Uso do celular cresce entre idosos, mas envelhecimento exige mais cuidado com a sobrecarga das mãos

Especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão explica por que idosos podem ser mais suscetíveis a dores e desconfortos

Uso do celular cresce entre idosos, mas envelhecimento exige mais cuidado com a sobrecarga das mãos
Uso do celular cresce entre idosos, mas envelhecimento exige mais cuidado com a sobrecarga das mãos

Redação Com Informações De Assessoria - 10/09/2026 05:41:02 | Foto: Magnific

O celular se tornou parte da rotina de pessoas de todas as idades. Para quem tem mais de 60 anos, o aparelho facilita a comunicação, aproxima familiares e oferece acesso a serviços, informações e entretenimento.

O cenário é demonstrado por dados. Em 2025, 74,5% dos brasileiros com 60 anos ou mais utilizaram a internet, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um crescimento de 4,4 pontos percentuais em apenas um ano, o maior avanço proporcional entre as faixas etárias.

O movimento também aparece na posse de celulares: 80,3% dos idosos tinham telefone móvel para uso pessoal em 2025, ante 78,3% no ano anterior.

Com a maior presença dos celulares no cotidiano, também cresce o tempo de exposição a movimentos repetitivos das mãos, como digitar, deslizar a tela e segurar o aparelho por períodos prolongados. Embora o uso do celular não seja, isoladamente, responsável por lesões, a repetição desses movimentos e a permanência das mãos e dos punhos em determinadas posições podem favorecer o surgimento ou o agravamento de dores e outros desconfortos.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Dr. Roberto Luiz Sobania, a sobrecarga merece atenção especial entre os idosos. “Os esforços nos idosos sempre preocupam mais do que nos jovens, uma vez que eles têm menor capacidade muscular . As pessoas idosas já gastaram mais as articulações e perderam um pouco de massa muscular. Sendo assim, o uso excessivo de celular tem uma chance maior de causar dor, desconforto e de fazer com que eles tenham que fazer pausas mais frequentes ”, explica o especialista.

O problema pode ser ainda mais perceptível em quem já apresenta artrose, principalmente nas articulações próximas à ponta dos dedos e na base do polegar. Segurar o celular com as duas mãos e digitar continuamente com os dois polegares pode aumentar o desconforto nessas regiões.

“Isso não significa que pessoas com mais de 60 anos precisem deixar de usar o celular. A recomendação é adaptar a maneira de utilizar o aparelho e respeitar os sinais do corpo. Fazer pausas durante o uso, alternar as atividades e recorrer a recursos como mensagens de áudio e digitação por voz são medidas simples que podem ajudar a reduzir a sobrecarga das mãos”, pontua o presidente da SBCM.

A postura também merece atenção. Manter a cabeça inclinada para olhar a tela por longos períodos pode sobrecarregar a região do pescoço, enquanto segurar o aparelho continuamente exige esforço dos braços e das mãos. Utilizar um suporte para deixar o celular na altura dos olhos pode ser uma alternativa mais confortável.

Outra recomendação do ortopedista é mudar a forma de digitar: em vez de segurar o aparelho com as duas mãos e utilizar os dois polegares, uma opção é segurar o celular com uma mão e usar o dedo indicador da outra para tocar na tela.

“ Essa posição fará com que a pessoa perca um pouco de velocidade na digitação, mas, por outro lado, trará um conforto muito maior ”, fala Sobania.

Para tarefas mais longas, a orientação é, sempre que possível, optar pelo computador. A tela maior permite uma posição mais adequada, com os pés apoiados no chão, coluna apoiada e antebraços sobre a mesa.

Também é importante ficar atento aos sinais de alerta. Uma dor ocasional depois de um período prolongado de uso pode melhorar com descanso e redução do tempo diante do celular. Porém, quando o desconforto persiste ou começa a atrapalhar atividades simples do dia a dia, é hora de buscar avaliação profissional.

“ Se mesmo com a redução do uso do celular a dor persistir, ou havendo dificuldade para utilizar o aparelho até por pequenos períodos, ou para segurar outros objetos, girar chaves, abrir potes e garrafas, a pessoa deve procurar rapidamente um atendimento especializado ”, ressalta o ortopedista.

A atenção deve ser redobrada quando já existem deformidades nos dedos ou estalos e crepitação na região da base do polegar, sinais que podem indicar alterações articulares anteriores e maior possibilidade de agravamento.

Além de ajustar a forma de usar a tecnologia, exercícios simples de alongamento e fortalecimento podem fazer parte da rotina, desde que sejam adequados para cada pessoa. Alongar mãos e punhos e realizar movimentos de fortalecimento podem ajudar a preservar a musculatura e proteger as articulações.

“A tecnologia deve facilitar a vida e não se transformar em fonte de dor. Para quem tem mais de 60 anos, pequenas mudanças na maneira de usar o celular podem fazer diferença para manter o conforto, a autonomia e o prazer de estar conectado”, conclui.

Sobre a Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão

A SBCM (Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão), fundada em 1959, congrega médicos especialistas em Cirurgia da Mão e Reconstrutiva do Membro Superior. A instituição promove a formação de profissionais, além de fornecer condições para atualização permanente, sob a forma de ensino, pesquisa, educação continuada, desenvolvimento cultural e defesa profissional. Mais informações em www.cirurgiadamao.org.br.

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