Agência da ONU lembra que fenômeno climático não acrescenta novo calor ao planeta, mas libera calor que oceano já vinha armazenando abaixo da superfície; Tailândia abriga Fórum Global sobre altas temperaturas até esta sexta-feira
Agência Onu News - 09/10/2026 07:48:47 | Foto: OMM/Matthew Wilson
As temperaturas da superfície do mar nas regiões central e oriental do Pacífico tropical devem atingir níveis recordes durante o último trimestre deste ano. A situação resulta do fenômeno climático El Niño, que influenciará os padrões meteorológicos e impactará economias, ecossistemas e comunidades em todo o mundo.
O tema está sendo debatido no Fórum Global sobre Calor, realizado até este 9 de outubro em Bangcoc, na Tailândia, e é o destaque da Atualização Climática Sazonal Global.
Risco de secas e inundações
O documento, produzido pela Organização Meteorológica Mundial, OMM, fornece previsões de temperatura e precipitação para o período de outubro a dezembro. Segundo essas estimativas, o El Niño continuará a se intensificar antes de atingir seu pico previsto para dezembro.
É provável que o fenômeno traga temperaturas acima da média para grande parte do globo e altere os padrões de chuvas, aumentando o risco de secas e inundações em diferentes regiões.
A Atualização traz informações oficiais sobre os principais fatores climáticos de grande escala. Entre eles estão o El Niño-Oscilação Sul, Enos, o Dipolo do Oceano Índico, DOI, e as temperaturas da superfície do mar no Atlântico tropical, todos os quais influenciam a temperatura e a precipitação sazonais.
Consenso: atividades até 2027
Essa publicação complementa a Atualização sobre El Niño/La Niña da OMM, divulgada trimestralmente. A líder da agência, Celeste Saulo, lembra que "o
El Niño está firmemente estabelecido e se intensificando rapidamente. As previsões da OMM indicam uma probabilidade próxima de 100% de que ele persista até fevereiro de 2027, podendo ser um dos mais fortes desde pelo menos 1950".
Esse índice de quase certeza não provém de um único modelo. Trata-se de um consenso entre 13 centros nacionais e internacionais, de Washington a Tóquio, passando por Londres e Pune, na Índia, baseado no intercâmbio em tempo real de dados de boias oceânicas, satélites e radiossondas, coordenado pela OMM.
Celeste Saulo afirma que o "El Niño não acrescenta novo calor ao planeta. Ele libera o calor que o oceano já vinha armazenando abaixo da superfície, razão pela qual um evento forte frequentemente resulta em um dos anos mais quentes já registrados, como ocorreu em 2024".
Média acima do normal
A OMM ressalta que o oceano do qual esse calor é extraído está mais quente do que jamais medimos. Simplesmente há mais calor disponível para ser liberado.
As anomalias na temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial centro-oriental, a região central do fenômeno El Niño, são medidas pelo índice Niño 3.4, amplamente utilizado. Esse índice registrou um aumento acentuado, passando de uma média de +1,6 °C acima do normal em junho de 2026 para +2,5 °C acima do normal em agosto.
Para o trimestre de outubro, novembro e dezembro, prevê-se que a anomalia sazonal da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 atinja aproximadamente +3,7°C, com pico por volta de dezembro. Esse valor é o mais alto desde o início das observações e supera o recorde anterior de +2,6°C, registrado no período de novembro de 2015 a janeiro de 2016.
Padrão climático e regime de chuvas
Outras bacias oceânicas também contribuem para a previsão sazonal. Espera-se que o Dipolo do Oceano Índico em fase positiva, um padrão climático capaz de influenciar fortemente o regime de chuvas na região do Oceano Índico, atinja seu pico em outubro e, posteriormente, entre em declínio. A anomalia sazonal para o período de outubro a dezembro está prevista em cerca de +0,5°C.
Paralelamente, as temperaturas da superfície do mar na bacia do Atlântico equatorial devem permanecer acima da média, segundo a Atualização Climática Sazonal Global.
Agosto foi registrado como o mês de agosto mais quente da história, segundo relatórios mensais do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos e da Nasa. A temperatura global da superfície do mar atingiu, em agosto, o nível mais alto já registrado.
Atualizações periódicas estão sendo fornecidas a todo o sistema das Nações Unidas e aos parceiros humanitários para apoiar os esforços de preparação e gestão de riscos por meio do Mecanismo de Coordenação da OMM.
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