de novembro. Capturas de tela, arquivos PDFs temporários e o histórico de atividades no sistema do celular do ex-banqueiro permitiram que a PF chegasse a essa conclusão, embora as mensagens de visualização única do WhatsApp usadas na ocasião não deixem vestígios no próprio aplicativo.
Os novos trechos da apuração contra o Banco Master vieram a público por decisão do também ministro do STF André Mendonça. A Folha de S. Paulo procurou Moraes nesta terça, e ele ainda não se manifestou.
A identificação das mensagens de Vorcaro a Moraes começou com a apreensão de um iPhone 17 Pro, durante a primeira prisão do então dono do Banco Master, em 18 de novembro de 2025.
A criptografia do aparelho, que tem acesso protegido por senha ou biometria facial, foi quebrada com o uso de um software israelense chamado Cellebrite. A ferramenta, de uso restrito às forças policiais quando há decisão judicial, dá acesso a dados ocultos do sistema de iPhones -e também de smartphones Android.
Mesmo que as mensagens de visualização única não fiquem no aplicativo, as autoridades conseguem saber quando o ex-banqueiro abriu um aplicativo como o bloco de notas, quando fez capturas de tela, quando enviou a mensagem e quem era o destinatário.
Esses foram os "elementos de prova" empregados para embasar a "hipótese criminal", segundo os autos.
Com acesso aos arquivos, a PF recorre a um software próprio, chamado Iped, que organiza todos os arquivos de acordo com informações dos aplicativos para gerar relatórios. Desse modo, as autoridades conseguem inferir quais foram as mensagens enviadas no modo de visualização única.
De acordo com a investigação, as autoridades listaram os logs, registros das atividades realizadas no aparelho (como o envio de uma mensagem no WhatsApp), e o histórico de uso de aplicativos, que aponta quando o usuário abriu o bloco de notas ou fez uma captura de tela.
"Verificou-se um padrão de comunicação consistente no compartilhamento de mensagens no
aplicativo WhatsApp, mediante capturas de tela de textos redigidos no aplicativo de
notas do celular do remetente", diz a PF em relatório.
Foram analisados 31.975 logs e 43.298 usos de aplicativos, segundo a PF.
Segundo o relatório, a análise cronológica demonstrou que o ex-banqueiro adotou, em diversas ocasiões, os seguintes passos em rápida sucessão: "A abertura do aplicativo Bloco de Notas, modificação do arquivo de notas, realização da captura de tela e concomitante geração de um arquivo PDF de idêntico teor na pasta temporária, fechamento do Bloco de Notas, abertura do aplicativo WhatsApp, envio de mensagem e, por fim, fechamento do WhatsApp."
"Essa sequência ininterrupta de ações estabelece correlação entre a geração da imagem e o seu posterior envio a interlocutor específico", afirma o relatório da PF.
Além dos prints, os agentes encontraram arquivos PDFs, que Vorcaro também gravou ao fazer a captura de tela. De acordo com as autoridades, esses documentos foram gerados de maneira involuntária e ficaram salvos temporariamente.
"A presença de arquivos PDF com conteúdo idêntico ao dos blocos de notas capturados demonstra que tais textos foram efetivamente exibidos e manipulados no aparelho examinado, funcionando como registro involuntário deixado pelo próprio sistema e corroborando a dinâmica descrita", diz o relatório.
Os prints do bloco de notas do então dono do Banco Master permitiram que as autoridades periciassem as mensagens de visualização única, segundo funcionários de WhatsApp e Signal (um concorrente que fornece tecnologia ao WhatsApp) ouvidos pela reportagem sob condição de anonimato.
A captura de tela deixa vestígios no aparelho em várias etapas: quando é tirada, quando é copiada e quando é colada em uma conversa.
Caso Vorcaro tivesse tirado uma foto de uma anotação ou gravado um áudio usando as ferramentas do próprio app, o conteúdo não ficaria salvo no aparelho e teria sido criptografado de ponta a ponta -isto é, dependeria de uma chave para ser visualizado.
O diretor-executivo do ITS-Rio (Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro), Fabro Steibel, afirma que o envio de uma mensagem única torna bastante difícil, senão impossível, apontar qual foi a mensagem já visualizada de maneira categórica -o que serviria de prova material.
"Se, para além do WhatsApp, o usuário usou outros programas, é possível encontrar evidências circunstanciais", diz Steibel.
Além de dar acesso aos dados de comunicação, a ferramenta permite que a PF saiba se a mensagem foi visualizada, além de dados como a rede wi-fi de acesso e a localização. Cada informação pode ser útil no reforço da tese das autoridades.
Moraes editou contrato de R$ 131 milhões de Vorcaro com escritório de esposa
LUÍSA MARTINS E JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), fez edições em contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master, de Daniel Vorcaro, antes de o documento ser assinado.
As informações constam em análise da Polícia Federal sobre metadados de documento do contrato que estava no celular do ex-banqueiro. A investigação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela reportagem.
Em nota, o escritório Barci de Moraes diz que, "em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master ao [escritório] Barci de Moraes, o setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia diretora do referido escritório".
Essas informações, diz a nota, tratavam de "eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente".
"Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados", diz o escritório.
O escritório de Viviane já tinha admitido ter mantido um contrato com o Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, mês em que houve a liquidação do banco -o que equivale a 11 meses de serviços prestados em cada um dos anos.
No começo desta semana, o ministro André Mendonça, relator do inquérito do Master no Supremo, pediu que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre um documento da Polícia Federal no qual há mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor a atuação de "Andrei e Paulo" a seu favor.
A pessoa para quem tinha sido enviada essa mensagem não havia sido identificada inicialmente, mas a PF aponta suspeita que o interlocutor seja Moraes.
As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, o procurador-geral da República.
A reportagem procurou, por mensagem às assessorias às 9h40 desta terça-feira (1º), Andrei, Gonet e Moraes, mas eles ainda não se manifestaram.
Mendonça deu um prazo de cinco dias para que a PGR se manifeste a respeito do documento da PF.
Em março, o jornal O Globo revelou que Vorcaro trocou mensagens de WhatsApp com Moraes ao longo do dia em que foi preso pela primeira vez. A informação foi confirmada pela Folha de S. Paulo.
Nas conversas, reveladas a partir de dados obtidos do celular de Vorcaro, o então banqueiro narra negociações para tentar salvar o Master. Ele faz referência a tratativas com a financeira Fictor, cujo acordo seria anunciado na tarde daquele dia. "Estou tentando antecipar os investidores e tenho chances de conseguir assinar e anunciar ainda hoje uma parte", disse Vorcaro em um dos textos enviados.
Depois, durante a tarde, Vorcaro confirmou o suposto acordo com a Fictor, às 17h22. "Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação", disse. Naquele momento, um comunicado sobre a transação foi à imprensa.
À época, Moraes disse que ele "não recebeu essas mensagens" que foram citadas em reportagens. "Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal", completa.
Comentários para "Mendonça confirma depoimento de Vorcaro sem PF, mas diz que Moraes não foi tema do encontro":