Avanços em alertas climáticos reforçam meta global da Organização das Nações Unidas até 2027

Estudo mostra progressos em países como Moçambique, Bangladesh e Haiti, com medidas que vão da padronização de avisos à criação de serviços nacionais; objetivo é alcançar todo o planeta

Avanços em alertas climáticos reforçam meta global da Organização das Nações Unidas até 2027
Avanços em alertas climáticos reforçam meta global da Organização das Nações Unidas até 2027

Agência Onu News - 19/10/2026 16:50:48 | Foto: © Jozine/Emidio

A Organização Meteorológica Mundial, OMM, publicou um novo relatório sobre os avanços dos sistemas de alerta para desastres climáticos em cinco países: Moçambique, Bangladesh, Haiti, Libéria e Somália.

As ações integram uma iniciativa global que busca garantir que todas as pessoas no planeta estejam avisadas previamente pelos alertas até 2027.

Os custos dos desastres naturais
Segundo a ONU, os custos dos desastres naturais pelo mundo aumentam a cada ano. Em 2025, a conta chegou a US$ 202 bilhões, mas se forem somados o prejuízo dos desastres e os seus efeitos em ecossistemas, este número pode ultrapassar US$ 2,3 trilhões.

Outro problema é o fardo econômico e a dívida que os acidentes naturais causam aos países de forma desproporcional. Em nações em desenvolvimento, os estragos são maiores para economias e populações inteiras.

Especialistas das Nações Unidas enfatizam a necessidade de se investir em sistemas de resiliência e prevenção de desastres.

Moçambique e ciclones
Moçambique, o país de língua portuguesa, no sul da África, é um dos mais atingidos por ciclones e intempéries no sudoeste do Oceano Índico. Ali, o projeto focou no aperfeiçoamento dos serviços operacionais de previsão e emissão de alertas.

O intercâmbio de conhecimentos com a África do Sul incentivou a implementação de avisos padronizados via o Protocolo Comum de Alertas, CAP, e definiu procedimentos operacionais para os perigos de maior prioridade.

Além disso, as equipes de meteorologia e hidrologia do país receberam treinamento especializado em sistemas internacionais de observação e troca de dados.

Soluções para diferentes realidades
Na Somália, a criação das bases institucionais do Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia estabeleceu mecanismos legais e coordenação estatal para migrar para um sistema público e nacional.

As prioridades na Libéria centraram-se na qualidade dos dados, com a reativação de estações de observação, digitalização de registos históricos e cooperação técnica com a Nigéria.

Já em Bangladesh, apoiaram a previsão no litoral, incluindo modelação de ressacas e inundações, além da integração entre agências governamentais, serviços meteorológicos e os meios de comunicação social para disseminação de alertas padronizados pelo Protocolo.

Por último, as medidas no Haiti garantiram a continuidade dos serviços através do fornecimento de energia de reserva, equipamentos de previsão e conexão via satélite.

Investimentos a longo prazo
A pesquisa da OMM recebeu US$ 900 mil do financiamento de US$ 5,5 milhões concedido pela Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional, Sida, através do Escritório da ONU para a Redução do Risco de Desastres, Undrr.

O relatório reforça que os serviços meteorológicos exigem abordagens baseadas na realidade de cada país.

Apesar dos progressos, a OMM alerta que o trabalho exige continuidade e novos investimentos de longo prazo para além da meta de 2027.

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