Mundo precisa de uma mensagem de paz, diz papa após novo ataque de Trump

Lula defende papa após ataques de Trump

Mundo precisa de uma mensagem de paz, diz papa após novo ataque de Trump
Mundo precisa de uma mensagem de paz, diz papa após novo ataque de Trump

Guilherme Botacini Brasília, Df (folhapress) - 16/04/2026 10:26:51 | Foto: ©Vatican Media

O papa Leão 14 voltou a dar declarações contrárias a guerras após novos ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem publicado em sua rede, a Truth Social, mensagens com críticas ao pontífice.

"Em dois dias na Argélia, tivemos uma oportunidade maravilhosa para continuar criando pontes, promovendo diálogo. Acredito que a visita à mesquita foi significativa, para mostrar que mesmo com crenças diferentes, temos diferentes formas de praticar a religião e diferentes maneiras de viver, mas podemos viver juntos em paz", disse o pontífice a jornalistas a bordo do avião papal, a caminho de Camarões.

"Por isso acredito que promover esse tipo de imagem é algo que o mundo precisa ouvir hoje, [algo] que juntos podemos continuar a transmitir, através do nosso testemunho, à medida que prosseguimos nesta viagem apostólica", disse Leão, que está em viagem à África, a primeira de larga escala de seu pontificado.

Mais cedo, Trump republicou postagem de apoiador que mostra supostas republicações de postagens que criticam Trump e o vice-presidente americano, J. D. Vance feitas por um perfil sob a alcunha Robert Prevost, o nome de Leão.

Em seguida, Trump republicou uma outra postagem em que um seguidor publicou uma imagem de Trump de olhos fechados, à frente de uma bandeira dos EUA, sendo abraçado por Jesus Cristo. Nesta semana, o republicano havia publicado uma imagem feita com inteligência artificial em que Trump aparece como se fosse Jesus -a imagem foi deletada de seu perfil após críticas de conservadores e católicos americanos.

Em entrevista a jornalistas depois, o presidente disse que ele mesmo havia publicado a imagem. "Achei que fosse eu como médico e que tivesse a ver com a Cruz Vermelha, como um trabalhador da Cruz Vermelha lá, que nós apoiamos", disse, atribuindo à imprensa a comparação com Jesus.

Mesmo Vance, um católico convertido, tem reafirmado as críticas de Trump ao papa, embora em tons mais brandos. Após o pontífice dizer que Deus rejeita orações de líderes que fazem guerras, o vice-presidente questionou o papa durante evento na Universidade da Geórgia. "Deus estava do lado dos americanos que libertaram a França dos nazistas? Eu seguramente acho que a resposta é sim", disse Vance.

O vice-presidente afirmou ainda que o papa deveria "ser cuidadoso" quando fala sobre questões teológicas "da mesma forma que é importante que um vice-presidente dos EUA tenha cuidado ao falar de decisões de governo".

A tensão entre o líder da Igreja Católica e o presidente dos EUA tem se intensificado nos últimos dias. Leão não tem poupado Washington de críticas tanto pela condução do conflito quanto pela retórica bélica da Casa Branca, que tem tratado a disputa sob a ótica de uma guerra santa.

Nesta quarta, o papa visita os Camarões, onde também pediu o fim da guerra no país, que vive há anos um conflito entre o regime de Paul Biya e partes anglófonas do país ao norte.

"É tempo de examinar nossas consciências e dar um ousado salto adiante. Para que a paz e a justiça prevaleçam, as correntes da corrupção, que desfiguram a autoridade e retiram dela sua credibilidade, precisam ser quebradas", afirmou o pontífice em discurso duro no país africano. Biya, 93, tomou posse para seu oitavo mandato consecutivo à frente de Camarões em novembro, após eleição amplamente considerada fraudada.

Lula defende papa após ataques de Trump

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou em um vídeo que presta a "mais profunda solidariedade" ao papa Leão 14 após o líder religoso ter sido atacado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O conteúdo foi gravado para 62ª Assembleia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e compartilhado nas redes sociais nesta quarta-feira (15). "Defensores da paz e dos oprimidos têm sido atacados pelos poderosos que se julgam divindades a ser adoradas pelos simples mortais", diz o petista na mensagem gravada, sem citar Trump diretamente.

No dia anterior, em entrevista aos sites Brasil 247, Diário do Centro do Mundo e Fórum, Lula disse que "ninguém precisa ter medo de ninguém" e que os ataques do presidente americano não contribuem para o debate. "Ele [papa] está correto na crítica que ele fez ao presidente Trump."
Nesta quarta, o pontífice disse que o mundo precisa ouvir uma mensagem de paz e coexistência. "Ainda que tenhamos crenças diferentes, formas diferentes de culto e modos diferentes de viver, podemos viver juntos em paz", afirmou o líder da Igreja a jornalistas durante seu voo da Argélia para Camarões.

O papa afirmou que sua viagem pelo continente africano mostrou, até o momento, a importância de promover o diálogo entre diferentes comunidades, referindo-se aos seus dois dias na Argélia, majoritariamente muçulmana, onde a Igreja Católica é uma pequena minoria.

"Promover esse tipo de imagem é algo que o mundo precisa ouvir hoje." Leão 14 chegou nesta quarta-feira à capital de Camarões, Yaoundé, onde o primeiro-ministro Joseph Dion Ngute beijou sua mão após ele descer do avião papal.

Mais cedo nesta quarta (15), Trump fez um novo post em tom de provocação na rede social Truth Social. "Alguém, por favor, diga ao papa Leão que o Irã matou pelo menos 42.000 manifestantes inocentes e completamente desarmados nos últimos dois meses", escreveu o republicano.

Ele ainda disse que é "absolutamente inaceitável" para o Irã ter uma bomba nuclear. O americano também publicou uma imagem gerada por inteligência artifical que mostra ele abraçando Jesus.

Esta foi a segunda crítica de Trump ao pontífice em uma semana.

No domingo, ele chamou o papa de "terrível" e "fraco". O líder religioso respondeu na segunda. "Não tenho medo da administração Trump. Vou continuar a falar em voz alta da mensagem do Evangelho", disse.

A série de discussões marca o mais explícito confronto entre os dois desde que Robert Prevost foi eleito papa, em maio do ano passado, o primeiro americano da história a liderar a Igreja Católica.

Na terça (14), o vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, entrou na discussão e disse que é importante que o papa "tenha cuidado ao falar sobre questões de teologia" ao se referir ao conflito.

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