Papa Leão 14 passa segunda noite tranquila em hospital Agostino Gemelli, em Roma

Cirurgia e diagnóstico de câncer lançam papado de Leão 14 em fase de incertezas

Papa Leão 14 passa segunda noite tranquila em hospital Agostino Gemelli, em Roma
Papa Leão 14 passa segunda noite tranquila em hospital Agostino Gemelli, em Roma

São Paulo, Sp (folhapress) - 15/10/2026 09:38:24 | Foto: RS/Fotos Públicas

O papa Leão 14, que se recupera de uma cirurgia para tratar um câncer de pulmão, passou bem a noite no hospital Agostino Gemelli, em Roma e tomou café da manhã, informou o Vaticano nesta quinta-feira (15), dois dias após ser submetido a uma cirurgia para retirar um tumor cancerígeno do pulmão direito.

Leão, de 71 anos, foi diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar, a forma mais comum de câncer de pulmão, e os médicos removeram o lobo inferior do pulmão direito durante uma cirurgia na tarde de terça-feira (13).

O Vaticano informou que a cirurgia foi concluída com sucesso, sem complicações. Ainda não foram divulgados o tamanho do tumor nem se a doença se espalhou para os linfonodos próximos, fatores fundamentais para determinar o prognóstico.

Novas atualizações são esperadas nesta quinta, mas o laudo anatomopatológico do papa pode levar vários dias para ficar pronto.

Segundo a especialista Juanita Mora, porta-voz da Associação Americana do Pulmão, o prognóstico desse tipo de câncer é "muito, muito bom" quando detectado cedo. Ela afirma que a taxa de sobrevivência em cinco anos fica entre 80% e 98% em tumores em estágio inicial, sobretudo após cirurgia. Tudo, porém, depende do estágio da doença e de uma eventual disseminação.

Os médicos "determinarão se [o papa] precisa de quimioterapia, radioterapia, terapia direcionada ou imunoterapia", diz Mora.

Leão 14 está em um quarto no 10º andar do hospital, ao lado de uma suíte papal com capela privada, que está em reforma.

O Vaticano havia informado, antes da cirurgia, que o pontífice deveria permanecer cerca de uma semana hospitalizado, mas ainda não anunciou se ele terá que ficar no hospital por um período maior. Todas as suas audiências foram canceladas até 20 de outubro.

Cirurgia e diagnóstico de câncer lançam papado de Leão 14 em fase de incertezas

MICHELE OLIVEIRA-MILÃO, ITÁLIA (FOLHAPRESS) - A revelação de que o papa Leão 14 passou por uma cirurgia para a remoção de um câncer no pulmão coloca seu pontificado de menos de um ano e meio em uma fase de incerteza.

Diante do diagnóstico, confirmado publicamente na terça-feira (13), não há indicações de que ele vá buscar acelerar processos para imprimir sua marca na história da Igreja Católica ou diminuir o ritmo para se preservar e se concentrar em eventuais tratamentos e exames.

A decisão que envolve a viagem para a América do Sul, entre 6 e 17 de novembro, será uma amostra. Ainda não se sabe se Leão 14 vai cancelar a visita, importante para os católicos da região, que desde 2018 não recebem um papa, e para ele próprio, que viveu no Peru por cerca de 20 anos. Ele pode adiar ou remodelar a programação para diminuir riscos; e pode encarar o périplo, a exemplo de Francisco, que aos 87 anos passou 11 dias por Ásia e Oceania.

Por enquanto, a viagem segue formalmente confirmada na agenda do papa, que falou sobre a intenção de ir quando já sabia da cirurgia e da suspeita de tumor maligno. A previsão para a internação do pós-operatório, diz o Vaticano, continua sendo de sete dias, até a próxima terça-feira (20).

"Qualquer desafio de saúde para um papado significa que há uma nova fase, porque há uma nova dimensão, uma nova questão. Como as viagens do próximo ano, que devem ser reavaliadas", diz Christopher White, autor do livro "Papa Leão 14: dentro do conclave e o alvorecer de um novo papado" (tradução livre, sem edição no Brasil).

A fase de incerteza chega após meses de uma estabilidade conquistada como autoridade moral global, em temas de paz, riscos da inteligência artificial e enfrentamento de poderosos como Donald Trump. Dentro da Igreja, Leão tem feito movimentos para dissipar polarizações, já publicou seus primeiros documentos importantes, mas ainda não anunciou novos cardeais.

Eleito em maio de 2025, quando tinha 69 anos, o americano Robert Prevost é considerado relativamente jovem para um papa. Seu estilo ativo, de quem pratica atividade física, foi um contraste com Francisco, que acumulou duas operações nos anos finais, passou a circular em cadeira de rodas e a lidar com crises respiratórias.

A saúde de Prevost não foi um fator dominante para a escolha dos cardeais que o elegeram, mas teve peso, diz White. "Os cardeais queriam uma figura estável que pudesse implementar as reformas de Francisco. O consenso era de que eles precisavam de alguém saudável e forte para isso, admitindo que era algo que fosse levar tempo. Prevost se encaixava no perfil", afirma o atual diretor e pesquisador na Universidade de Georgetown, nos EUA.

O anúncio da cirurgia e do diagnóstico de câncer gerou apreensão tanto em fiéis quanto em cardeais e integrantes da Cúria. Para Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, foi "um raio em céu sereno". "Ninguém esperava por isso, mas são as surpresas de Deus", disse o cardeal.

A transparência com que Leão 14 vem tratando do tema, que subiu um nível desde Francisco ao comunicar ele mesmo e em primeira mão sua internação, ajuda a abafar especulações e temores infundados. E também contribui para afastar o clima de conclave que costuma se instalar quando um papa adoece.

"Quando Francisco entrou no hospital [em 2025], havia uma percepção real entre os cardeais de que eles teriam de começar a pensar sobre o que viria a seguir. De forma alguma isso é comparável com agora", diz White. "Nós vimos o declínio de Francisco ao longo dos anos. Com Leão, a questão parece ser bem específica, e o prognóstico é bom."
Para o pesquisador, o estilo de Prevost até aqui sugere que ele não deverá acelerar o andamento de seu papado nos próximos meses, com anúncios e decisões disruptivas. Seu estilo prudente deve prevalecer, diz o especialista, que entrevistou para o livro pessoas que conheceram o papa como estudante, missionário e membro da Ordem de Santo Agostinho.

"A marca de sua liderança é ele ser uma presença estabilizadora. Acho que ele será cuidadoso em passar por isso sem parecer que está tentando acelerar as coisas."
Sucessor de dois papas que lidaram de formas diferentes com suas fragilidades e com o posto que ocupavam, Leão tem perfil tanto de quem ficaria no papado até o fim, como fez Francisco, quanto de quem apresentaria a renúncia, a exemplo de Bento 16.

Por um lado, o americano encara o papado com um dever para o qual foi chamado, o que justificaria a decisão de permanecer até a morte. De outro, como especialista em direito canônico, é possível identificar traços em comum com Bento 16 e uma abertura à renúncia. "Ainda é cedo para dizer, mas vejo ele dividido sobre isso. Seja como for, Leão vai agir acreditando estar fazendo o melhor para o interesse da Igreja."

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