Organização para as Migrações cita países lusófonos em análise sobre violência em rotas migratórias

Agências internacionais verificam exploração de crianças desacompanhadas por redes criminosas; abusos estão concentrados na Líbia e há casos de rotas migratórias envolvendo países lusófonos e destinos na América Latina

Organização para as Migrações cita países lusófonos em análise sobre violência em rotas migratórias
Organização para as Migrações cita países lusófonos em análise sobre violência em rotas migratórias

Agência Onu News - 08/10/2026 05:51:39 | Foto: OIM/Alexander Bee

Mais de 20 mil crianças e adolescentes chegaram por rotas migratórias na Europa sem a companhia dos responsáveis no ano passado.

A informação é de um relatório divulgado pela Organização Internacional para as Migrações, OIM, a Agência da ONU para os Refugiados, Acnur, e o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Rotas nos países de língua portuguesa
De acordo com a análise, as redes de tráfico e o crime organizado exploram essas rotas para expor menores à violência, à exploração e aos abusos.

Países como Angola, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde estão na Rota do Atlântico Africano Ocidental, caminho utilizado por jovens e famílias para chegar nas Ilhas Canárias.

Em Moçambique e Guiné Equatorial, registram-se também fluxos migratórios e pedidos de proteção internacional.

O Brasil é apontado como um dos principais países de destino nos programas de Retorno Voluntário Assistido e Reintegração para menores e jovens que deixam a Europa após o indeferimento dos seus processos.

Crise nas rotas europeias
Itália e Espanha registaram as maiores proporções de chegadas solitárias, em que 86% dos menores desembarcaram sem qualquer acompanhante.

O número total de chegadas de crianças por terra e mar a países como Bulgária, Chipre, Grécia, Itália, Malta e Espanha caiu 25% em relação a 2024.

Na Itália, porém, o número subiu 12%, atingindo mais de 14 mil chegadas de pessoas oriundas do Egito, da Eritreia, da Somália, do Bangladesh e da Etiópia.

A diretora-geral da OIM, Amy Pope, reforçou a necessidade da cooperação entre as nações europeias e os países de trânsito e origem para proteger os menores desacompanhados. Ele pede ainda ação para garantir os seus direitos e combater o modelo de negócio dos traficantes.

Violência no percurso
Segundo o relatório, dos mais de 4,5 mil jovens entrevistados, 47% relataram ter sofrido violência física durante a viagem.

Na rota do Mediterrâneo Central, 28% afirmaram ter sido detidos arbitrariamente ou mantidos em cativeiro contra a sua vontade e 17% foram submetidos a trabalho forçado.

A Líbia é apontada como o local onde ocorre a grande maioria dos abusos e violações dos direitos humanos.

Em resposta, as agências da ONU pedem à União Europeia para priorizar a causa em suas decisões, garantindo apoio jurídico, proibindo a detenção de menores para fins migratórios e promovendo opções seguras de recolocação.

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