Documento denuncia práticas como acusações de feitiçaria, violência econômica e institucionalização involuntária, pedindo medidas para garantir direitos e dignidade das idosas
Agência Onu News - 09/10/2026 08:02:51 | Foto: OMS/Chadin Tephaval
A relatora especial* das Nações Unidas, Reem Alsalem, afirma que mulheres com 60 anos ou mais são as principais vítimas de discriminação e negligência no mundo.
Segundo os dados de um estudo inédito, a combinação entre machismo e etarismo associam essas mulheres à prática de feitiçaria, abusos econômicos e eutanásia psiquiátrica. Alsalem falou a jornalistas na sede da ONU em Nova Iorque.
"Fardo" social
Segundo a relatora, a visão das pessoas idosas como guardiãs da experiência e da memória coletiva enfraqueceu em muitas sociedades contemporâneas. A percepção de que mulheres mais velhas são um fardo se ampliou nas famílias e sociedade
Apesar do relatório adotar a definição da ONU que considera idosas as pessoas com 60 anos ou mais, essa estigmatização faz com que muitas rejeitem a classificação como uma forma de autodefesa contra a discriminação.
Violência a mulheres idosas
O relatório aponta que as idosas representam cerca de 70% dos casos de eutanásia psiquiátrica em jurisdições em que o procedimento é legalizado.
Além disso, elas estão expostas à violência econômica por meio da retirada de titularidade de terras, fraudes por parte de familiares ou cuidadores, e à exclusão digital, que impede o acesso a serviços bancários e benefícios sociais básicos.
Em países como Tanzânia, Quênia, Papua-Nova Guiné, Gana e Haiti, elas sofrem com acusações de feitiçaria após declínio cognitivo, perda de memória ou demência.
Em algumas regiões, centenas de idosas são confinadas aos chamados “campos de bruxas”, vivendo isoladas de suas comunidades e em condições precárias.
Apelo por ações globais
A recomendação do estudo é para que os Estados-membros reconheçam os cuidados como um direito humano universal e a implementem legislações específicas para proteger idosas dos abusos domésticos e institucionais.
A relatora da ONU defende a proibição da detenção ou institucionalização involuntária sem consentimento pleno e a criação de redes de apoio jurídico e de saúde mental adaptadas.
*Os relatores de direitos humanos são independentes da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho.
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