María Corina volta a desafiar Maduro ao driblar proibição de viagem e ir para Noruega
Gabriel Barnabé E Manoella Smith, São Paulo, Sp (folhapress) - 12/12/2025 21:09:32 | Foto: Divulgação - X Alerta Noticias UKR 24
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, afirmou nesta sexta-feira (12) que a transição na Venezuela "está a caminho". A vencedora do Prêmio Nobel da Paz desafiou uma ordem de Nicolás Maduro que a impedia de sair do país latino-americano e viajou para a Noruega, na primeira aparição pública desde janeiro.
Ela havia planejado chegar à capital norueguesa para a cerimônia de entrega da láurea na quarta-feira (10), mas precisou ser representada pela filha Ana Corina Sosa Machado devido a atrasos na viagem.
Desde então, a opositora de 58 anos tem mantido uma agenda cheia de encontros e de entrevistas. Nessas ocasiões, ela tem dado declarações em apoio à ação militar dos Estados Unidos na América Latina e afirmando que a ditadura chavista estaria a ponto de ruir.
"A transição está chegando e estamos focados em uma transição ordenada e pacífica", voltou a dizer nesta sexta em uma conversa com jornalistas. María Corina frisou que Maduro deixará o poder, haja ou não uma transição negociada.
Segundo pessoas próximas à opositora, ela deverá diminuir o ritmo de compromissos e descansar em Oslo nos dias seguintes. No dia anterior, na quinta (11), a venezuelana contou que recebeu ajuda do governo de Donald Trump para sair de seu esconderijo no país latino-americano e viajar até o continente europeu.
Ela, que mantém proximidade com setores alinhados ao presidente americano, repetiu nesta sexta que "está muito claro que a crise venezuelana é uma prioridade para a segurança dos Estados Unidos". E disse também que temeu por sua vida na operação para sair do seu país.
"Houve momentos em que senti que minha vida corria um risco real, e também foi um momento muito espiritual porque, no fim, simplesmente senti que estava nas mãos de Deus."
As declarações ocorrem em meio a uma escalada na ofensiva militar de Trump perto da Venezuela -na quarta (10), as Forças Armadas americanas capturaram um petroleiro em águas próximas à costa do país latino-americano.
Um dia depois, nesta quinta (11), o Departamento do Tesouro americano impôs sanções contra três sobrinhos de Maduro e outros seis cargueiros que exportam petróleo da Venezuela. Os navios sancionados estão registrados com bandeiras das Ilhas Marshall e do Reino Unido.
A medida levanta a possibilidade de que mais cargueiros possam ser capturados pelos EUA.
Se a medida se repetir, a consequência pode ser a asfixia da economia venezuelana. O país possui as maiores reservas de petróleo do mundo e tem uma economia dependente de exportações dessa commodity. A captura do petroleiro na quarta foi a primeira interferência direta de Washington nesta que é a principal fonte de arrecadação do regime de Nicolás Maduro -exportações de petróleo da Venezuela têm a China como principal destino.
Segundo relatos da imprensa americana, o navio capturado é o petroleiro Skipper, barco de bandeira da Guiana que seria acusado pelos EUA de participar de comércio com o Irã. Com cerca de 330 metros de comprimento e 60 de largura, o Skipper entra na categoria VLCC (Cargueiro de Petróleo Cru Muito Grande, na sigla em inglês), tipo de navio capaz de transportar até 2 milhões de barris de petróleo -carga que pode valer entre US$ 120 milhões (R$ 650 mi) e US$ 160 milhões (R$ 865 mi).
Ainda na quinta, a chanceler da Colômbia afirmou que não descarta dar asilo a Maduro se ele concordar em deixar o poder. O presidente Gustavo Petro já havia pedido uma transição democrática em Caracas. A chanceler Rosa Villavicencio disse que "se essa saída [de Maduro] implicar que ele deve viver em outro país ou pedir proteção, então a Colômbia não teria porque lhe dizer não".
María Corina deixou Venezuela disfarçada com peruca e viajou de barco em mar revolto, diz imprensa
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, deixou o seu país em uma operação secreta nesta semana que levou de 15 a 16 horas e incluiu o uso de peruca como disfarce, uma viagem de barco em mar revolto, além da participação de especialistas em resgate dos Estados Unidos, disseram autoridades à imprensa americana. Ela foi levada à Noruega, onde reencontrou a família após cerimônia do Prêmio Nobel da Paz.
Bryan Stern, ex-integrante das forças especiais dos EUA e chefe da Grey Bull Rescue Foundation, que atua com resgates, descreveu a ação como uma das mais complexas e gratificantes já feitas por ele e sua equipe.
Em entrevista à CBS News, Stern afirmou que a maior parte do trajeto ocorreu em alto-mar e com ondas altas que tornavam a navegação desconfortável, porém estrategicamente favorável. Isso porque o oceano agitado dificulta a detecção por radar, o que, para a equipe, foi uma vantagem.
"Quanto mais alta a onda, mais difícil de ver. É assim que funciona", afirmou ele à CBS, referindo-se à operação como uma tarefa árdua. "Estávamos todos bastante molhados. Eu e minha equipe estávamos encharcados até os ossos. Ela [María Corina] também estava com bastante frio e molhada."
Ainda à CBS, Stern disse que mais de 20 pessoas atuaram em diferentes frentes, incluindo inteligência, tradução, logística e navegação. Outros tantos colaboraram de forma indireta, alguns "sem saber que estavam ajudando" o transporte de María Corina.
Ele disse que a operação foi organizada às pressas. A despeito dos meses de preparo prévio para ações em território venezuelano, foram apenas quatro dias de planejamento direto para a retirada da ativista.
Vencedora da láurea por seu ativismo em prol da democracia, María Corina vive na clandestinidade e estava em local desconhecido. A operação começou na Venezuela, e Stern não quis revelar detalhes por questões de segurança.
Após ser levada até um ponto de embarque, María Corina foi transferida para um barco que a conduziu a um ponto de encontro em mar aberto. No meio da noite, sob pouca lua e nuvens que dificultavam a visibilidade, Stern a recebeu para uma travessia de 13 a 14 horas até um local mantido em sigilo. De lá, ela embarcou rumo a Oslo, a capital norueguesa, também de acordo com a CBS.
O resgate, disse, foi financiado por "alguns doadores generosos", sem participação, segundo ele, do governo dos EUA. Stern disse que houve colaboração informal com militares americanos apenas para evitar incidentes, uma vez que embarcações em mar aberto poderiam ser confundidas com alvos.
Nas últimas semanas, mais de 20 barcos que supostamente transportavam drogas foram bombardeados próximos à Venezuela pelas forças americanas, em ações que causaram a morte de mais de 80 pessoas.
O governo de Donald Trump sabia dos planos para o transporte de María Corina, embora não esteja claro o grau de envolvimento do presidente, de acordo com o The Wall Street Journal. Segundo a publicação, a operação foi tensa, e María Corina teve de usar uma peruca como disfarce em território venezuelano.
O grupo teria passado por dez postos militares, sem que a ativista fosse identificada, de acordo com uma pessoa próxima da operação mencionada pelo Wall Street Journal.
María Corina chegou à Noruega após a cerimônia do Nobel, na quarta-feira (10). Ao público, Jorgen Watne Frydnes, presidente do comitê, afirmou que a líder opositora havia enfrentado "uma jornada em situação de extremo perigo". Sua filha recebeu o prêmio em nome da líder opositora e disse que a laureada "voltará muito em breve" à Venezuela.
Em Caracas, a vice-líder do regime, Delcy Rodríguez, acusou María Corina de promover "interesses imperialistas dos EUA" para pilhar os recursos naturais venezuelanos. "O show fracassou. A senhora não apareceu", disse ela. O procurador-geral venezuelano, Tarek William Saab, por sua vez, afirmou que a opositora seria considerada foragida caso saísse do país.
Saí da Venezuela e viajei com ajuda do governo dos EUA, diz María Corina Machado
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, afirmou nesta quinta-feira (11) que recebeu ajuda dos Estados Unidos para sair de seu esconderijo no país latino-americano para viajar até a Noruega. Ela disse, porém, que não poderia dar detalhes da operação por motivos de segurança.
"Não posso dar detalhes porque pessoas poderiam ser prejudicadas. O regime tentou fazer de tudo para impedir que eu viesse. Eles não sabiam onde eu estava na Venezuela. Era difícil me deterem", afirmou a venezuelana durante uma conversa com jornalistas.
"E sim, eu recebi ajuda do governo dos EUA", completou. Se confirmada, a declaração aumenta as tensões entre Washington e Caracas, por demonstrar envolvimento direto dos EUA em contrariar uma ordem do regime de Maduro que proibia María Corina de sair do território.
Ela havia planejado chegar à capital norueguesa para a cerimônia de premiação do Nobel da Paz na manha de quarta-feira (10), mas precisou ser representada pela filha Ana Corina Sosa Machado devido a atrasos na viagem.
María Corina disse que "apesar do risco alto", ela tinha que estar em Oslo. "O risco de voltar [à Venezuela] é ainda maior. Mas sempre vale a pena. Eu voltarei [ao país], não tenho dúvida."
A entrega do prêmio ocorre em meio a uma escalada na ofensiva militar americana na Améria Latina -na quarta, as Forças Armadas americanas capturaram um petroleiro em águas próximas à costa do país sul-americano na quarta.
A opositora mantém proximidade com setores alinhados ao presidente dos EUA, Donald Trump, que acusam Maduro de envolvimento com organizações criminosas que representariam ameaça direta à segurança nacional americana -posição questionada por setores da inteligência de Washington. Ao receber o anúncio da premiação, em outubro, ela dedicou parte do reconhecimento a Trump.
Questionada sobre esse gesto, a venezuelana disse que sua decisão foi coerente e que, até as recentes pressões do americano, o regime vivia "com total impunidade". "As medidas de Trump foram decisivas para chegarmos até aqui", completou.
María Corina cumpre uma série de agendas em Oslo. Mais cedo nesta quinta ela visitou o Parlamento e teve uma outra conversa com jornalistas, acompanhada do primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Stor.
Na ocasião, ela disse que fará "todo o possível" para retornar à Venezuela com o Prêmio Nobel da Paz. "Não direi quando nem como isso acontecerá, mas farei todo o possível para poder voltar e também para acabar com esta tirania muito em breve", disse ainda, acrescentando que está "muito esperançosa".
Questionada se apoia uma intervenção militar nos Estados Unidos na Venezuela, María Corina se esquivou do assunto e respondeu que o país já foi invadido por terroristas.
"O que sustenta o regime é um sistema de repressão muito poderoso e fortemente financiado. De onde vêm esses recursos? Do tráfico de drogas, do mercado negro de petróleo, do tráfico de armas, do tráfico de pessoas", prosseguiu.
"Precisamos cortar esses fluxos. E, quando isso acontecer e a repressão enfraquecer, acabou. Porque é só isso que resta ao regime: violência e terror. Por isso pedimos à comunidade internacional que corte essas fontes."
Sem María Corina, filha de opositora venezuelana recebe premiação do Nobel da Paz
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, não chegou a tempo para participar da entrega do Prêmio Nobel da Paz nesta quarta-feira (10), em Oslo, e foi representada pela sua filha, Ana Corina Sosa Machado. Sua presença na cerimônia era incerta, já que o regime de Nicolás Maduro a proibiu de viajar.
No palco, uma cadeira vazia ao lado de um quadro com uma foto de María Corina a representou. A opositora de 58 anos está em segurança e chegou à capital do país por volta das 21h (horário de Brasília). Ela deve conceder uma entrevista coletiva ainda nesta quarta.
Após receber o prêmio, Ana Corina fez um discurso confirnando que sua mãe chegaria mais tarde. "Em poucas horas, poderemos abraçá-la aqui em Oslo após 16 meses vivendo escondida. Enquanto aguardo esse momento, [...] penso nas outras filhas e filhos que não poderão ver suas mães hoje. É isso o que a impulsiona. Ela quer viver em uma Venezuela livre e nunca desistirá desse propósito."
"É por isso que todos nós sabemos -e eu sei- que ela voltará muito em breve à Venezuela." Em seguida, ela leu um discurso escrito pela mãe. "Minha geração nasceu em uma democracia vibrante e a tomamos como certa. Valorizamos nossos direitos, mas esquecemos nossos deveres", dizia parte do texto.
O discurso dizia que que a Venezuela, "contra todas as probabilidades, acordou". O texto ainda recordou como ela foi impedida de concorrer à Presidência em julho de 2024, "em um duro golpe" da ditadura.
"Edmundo González deu um passo à frente. Um ex-diplomata sereno e corajoso. O regime acreditou que ele não representava nenhuma ameaça, mas o subestimaram" -segundo a contagem de votos da oposição, González derrotou Maduro no pleito do ano passado.
A leitura do discurso durou quase 25 minutos e, ao final, os convidados a aplaudiram de pé. Ana Corina, 34, é a filha mais velha da opositora venezuelana. Ela é formada em engenharia industrial pela Universidade de Michigan, com MBA em Harvard, vive em Nova York e trabalha em uma empresa de processamento de dados. Após a crescente perseguição política sobre a família, seus irmãos migraram para EUA e Colômbia. Ana Corina se tornou uma espécie de representante informal da mãe após as restrições de viagem do regime de Maduro.
A entrega do prêmio ocorreu no prédio da prefeitura de Oslo com a presença do rei Harald, da rainha Sonja e de quatro presidentes latino-americanos: Javier Milei (Argentina), Daniel Noboa (Equador), José Raúl Mulino (Panamá) e Santiago Peña (Paraguai). Edmundo González, que hoje vive na Espanha, a mãe de María Corina, Corina Perez de Machado, e a neta de Martin Luther King Jr, Yolanda Renee King, também estavam entre os presentes.
O presidente do comitê do Nobel da Paz, Jorgen Watne Frydnes, fez um longo discurso de abertura criticando os presos políticos da ditadura de Maduro e citou a imigração em massa dos cidadãos do país.
"Os que ainda seguem [na Venezuela] vivem sob um regime que sistematicamente silencia, assedia e ataca a oposição", disse Frydnes. Ele pediu que Maduro "aceite o resultado" da eleição presidencial de 2024 e deixe o cargo, no que foi aplaudido pela plateia.
O paradeiro de María Corina era desconhecido até então -ela não é vista em público desde janeiro. Dezenas de venezuelanos no exílio viajaram para a capital norueguesa para possivelmente acompanhá-la nesta semana.
Horas antes de confirmar a realização da entrevista, o comitê já havia confirmado que, apesar da ausência na cerimônia, havia confirmação de que a líder venezuelana está em segurança e que ela viajaria para a capital norueguesa.
O ministro do Interior da Venezuela e número 2 do chavismo, Diosdado Cabello, disse na segunda desconhecer detalhes sobre a viagem da opositora. Em novembro, o procurador-geral venezuelano disse à agência de notícias AFP que ela seria considerada foragida caso deixasse o país.
María Corina recebeu o Nobel da Paz em 10 de outubro "por seu incansável trabalho em favor dos direitos democráticos do povo venezuelano e por sua luta por uma transição justa e pacífica da ditadura à democracia" no país, segundo a organização.
A opositora mantém proximidade com setores alinhados ao presidente dos EUA, Donald Trump, que acusam Maduro de envolvimento com organizações criminosas que representariam ameaça direta à segurança nacional americana -posição questionada por setores da inteligência de Washington. Ao receber o anúncio da premiação, em outubro, ela dedicou parte do reconhecimento a Trump.
María Corina venceu com ampla margem as primárias da oposição para a eleição presidencial de 2024, mas foi impedida de concorrer. Após o pleito contestado, que resultou na declaração oficial da vitória de Maduro, ela entrou na clandestinidade em agosto, quando o regime intensificou as prisões de opositores.
A entrega do Nobel coincide com a mobilização militar dos EUA no Caribe e no Pacífico, onde mais de 80 pessoas foram mortas em ataques americanos contra embarcações usadas, segundo Washington, para o transporte de drogas.
Os EUA dizem que as ofensivas, iniciadas em agosto, fazem parte de operações contra o narcotráfico, mas especialistas questionam a legalidade desses ataques, e Maduro insiste que o objetivo é derrubá-lo e se apoderar das riquezas da Venezuela, rica em petróleo.
O movimento teve uma escalada nesta quarta com os EUA interceptando um petroleiro na costa da Venezuela. Trump disse que a ação ocorreu "por uma ótima razão", mas não deu detalhes. Maduro falou em "interferência ilegal e brutal".
María Corina volta a desafiar Maduro ao driblar proibição de viagem e ir para Noruega
GABRIEL BARNABÉ, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A opositora María Corina Machado desafiou mais uma vez o regime de Nicolás Maduro ao contrariar uma proibição de viagem e ir à Noruega nesta quarta-feira (10). A venezuelana havia planejado chegar em Oslo para a cerimônia de premiação do Nobel da Paz, nesta manhã, mas precisou ser representada pela filha Ana Corina Sosa Machado devido a atrasos na viagem.
Na noite desta quarta, já madrugada de quinta na Noruega, María Corina acenou ao público em frente ao Grand Hotel, local de alojamento habitual dos ganhadores do Nobel na capital norueguesa. A opositora apareceu na varanda central do prédio, cantou o hino venezuelano e saudou "viva a Venezuela!". Horas antes, o Comitê Nobel confirmou que ela havia chegado ao país.
María Corina tinha seu paradeiro desconhecido desde janeiro, quando apareceu publicamente pela última vez. O regime venezuelano proibiu formalmente que ela saísse do país. O ministro do Interior da Venezuela e número 2 do chavismo, Diosdado Cabello, disse na segunda desconhecer detalhes sobre a viagem da opositora. Em novembro, o procurador-geral venezuelano disse à agência de notícias AFP que ela seria considerada foragida caso deixasse o país.
Na cerimônia desta manha, Ana Corina fez um discurso confirmando que sua mãe chegaria mais tarde. "Em poucas horas, poderemos abraçá-la aqui em Oslo após 16 meses vivendo escondida. Enquanto aguardo esse momento, [...] penso nas outras filhas e filhos que não poderão ver suas mães hoje. É isso o que a impulsiona. Ela quer viver em uma Venezuela livre e nunca desistirá desse propósito."
"É por isso que todos nós sabemos -e eu sei- que ela voltará muito em breve à Venezuela." Em seguida, ela leu um discurso escrito pela mãe. "Minha geração nasceu em uma democracia vibrante e a tomamos como certa. Valorizamos nossos direitos, mas esquecemos nossos deveres", dizia parte do texto.
O discurso dizia que que a Venezuela, "contra todas as probabilidades, acordou". O texto ainda recordou como ela foi impedida de concorrer à Presidência em julho de 2024, "em um duro golpe" da ditadura.
O presidente do comitê do Nobel da Paz, Jorgen Watne Frydnes, fez um longo discurso de abertura criticando os presos políticos da ditadura de Maduro e citou a imigração em massa dos cidadãos do país.
María Corina recebeu o Nobel da Paz em 10 de outubro "por seu incansável trabalho em favor dos direitos democráticos do povo venezuelano e por sua luta por uma transição justa e pacífica da ditadura à democracia" no país, segundo a organização.
A opositora mantém proximidade com setores alinhados ao presidente dos EUA, Donald Trump, que acusam Maduro de envolvimento com organizações criminosas que representariam ameaça direta à segurança nacional americana -posição questionada por setores da inteligência de Washington. Ao receber o anúncio da premiação, em outubro, ela dedicou parte do reconhecimento a Trump.
María Corina Machado diz que fará todo o possível para voltar à Venezuela com o Nobel da Paz
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dia após desafiar o regime de Nicolás Maduro ao sair da clandestinidade e chegar à Noruega, María Corina Machado afirmou nesta quinta-feira (11) que fará "todo o possível" para retornar à Venezuela com o Prêmio Nobel da Paz.
"Vim receber o prêmio em nome do povo venezuelano e o levarei de volta à Venezuela no momento correto", afirmou a opositora de 58 anos a jornalistas em Oslo.
"Não direi quando nem como isso acontecerá, mas farei todo o possível para poder voltar e também para acabar com esta tirania muito em breve", disse ainda, acrescentando que está "muito esperançosa" de que a Venezuela será livre em breve.
"Nós vamos transformar o país em um lugar de esperança, uma oportunidade de democracia. E nós vamos acolher não somente os venezuelanos que foram forçados a fugir, mas cidadãos de todo o mundo."
María Corina, que estava acompanhada do primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store, também agradeceu aos "homens e mulheres que arriscaram suas vidas" para que ela pudesse viajar, após mais de um ano na clandestinidade. "Anseio pelo dia que vamos [poder] receber todos vocês em um país iluminado, democrático e livre -e isso será em breve", afirmou.
A líder da oposição venezuelana havia planejado chegar à capital norueguesa para a cerimônia de premiação do Nobel da Paz na manha de quarta-feira (10), mas precisou ser representada pela filha Ana Corina Sosa Machado devido a atrasos na viagem.
Na noite de quarta, já madrugada de quinta na Noruega, María Corina acenou ao público em frente ao Grand Hotel, local de alojamento habitual dos ganhadores do Nobel na capital norueguesa. A opositora apareceu na varanda central do prédio, cantou o hino venezuelano e saudou "viva a Venezuela!". Momentos depois, saiu do hotel e cumprimentou apoiadores na rua.
A opositora apareceu na varanda central do prédio, cantou o hino venezuelano e saudou "viva a Venezuela!". Momentos depois, saiu do hotel e cumprimentou apoiadores na rua.
O paradeiro da líder da oposição era desconhecido desde janeiro. A ditadura venezuelana proibiu formalmente que ela saísse do país. Nesta quinta, María Corina cumpre uma série de agendas, incluindo uma visita ao Parlamento.
Ela recebeu o Nobel da Paz em 10 de outubro "por seu incansável trabalho em favor dos direitos democráticos do povo venezuelano e por sua luta por uma transição justa e pacífica da ditadura à democracia" no país, segundo a organização.
A opositora mantém proximidade com setores alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acusam Maduro de envolvimento com organizações criminosas que representariam ameaça direta à segurança nacional americana -posição questionada por setores da inteligência de Washington. Ao receber o anúncio da premiação, em outubro, ela dedicou parte do reconhecimento a Trump.
A premiação ocorre, inclusive, em meio a uma escalada na tensão militar entre Venezuela e EUA. As Forças Armadas americanas capturaram um petroleiro em águas próximas à costa do país sul-americano na quarta.
Segundo a imprensa dos EUA, trata-se do petroleiro Skipper, de bandeira da Guiana. Plataformas de rastreamento apontam que a última viagem da embarcação foi entre o porto de Basra, no Iraque, e Georgetown, capital guianense.
A Venezuela, que possui as maiores reservas de petróleo do mundo, tem uma economia dependente de exportações dessa commodity.
Em resposta, Maduro afirmou em comunicado que a Venezuela "exige o fim da intervenção brutal e ilegal dos Estados Unidos" no país. Trump, questionado sobre o que aconteceria com o navio e sua carga de petróleo venezuelano, respondeu: "Acho que vai ficar conosco".
Comentários para "Transição na Venezuela está a caminho, diz a líder da oposição, María Corina Machado":