O primeiro roteiro será dedicado a orientar a transição energética mundial rumo a fontes mais limpas, enquanto o segundo reunirá medidas para combater o desmatamento e a degradação florestal
Rio De Janeiro, 31 Out Agência De Notícias Xinhua Brasil - 02/11/2026 07:16:21 | Foto: Rio de Janeiro, 31 out Agência de Notícias Xinhua Brasil
O Brasil se prepara para entregar à Turquia o comando da diplomacia climática internacional, após exercer a presidência da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em novembro de 2025 na cidade amazônica de Belém, com a apresentação de dois roteiros destinados a impulsionar o combate ao desmatamento e acelerar a transição energética global.
Os documentos serão apresentados em 3 de novembro e constituirão uma das principais contribuições brasileiras ao processo de preparação da COP31, que ocorrerá na Turquia. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, participará da conferência nos dias 11 e 12 de novembro.
Com essa iniciativa, o Brasil busca dar continuidade ao impulso político gerado durante a COP30 e manter, entre as prioridades da agenda internacional, dois desafios centrais da luta contra as mudanças climáticas: a proteção das florestas e a redução progressiva da dependência de combustíveis fósseis.
O primeiro roteiro será dedicado a orientar a transição energética mundial rumo a fontes mais limpas, enquanto o segundo reunirá medidas para combater o desmatamento e a degradação florestal.
A transição energética foi um dos principais temas defendidos pelo Brasil durante sua presidência da COP30 e contou com o apoio de cerca de 80 países. Embora não tenha sido incorporada ao documento final da conferência, o governo brasileiro decidiu manter a iniciativa no centro do debate internacional e apresentar uma proposta que possa servir de referência para futuras negociações.
No âmbito nacional, o Governo brasileiro continua trabalhando na elaboração de seu próprio plano de transição energética, que estabelecerá diretrizes para reduzir gradualmente a dependência de combustíveis fósseis e ampliar os investimentos em energias renováveis e tecnologias de baixas emissões.
O Ministério do Meio Ambiente informou que "os estudos técnicos que servirão de base para o roteiro estão em fase de finalização" e ressaltou que o documento está sendo elaborado de forma coordenada entre diferentes áreas do Executivo.
A empresa destacou que sua estratégia está alinhada aos objetivos do Acordo de Paris e que seu plano de negócios para o período 2026-2030 prevê investimentos de 13 bilhões de dólares em energias de baixo carbono, bioprodutos, descarbonização de suas operações, além de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A Petrobras também mantém a meta de alcançar emissões líquidas zero em suas operações até 2050.
Quanto à exploração de petróleo na Margem Equatorial, o Ministério de Minas e Energia indicou que a atuação do Governo Federal visa "garantir a segurança energética e a estabilidade fiscal no curto e médio prazo".
Já Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, avaliou que a expansão da exploração petrolífera em novas áreas traz desafios para a coerência da política ambiental brasileira.
Por sua vez, o diretor técnico do instituto LACLIMA, André Castro, ressaltou a importância de fortalecer a coordenação institucional das políticas climáticas e sugeriu que uma autoridade climática nacional poderia abrir novos espaços para avançar nessa agenda, tanto dentro quanto fora do país.
Com a apresentação dos dois roteiros e a transferência da presidência da COP para a Turquia, o Brasil almeja consolidar o legado de Belém e contribuir para que a próxima conferência avance em compromissos concretos para proteger os ecossistemas, transformar os sistemas energéticos e reforçar a resposta global às mudanças climáticas.
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