Quem é Milo J, cantor argentino de 19 anos, que combate o racismo no país

Para entender o seu sucesso é preciso entender uma palavra: marrón

Quem é Milo J, cantor argentino de 19 anos, que combate o racismo no país
Quem é Milo J, cantor argentino de 19 anos, que combate o racismo no país

Tiago Pechini-são Paulo, Sp (folhapress) - 29/07/2026 11:15:06 | Foto: Divulgação pelo artista

"Eu sou marrom, minha música é marrom, e a cor secundária da Argentina é marrom." A fala é de Milo J, cantor argentino de 19 anos que tem lotado estádios enquanto transforma a sua cor de pele em bandeira.

Em dezembro de 2025, aos 18, tornou-se o artista mais jovem a se apresentar no Estádio Vélez Sarsfield, em Buenos Aires, para 50 mil pessoas.

Para entender o seu sucesso é preciso entender uma palavra: marrón.

Na Argentina, ela é usada como ofensa racial contra pessoas de pele mais escura, traços indígenas ou mestiços.

Nascido Camilo Joaquín Villarruel no subúrbio de Buenos Aires, Milo J começou aos 15 anos subindo músicas no YouTube e competindo em batalhas de freestyle.

Aos 16, viralizou globalmente e lançou seu primeiro álbum. A ascensão foi rápida. Em janeiro de 2025, esgotou seu show em Barcelona. Levou a turnê para Madri, Lima, Bogotá, Santiago e Montevidéu. Sempre com letras que misturam o pessoal e o político.

Na faixa "Bajo de la Piel", Milo J canta sobre cicatrizes e memórias herdadas. Em "El invisible", diz: "benditos os ricos não quero esmola, não sou mendigo", abordando a desproteção dos trabalhadores.

Sua canção mais ouvida no Spotify, "Niño", retrata a infância marcada pela pobreza: "sinto o peso na tua consciência pelo choro da mamãe. Quem matou seu sorriso de esperança e bondade?".

O disco que consolidou seu trabalho é "La VidaEra más Corta", lançado em setembro do ano passado. Nele, Milo J mistura trap com folclore argentino, tango, chacarera e salsa.

Descreveu o projeto como um manifesto geracional sobre identidade, memória coletiva e a brevidade da vida.O disco colocou uma geração de adolescentes que pula em shows de rap para cantar folclore.

Em uma das faixas, recuperou a voz de Mercedes Sosa -símbolo da resistência latino-americana durante as ditaduras.

Em maio de 2026, foi o artista mais premiado da noite no Premios Gardel, a maior celebração da música argentina, com 13 estatuetas de 18 indicações.

Em entrevista à Billboard, resumiu como se enxerga no palco: "A única forma com que sei falar bem é com música." É com ela que Milo J tem levantado a questão racial que muitos no país preferem não discutir.

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