×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 22 de maio de 2022

O que se sabe sobre coronavírus e crianças

O que se sabe sobre coronavírus e criançasFoto: Pexels

O que é mito e o que é verdade sobre o coronavírus e as crianças

Estadão Conteúdo - 04/01/2021 - 22:56:21

Em um primeiro momento, a gente ouviu que as crianças estavam a salvo do Sars-Cov 2, esse vírus que nos trancafiou em casa, tirou nossos filhos das escolas e deixou o mundo em uma crise sanitária que não se via há quase um século. Logo depois, recebemos a notícia de algumas ficaram gravemente doentes semanas depois de terem sido contaminadas pelo coronavírus. Lemos que elas tinham que usar máscara, depois ouvimos que era perigoso. Esse ‘bate cabeça’ é comum quando nos damos conta de que essa doença é nova e que a Ciência começou a estudá-la há poucos meses apenas. Francisco Ivanildo de Oliveira Junior, infectologista e coordenador de controle de infecção hospitalar do Sabará Hospital Infantil, conversou com o blog e nos contou o que é mito e o que é verdade quando o assunto é o coronavírus e as crianças.

Blog: Os bebês podem ser contaminados pelo coronavírus?

Dr. Francisco: Podem sim, não existe proteção em nenhuma faixa etária em relação à infecção pelo coronavírus. O que a gente sabe que acontece é uma menor pré-disposição para crianças de menor idade, principalmente crianças menores de dez anos, de terem infecção e principalmente formas sintomáticas da doença – nelas é muito mais frequente a forma assintomática. Mas em qualquer faixa etária pode haver a infecção, acontecer formas graves da doença, e infelizmente pode haver, sim, óbitos.

Blog: E as crianças também transmitem o Sars-Cov2?

Dr. Francisco: Sim, as crianças podem transmitir, inclusive as assintomáticas. O que a gente sabe é que pessoas assintomáticas de uma forma geral transmitem menos do que pessoas sintomáticas – não tanto pela quantidade de vírus que albergam nas vias aéreas, na garganta e no nariz, mas porque, como elas não têm sintomas, elas não tossem, não espirram. Então a possibilidade dessas pessoas transmitirem o vírus através da eliminação de gotículas quando a gente fala, tosse ou espirra é menor por conta disso.

Blog: As crianças podem ter os mesmos sintomas do que os adultos infectados pelo coronavírus?

Dr. Francisco: Isso é uma verdade. Não existe diferença entre o tipo de sintoma que um adulto tem e a criança. Os sintomas mais comuns da Covid são os mesmos tanto nos adultos quanto nas crianças – febre, tosse, dor de garganta, dor no corpo. O que pode variar é a frequência com que esses sintomas aparecem, já que nas crianças é muito mais frequente não ter sintomas, ou ter sintomas menos intensos. Mas tem alguns que são mais comuns e frequentes nas crianças, como a dor abdominal e a diarreia. Os muito pequenos não sabem se queixar e é importante que a gente fique atento à sonolência, a diminuição da aceitação alimentar, o desconforto respiratório. Quem tem filhos com menos de dois anos precisa se atentar à identificação da doença.

Blog: A partir de que idade se pode colocar máscara nas crianças?

Dr. Francisco: A partir dos dois anos de idade. E é óbvio que a gente tem que levar em consideração aquelas crianças que têm algum problema cognitivo ou que tenham problemas de saúde que a impeçam de utilizar a máscara e que dificultem a própria criança de tirar a máscara caso tenha necessidade. Mas a partir dos dois anos a criança já pode usar a máscara sob supervisão de um adulto e acredita-se que a partir dos seis anos de idade a criança já é capaz, desde que bem treinada e orientada, de utilizar a máscara sozinha – ela observa os pais e as pessoas que são próximas a ela e se torna capaz de usar a máscara com segurança.

Blog: A chamada síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica, que acomete algumas crianças infectadas pelo Sars-Cov 2, pode ser considerada algo grave?

Dr. Francisco: Sim. Essa síndrome é uma doença que pode evoluir com gravidade, inclusive com ‘choque’, que é a diminuição da pressão, com necessidade de internação em UTI e outro tipo de complicações, inclusive cardíacas. Normalmente acontece em crianças um pouquinho mais velhas, a partir dos seis anos de idade, mas pode aparecer em outras faixas etárias e acontece uma semana ou mais tempo depois do quadro agudo da infecção pelo coronavírus. A gente considera a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica uma complicação pós-infecciosa da covid.

O infectologista do Sabará Hospital Infantil, Dr. Francisco de Oliveira Jr

Blog: E a questão das vacinas – é seguro manter o calendário de vacinação na pandemia?

Dr. Francisco: Esse mito que não é seguro tomar vacinas na pandemia é um mito que a gente tem que combater fortemente. As crianças não devem parar seus esquemas vacinais durante a pandemia, assim como não devem parar seus tratamentos de condições crônicas, ou se aparecer algum quadro agudo que necessite de assistência ou de conduta médica. O medo pela contaminação da Covid não deve fazer com que os pais deixem de levar essa criança ao pronto-socorro, ou a uma consulta ou ao posto de saúde para tomar a vacina. E em relação à vacina, já foi observado aqui no Brasil, assim como em outros países, uma redução muito significativa da cobertura vacinal, o que é muito preocupante, por causa do risco de algumas doenças que a gente já tem sob controle, como o sarampo ou a paralisia infantil. Por isso a importância que recomendemos aos pais que cumpram o calendário vacinal das crianças mesmo durante a pandemia.

Comentários para "O que se sabe sobre coronavírus e crianças":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Preocupação com a saúde impulsiona mercado de suplementos alimentares em 2022

Preocupação com a saúde impulsiona mercado de suplementos alimentares em 2022

A Nature Lab é um dos grupos que vêm investindo no mercado brasileiro de suplementos

Asma, uma das principais doenças respiratórias

Asma, uma das principais doenças respiratórias

Com mais de 235 milhões de casos pelo mundo, a asma é grave e negligenciada pelos pacientes

Fibromialgia e o lado emocional: Como a saúde mental influencia os sintomas?

Fibromialgia e o lado emocional: Como a saúde mental influencia os sintomas?

O quadro clínico reduz neurotransmissores como a serotonina, noradrenalina e dopamina, o que causa uma queda no limiar de dor dessas pessoas, tornando-as mais sensíveis aos estímulos dolorosos.

Como a otorrinolaringologia pode influenciar a qualidade do sono?

Como a otorrinolaringologia pode influenciar a qualidade do sono?

De acordo com estudos realizados pela Universidade Carlos III, na Espanha, a grande maioria dos infartos acontecem entre 3h e 11h da manhã, períodos mais graves que os demais em horários diferentes

Dermatologista especialista em cabelos explica como tratar a calvície feminina

Dermatologista especialista em cabelos explica como tratar a calvície feminina

Dra. Ana Carulina é especialista em procedimentos e tratamentos estéticos (fac iais e corporais ) no Rio de Janeiro

Cinco coisas que você precisa saber sobre maternidade

Cinco coisas que você precisa saber sobre maternidade

Mulher segura criança em Vijaynagar, na Índia.

Estudo alerta sobre uso de chás e fórmulas para emagrecer

Estudo alerta sobre uso de chás e fórmulas para emagrecer

Riscos do uso de soluções, fórmulas e chás de emagrecimento

Crianças e adolescentes também correm o risco de ter varizes

Crianças e adolescentes também correm o risco de ter varizes

Estudos populacionais têm demonstrado um aumento na incidência de varizes que acometem aproximadamente de 10 a 15% dos jovens que cursam o ensino médio

Metade dos recrutadores temem por Burnout de profissionais

Metade dos recrutadores temem por Burnout de profissionais

Mindfulness é alternativa para lidar com o transtorno

Bem Viver na TV: O que é a Síndrome de Burnout?

Bem Viver na TV: O que é a Síndrome de Burnout?

Uma produção do Brasil de Fato dedicada a agroecologia, meio ambiente, alimentação saudável, saúde e cultura

Atenção Primária à Saúde: Prioridade Global e urgência nacional

Atenção Primária à Saúde: Prioridade Global e urgência nacional

Kipp Saúde, empresa do grupo Omint com modelo de APS em planos individuais prioriza o atendimento perene ao paciente com médico 24hs e enfermeira de família