PF vê cunhado de Vorcaro como peça-chave de investigação e analisa pagamentos ligados a políticos

A Polícia Federal não tem previsão ainda de quando serão concluídos

PF vê cunhado de Vorcaro como peça-chave de investigação e analisa pagamentos ligados a políticos
PF vê cunhado de Vorcaro como peça-chave de investigação e analisa pagamentos ligados a políticos

José Marques E Julia Chaib Brasília, Df (folhapress) - 20/03/2026 09:25:26 | Foto: © POLÍCIA FEDERAL/DIVULGAÇÃO

A PF (Polícia Federal) analisa ordens de pagamentos e citações a transações financeiras encontradas em mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Fabiano Zettel, seu cunhado, que envolvem menções a políticos.

A intenção é verificar se há algum indício de irregularidade nesses repasses que possam justificar coletas de mais provas e, eventualmente, gerar novas fases da Operação Compliance Zero.

As citações nas mensagens e os dados de quebras de sigilo devem se juntar a outros elementos que permitirão o avanço das investigações, como eventuais delações premiadas de investigados, inclusive do próprio Vorcaro, que assinou termo de confidencialidade para avançar na colaboração.

Zettel é apontado como o principal operador financeiro do ex-banqueiro e a análise da rede financeira ligada a ele é vista na PF como peça central para a abertura de novos flancos nas investigações do Master.

A partir de um cruzamento entre o diálogo dele e de Vorcaro e das movimentações financeiras obtidas nas quebras de sigilo, a polícia tenta identificar se, de fato, esses pagamentos ocorreram.

Se sim, irão avaliar se eles são legítimos -e têm relação com alguma prestação de serviço- ou se há indícios de irregularidades.

A apuração tenta descobrir, por exemplo, se algum desses pagamentos foi feito ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), cujo nome aparece em trocas de mensagens.

Procurado por meio da assessoria, Ciro Nogueira disse em nota que "reafirma que jamais recebeu qualquer pagamento de Daniel Vorcaro ou pessoas ligadas ao empresário".

"Sobre o Fabiano Zettel, mencionado pela reportagem, ressalte-se que o senador Ciro sequer o conhece." O senador diz que "está tranquilo quanto às investigações da Polícia Federal que, seguramente, irão esclarecer os fatos e revelar a verdade".

Como a Folha de S. Paulo mostrou, já há suspeitas de crimes financeiros em fundos de Zettel ligados ao resort Tayayá, do qual uma empresa da família do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal) foi sócia.

A empresa vendeu uma parte de suas cotas no resort ao fundo Arleen, ligado à teia fraudulenta do Master. Procurado pela reportagem por mensagem às 9h45 e às 16h50 desta quinta (19), o advogado de Zettel não se manifestou.

Toffoli tem negado a interlocutores que conheça Zettel. Em fevereiro, ao deixar a relatoria do caso, disse em nota pública que "jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel".

Zettel foi preso duas vezes. A primeira delas, de forma temporária, por ordem de Dias Toffoli em 14 de janeiro. A segunda, em março, já com a operação sob a supervisão de André Mendonça.

Atualmente, ele está no Presídio Federal de Brasília, no Complexo da Papuda, mesmo local no qual Vorcaro esteve preso antes de ser transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília para discutir os termos da sua delação premiada.

A investigação afirma que a atuação de Zettel era central na viabilização financeira das atividades ilícitas do grupo.

O cunhado de Vorcaro, segundo as investigações, era responsável por intermediar e operacionalizar pagamentos, inclusive por meio de contratos fictícios.

A decisão de Mendonça que determinou a prisão dele diz que o cunhado "atuava na intermediação e operacionalização de pagamentos relacionados às atividades desenvolvidas por integrantes da organização, participando da definição de mecanismos destinados a viabilizar transferências financeiras e a estruturar instrumentos contratuais utilizados para justificar tais repasses".

Afirma ainda que ele participava de comunicações com Vorcaro "relacionadas à gestão de pagamentos e à condução de tratativas financeiras envolvendo terceiros, recebendo orientações e repassando informações relativas à execução dessas movimentações".

Outra atribuição apontada a Zettel é a de suspeita de ter participado da elaboração de uma proposta de contratação simulada de um servidor do Banco Central, Belline Santana, por meio de uma empresa de consultoria, para justificar pagamentos feitos a ele. A defesa de Belline não foi localizada pela reportagem.

Zettel, além disso, era o responsável por operacionalizar os pagamentos do grupo que servia como milícia privada de Vorcaro, chamado de "A Turma".

A investigação a respeito das movimentações ligadas ao Banco Master gerou a abertura de ao menos três inquéritos principais.

A Polícia Federal não tem previsão ainda de quando serão concluídos. O primeiro deles, que apura suspeitas de fraudes ligadas à tentativa de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília), foi prorrogado por mais 60 dias.

A PF ampliou o prazo porque ainda precisa fazer o que considera "diligências imprescindíveis para o esclarecimento dos fatos". O argumento é que ainda há extenso volume de material a ser analisado, obtido em buscas, apreensões e quebras de sigilo.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, quando tentava embarcar para o exterior, no Aeroporto de Guarulhos. A PF desconfia que ele tentava fugir do país, mas ele argumenta que viajaria para encontrar investidores interessados em comprar o Master.

Ele foi solto dez dias depois e voltou a ser preso em 4 de março, em nova fase da operação policial Compliance Zero que também atingiu servidores do Banco Central e Zettel.

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