Jurista sul-africana foi reconhecida por combater crimes de guerra, genocídio e o regime do apartheid
Portal Brasil 247 - 09/10/2026 06:54:26 | Foto: Reprodução Portal Brasil 247
O Comitê Norueguês do Nobel concedeu o Prêmio Nobel da Paz de 2026 à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, em reconhecimento aos seus históricos esforços na defesa dos direitos humanos, da paz e na consolidação do direito internacional. O anúncio oficial ocorreu nesta sexta-feira (9), em Oslo, na Noruega. Aos 85 anos, a trajetória da laureada foi destacada pelo comitê por sua contribuição decisiva na construção de uma ordem jurídica global mais abrangente e na garantia do julgamento de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.
Nascida em Durban, na África do Sul, em 1941, durante o regime segregacionista do apartheid, Pillay é de origem tâmil indiana e cresceu em um bairro vulnerável. Ela ingressou no estudo do Direito com o apoio financeiro de sua comunidade local e enfrentou intensa discriminação estrutural e exclusão ao longo de sua formação. Em 1967, diante da recusa de escritórios regionais em contratá-la, abriu o próprio escritório de advocacia. Durante os 28 anos em que atuou como advogada, defendeu ativistas contrários ao regime de segregação racial, denunciou episódios de tortura e combateu as péssimas condições impostas aos presos políticos. Em 1973, sua atuação foi determinante para garantir a detidos célebres, incluindo Nelson Mandela, o direito fundamental de acesso a advogados.
Com o fim do apartheid, Pillay alcançou marcos históricos em seu país e no cenário global. Em 1995, foi nomeada para a Suprema Corte da África do Sul, tornando-se a primeira mulher não branca a ocupar o cargo de juíza no tribunal superior do país. Sua carreira expandiu-se internacionalmente ao atuar como juíza no Tribunal Penal Internacional (TPI) e ao presidir o Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR). Entre os anos de 2008 e 2014, assumiu o posto de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Até período recente, Pillay esteve à frente da Comissão Internacional Independente de Inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Território Palestino Ocupado. Atualmente, a jurista atua como juíza da Corte Internacional de Justiça (CIJ) no processo em que Mianmar responde por acusações de genocídio.
Ao fundamentar a escolha, o Comitê Norueguês do Nobel enalteceu a coragem, a integridade e a firmeza moral demonstradas por Pillay ao longo de seis décadas de carreira. De acordo com o órgão, a atuação da sul-africana ampliou o alcance da justiça universal e reafirmou a relevância de fortalecer o Estado de Direito em escala global, servindo de inspiração para a construção de um mundo mais justo e pacífico.
Neste ano, a premiação do Nobel incluiu um reajuste de 9% no valor financeiro concedido aos vencedores, alcançando US$ 1,22 milhão (aproximadamente R$ 6,3 milhões). Além do montante, os laureados recebem um diploma e uma medalha de ouro de 18 quilates.
A premiação de Navi Pillay faz parte da temporada de anúncios do Nobel de 2026, iniciada no dia 5 de outubro. Na mesma semana, foram anunciados Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel na categoria de Medicina; Francis Halzen em Física; Henri B. Kagan e Kenso Soai em Química; e Anne Carson em Literatura. O ciclo de anúncios será encerrado na próxima segunda-feira (12), com o Prêmio de Ciências Econômicas. A cerimônia oficial de entrega de todos os prêmios ocorrerá tradicionalmente em dezembro, durante o chamado Nobel Day , em eventos realizados em Estocolmo e Oslo.
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