Fã-clubes de Anitta a BTS se mobilizam para ampliar votos de Lula no 2º turno

Dez eleitos mais ricos do Brasil declaram patrimônio de R$ 79 milhões a R$ 678 milhões

Fã-clubes de Anitta a BTS se mobilizam para ampliar votos de Lula no 2º turno
Fã-clubes de Anitta a BTS se mobilizam para ampliar votos de Lula no 2º turno

Evelyn Aires-são Paulo, Sp (folhapress) - 09/10/2026 09:44:59 | Foto: Reprodução/Instagram

Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obter 45,16% dos votos válidos, menos que seu adversário Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, fã-clubes brasileiros começaram uma mobilização nas redes sociais para tentar ampliar os votos do petista no segundo turno.

As colaborações mostram mais de 100 fandoms em prol da mobilização a favor do petista. O grupo Fandoms com Lula reúne fã-clubes de artistas brasileiros como Anitta e Luísa Sonza, de grupos sul-coreanos como BTS e BLACKPINK, além de artistas de outras nacionalidades.

As estratégias incluem desde a publicação de fotos de artistas ao lado do presidente até a distribuição de cartilhas que funcionam como guias de abordagem a eleitores. Os materiais estão disponíveis no site "Quem compara vota Lula".

A campanha do presidente também prepara uma força-tarefa digital para aumentar o desempenho de Lula nas redes sociais. Nesta quarta-feira (7), o presidente se reuniu com candidatas eleitas para a Câmara dos Deputados, com forte presença digital, como Erika Hilton (PSOL-SP), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Ana Elisa (PT-MG).

O grupo se diz independente a afirma não ter qualquer filiação partidária, também divulgou manifestações e promoveu encontros. A reportagem procurou os administradores do Fandoms com Lula, mas não obteve resposta.

Entre os documentos compartilhados por usuários no X (ex-Twitter) está uma cartilha intitulada "Como vencer o 2º turno". O material se apresenta como um guia prático para a eleição e orienta os participantes sobre quais grupos de eleitores procurar, quais argumentos utilizar e como abordar possíveis eleitores do presidente.

Embora a cartilha não informe autoria nem apresente identificação visual da campanha oficial de Lula, o arquivo disponibilizado no Google Drive aparece associado ao e-mail de Ergon Cugler, integrante desde o ano passado do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), conhecido como Conselhão, órgão de assessoramento direto ao presidente da República com membros da sociedade civil.

A reportagem procurou Cugler para saber qual foi a participação dele na elaboração ou distribuição do documento. Ele não respondeu aos questionamentos até a publicação desta reportagem.

O documento orienta os participantes a concentrar parte da mobilização em dois públicos: pessoas com 70 anos ou mais e beneficiários de programas sociais.

Eleitores com 70 anos ou mais têm voto facultativo e representam atualmente mais de 10% do eleitorado. A cartilha compara o número de idosos que deixaram de votar em 2022 com a diferença de votos registrada na disputa presidencial daquele ano e usa essa relação para defender que o aumento do comparecimento desse grupo pode ser decisivo para Lula.

A estratégia também dialoga com a preocupação da campanha com a abstenção no segundo turno, que pode acabar penalizando o petista.

Com beneficiários de programas sociais, o guia recomenda que os participantes conversem sobre programas governamentais, benefícios recebidos e a posição dos candidatos em relação à manutenção dessas políticas.

Entre os materiais utilizados para embasar as publicações estão reportagens da imprensa, conteúdos sobre os candidatos e peças produzidas para comparar os governos de Jair Bolsonaro (PL) e o atual.

A mobilização também ocorre de forma coordenada nas redes sociais. Fã-clubes combinam horários para publicar simultaneamente cards, slogans e hashtags. Em uma das ações, diferentes perfis foram convocados a divulgar às 18h peças com o slogan da mobilização.

A realização de publicações coordenadas por diferentes perfis não é, por si só, proibida pela legislação eleitoral. Entre as restrições previstas pela legislação estão a contratação de impulsionamento e de disparos em massa por pessoas físicas, além da concessão de vantagem econômica para que usuários façam publicações político-eleitorais.

A repercussão da mobilização levou usuários de oposição a questionar a legalidade das peças e a comunicar empresas e representantes donas dos direitos de artistas cujas imagens aparecem nas publicações.

Lucas Pavanato, deputado federal eleito pelo PL, chamou o movimento de "gabinete do ódio" nas redes sociais.

A presença de um artista em uma peça produzida por um fã-clube, no entanto, não significa necessariamente que ele tenha declarado apoio ao candidato.

Além da atuação digital, os perfis passaram a divulgar manifestações e atos programados em diferentes estados, como Maranhão e São Paulo.

O movimento também organizou uma conversa virtual entre integrantes da mobilização e Simone Nascimento, codeputada estadual da Bancada Feminista do PSOL, reeleita em São Paulo. Durante o encontro, Simone compartilhou estratégias de atuação, mobilização nas redes sociais e formas de aumentar o engajamento das publicações.

Dez eleitos mais ricos do Brasil declaram patrimônio de R$ 79 milhões a R$ 678 milhões

ISABELLA MENON-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As urnas elegeram no último dia 4 um total de 1.775 candidatos em primeiro turno para os cargos de governador, vice, deputado federal, estadual e senador. Desse total, 993 (56%) declararam patrimônios iguais ou superiores a R$ 1 milhão, segundo levantamento da Folha com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Os dez nomes do topo da tabela têm ativos declarados que variam de R$ 79 milhões a R$ 678 milhões. Em média, superam os R$ 300 milhões.

As atividades produtivas do grupo dos dez mais ricos concentram-se em áreas como agronegócio, mercado imobiliário, transportes, mineração, educação, comércio, tecnologia e comunicação. Seis desses empresários possuem trajetória prévia na política, enquanto quatro são estreantes.

Luiz Osvaldo Pastore (PL-TO) lidera o ranking geral ao declarar R$ 677,7 milhões. O suplente de senador construiu sua fortuna à frente de uma gigante do ramo industrial de transformação de metais como cobre e alumínio. O empresário também mantém investimentos no mercado financeiro e já exerceu mandato na Casa Alta do Congresso Nacional.

O governador reeleito de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), ocupa o segundo lugar dos milionários, com R$ 575,7 milhões. É também o chefe do Executivo estadual mais rico. Acumula patrimônio vindo da produção de grãos. O produtor rural possui longa carreira pública em seu estado: além de ter sido prefeito de Lucas do Rio Verde por três vezes, foi deputado estadual e vice-governador.

Wilson Picler (PL-PR) aparece na terceira posição, com R$ 478,7 milhões informados. Escolhido como suplente ao Senado, fundou o Grupo Educacional Uninter, referência no ensino superior e na modalidade EAD (Ensino a Distância). O empresário paranaense também já atuou na Câmara dos Deputados em legislaturas anteriores.

Odilio Balbinotti Filho (PL-MT) surge em quarto lugar ao registrar R$ 359,7 milhões. O suplente de senador preside uma empresa líder nacional na tecnologia de melhoramento genético de soja. Ele integra a ala de nomes oriundos exclusivamente do setor privado que disputaram vagas no pleito de 2026.

Parlamentar com maior patrimônio declarado entre os eleitos, o deputado estadual Vittorio Medioli (PL-MG) aparece na quinta colocação, com R$ 356,8 milhões. Ele é criador de um conglomerado de logística, transporte de veículos, siderurgia e comunicação. Sua trajetória política inclui três mandatos na Câmara Federal e a Prefeitura de Betim.

Markenson Marques dos Santos (Novo-PR) figura no sexto posto com R$ 184,3 milhões. Segundo suplente ao Senado, também atua no setor de logística, além de empreender no ramo imobiliário. Ele é um dos estreantes do grupo.

Ulisses Gonçalves (PL-MA) ocupa o sétimo degrau com R$ 155,5 milhões. Eleito deputado estadual, possui raízes no agronegócio maranhense, com foco na pecuária extensiva e no manejo de fazendas. O produtor também integra o grupo de recém-chegados à vida pública.

Na oitava posição, Jadyel Silva Alencar (Republicanos-PI) declarou R$ 107,1 milhões. O deputado federal reeleito construiu seu patrimônio na distribuição de insumos farmacêuticos e alimentos no Nordeste.

Penúltimo entre os dez mais ricos, Rodrigo Oliveira (MDB-CE) acumula R$ 78,7 milhões. Segundo suplente de senador, o engenheiro atua nos ramos de tecnologia, equipamentos eletrônicos e projetos imobiliários, em seu primeiro mandato.

Duda Brito Ramos (Podemos-RR) fecha o grupo dos dez mais ricos ao declarar R$ 78,5 milhões. O deputado federal exerce atividades no mercado de engenharia, construções e serviços de gestão ambiental. O parlamentar mantém atuação política na região Norte.

Entre os chefes do Executivo estadual eleitos, nenhum chega perto da fortuna de Pivetta. O segundo governador mais rico da lista é Eduardo Riedel (PP), eleito para comandar Mato Grosso do Sul, com R$ 16,1 milhões declarados. Biólogo e produtor rural, Riedel construiu sua riqueza no setor agropecuário.

Na sequência aparece Daniel Vilela (MDB-GO), que informou R$ 5,6 milhões à Justiça Eleitoral. O governante goiano tem formação em administração e carreira política consolidada no Centro-Oeste.

Fecha esse grupo de líderes estaduais milionários o médico Daniel Santos (Pode-PA). O eleito no Pará tem R$ 4,8 milhões em bens e possui histórico no setor de saúde e na Prefeitura de Ananindeua.

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