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O cachorro Pitbull é “naturalmente violento”? Conheça a raça

O cachorro Pitbull é “naturalmente violento”? Conheça a raçaFoto: Canil Del Manto

Uma raça que exige muitos cuidados

Estadão Conteúdo - 23/07/2020 - 06:15:33

Quem olha a foto de um filhote fofinho de Pitbull não imagina todos os cuidados e dedicação que a raça exige. Conhecer a fundo todas as suas características e necessidades é fundamental para que deseja ter um Pitbull em casa.

Qual a origem da raça Pitbull?

Segundo Leonardo Del’ Mastro da Guia, proprietário do Canil RJAWS, o American Pit Bull Terrier tem como origem inicial a Inglaterra, Irlanda e Escócia. Na verdade o cão que dá origem aos Pitbulls que conhecemos hoje são fruto do cruzamento dos antigos Bulldogs Ingleses (nada a ver com os de hoje) com Terriers (White Terrier e Manchester Terriers). O fruto desse cruzamento chamou-se Bull and Terrier ou Half and Half. Esse era o cão usado nos Pits (foço) para abater ratos, lutar com texugos e com cães após a proibição de Bull-Baiting em 1835.

Mas foi nos Estados Unidos que foi registrada pela primeira vez, no United Kennel Club (UKC) em 1898 e posteriormente no American Dog Breeders Association (ADBA) no ano de 1909.

Tamanho de um cachorro Pitbull adulto

A altura do Pitbull é mais uma questão de proporção. Altura X peso e, tem muito a ver linhas de sangue. Na raça APBT existem dois padrões “oficiais” Ukc (1936) e Adba (1976).

  • Ukc: A faixa de altura desejável para machos maduros é de 18 a 21 (45,72 cm/53,34 cm) polegadas na cernelha (do pescoço ao chão); para fêmeas maduras, é de 17 a 20 (43,18 cm/50,8 cm) polegadas na cernelha.
  • Adba: 2. Relação altura / peso – o cão mais alto com um determinado peso.
pitbull pulando

Pitbull praticando Top Dog – Foto: Canil Del Manto

Padrão da raça Pitbull

Leonardo aponta que é difícil determinar o padrão físico da raça, já que dentro da raça existem dezenas de seleções. Essas seleções fizeram linhagens (famílias) diferentes e muitas com suas características próprias. Mas no geral são cães atléticos, de médios para altos e sempre com boa musculatura e cabeças bem típicas.

O American Pit Bull Terrier é um cão de porte médio, de construção sólida, pelagem curta, musculatura bem definida. Esta raça é poderosa e atlética. O corpo é levemente mais longo que alto, sendo que as fêmeas podem ser um pouco mais longas que os machos.

O American Pit Bull Terrier se apresenta em todas as cores e marcações, exceto o merle. A raça combina resistência e atletismo com graça e agilidade e nunca deve ter aparência desajeitada ou com musculatura saliente ou ossos finos e pernalta.

Comportamento da raça Pitbull

Um cão equilibrado e muito amigos, fiel a sua família, em grande maioria das linhagens muito tolerante com crianças e até estranhos, geralmente muito intolerante a outros animais. Porém, dentro da raça existem cães que não toleram estranhos e em alguns casos cães que não aceitam nem crianças. Na história da raça existem casos de cães que morderam seus próprios donos, fora casos de cães que vieram a matar pessoas. Segundo Leonardo, esses são casos isolados, mas que não podem ser negados, assim como em tantas outras raças também.

A CBKC (Confederação Brasileira de Cinofilia) escreve que as características essenciais do American Pit Bull Terrier são a força, a autoconfiança e a alegria de viver. A raça gosta de agradar e é cheia de entusiasmo. É um excelente cão de companhia e é notável o seu amor por crianças. Pelo fato de a maioria dos American Pit Bull Terriers apresentar certo nível de agressividade contra outros cães, bem como pelo fato de seu físico ser poderoso, a raça necessita de proprietários que os sociabilizem cuidadosamente e que treinem obediência aos seus cães. A natural agilidade da raça torna-o um dos mais capazes escaladores e com frequência usa seus caninos para escalar uma cerca. O American Pit Bull Terrier não é a melhor escolha para os que procuram cães de guarda por ser extremamente amigável mesmo com desconhecidos. Comportamento agressivo para com o ser humano não é característico da raça e, portanto, é extremamente indesejável. A raça se sai muito bem em eventos de performance por seu alto grau de inteligência e sua vontade de trabalhar.

Para mais detalhes sobre a raça, clique aqui.

Os maiores problemas de saúde da raça são doenças de pele e problemas de rupturas de ligamento.

Cães dessa raça costumam viver, em média, 8 a 15 anos. Tudo irá depender de como o tutor trata e a alimentação oferecida.

Pitbull pulando

Uma raça forte e resistente – Foto: Canil Del Manto

Pitbulls são naturalmente perigosos?

A popularização da raça fez com que os cães acabassem nas mãos de pessoas sem conhecimento e preparo para lidar e selecionar cães. Leonardo conta que os Pitbulls criados de qualquer forma e sem seleção, acabaram gerando muitos cães atípicos na questão de comportamento. Outro ponto importante é por ter sido uma raça ligada intrinsecamente a rinhas. Cães de rinhas têm uma vida muito difícil, treinos, lutas, feridas, mortes, descarte (abandono ou mortos). Isso infelizmente é uma realidade da raça no Brasil e mundo até hoje.

São animais muito sociáveis com pessoas, mas é uma raça com suas peculiaridades. Por isso, precisam de uma rotina de exercícios. “O grande problema é na maioria das vezes o despreparo do tutor, a falta de conhecer a raça antes de adquirir! Com isso os problemas aparecem, no caso do Pitbull e outras raças de grande porte esses problemas podem ser mais graves” relata Marcelly P. Del Manto, fotógrafa e criadora de Pitbull.

Pensando nisso, o perfil ideal para tutores de Pit Bulls é uma pessoa que goste ou possa praticar exercícios diários com o cão. “Pessoas que desejam ter Pit Bulls não podem transformar cães em filhos, muitos acidentes acontecem por esse motivo, vemos quase que diariamente muitos casos” diz Leonardo.

Uma atividade que vem crescendo no Brasil é o Top Dog. Essa modalidade direciona as características intensas da raça para uma brincadeira, construindo uma relação entre o animal e o tutor. “É uma forma de gastar a energia dos cães e promover atividades saudáveis” explica Marcelly.

Os Pitbulls foram idealizados para participar de rinhas. Apesar de seu uma prática proibida, ainda é praticada em diversos locais, como pudemos ver recentemente no Brasil. No mundo, há países nos quais a prática é legal. As leis pouco severas sobre maus-tratos de animais e a baixa fiscalização podem facilitar esse tipo de competição.

filhote de pitbull

Se socializado adequadamente, pode conviver com crianças – Foto: Canil Del Manto

Pode cortar a orelha do Pitbull?

Após a proibição da conchectomia pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, muitos cães foram submetidos ao corte de orelhas de forma clandestina, nas mãos de leigos. “É uma cirurgia estética que não traz benefício algum à vida do cão!” conta Marcelly. Leonardo diz ser totalmente contra o corte. “Entendo que Pitbulls devem ter suas orelhas íntegras, assim como foi com grande maioria dos cães dentro da história da raça” coloca.

Como adquirir um Pitbull?

O primeiro passo, antes de qualquer coisa é pesquisar muito bem sobre a raça e sobre criadores. Buscar um criador idôneo, que se preocupe com a linhagem do animal. A casa deve ter muros altos (pelo menos 3 metros), para evitar fuga, espaço para ele correr e muitos brinquedos para serem destruídos.

A socialização desde filhote é muito indicada. Assim como o acompanhamento de profissionais do comportamento e um veterinário nutricionista (para garantir a nutrição correta do animal). “Não é um cão comum que vai aceitar qualquer outro animal por perto. Em alguns casos, podem não aceitar estranhos. É importante saber que a origem deles foi a luta e que isso está dentro de seu DNA” alerta Leonardo.

Marcelly reflete que as pessoas buscam ajuda de profissionais, quando já tem um problema a ser resolvido. “Busquem um profissional para formar o filhote, para instrui-los como tutores e assim ter um companheiro e não um problema. Se você tem uma boa base de educação e equilíbrio, dificilmente você terá dificuldades!” fala.

Não é uma raça para deixar no quintal, com pouca interação. Também não é uma raça indicada para fazer a guarda da casa, já que pode ser dócil com estranhos.

“Precisamos todos nós aprender a nos relacionar com os cães de uma forma saudável. A falta de capacidade de ter um animal gera frustração e um possível abandono, maus-tratos e assim por diante” desabafa Marcelly. “Amar um animal é entender suas necessidades e respeitar sua espécie” finaliza.

Nem todos estão preparados para ter um cachorro da raça Pitbull.

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