Há o temor de que a invasão da Venezuela e a captura de Maduro abram brecha para que outros países utilizem a mesma estratégia para agredir vizinhos, como, por exemplo, no caso da China em relação a Taiwan.
Victoria Damasceno-pequim, China (folhapress) - 05/01/2026 06:50:31 | Foto: Ilustrativa Elinaldo Santos/Secom/Divulgação
A China pediu aos Estados Unidos que libertem "imediatamente" o ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, capturados em um ataque americano contra o país sul-americano neste sábado (2).
"A China apela aos EUA para garantir a segurança pessoal do presidente Maduro e de sua esposa, libertá-los imediatamente, cessar a subversão do governo venezuelano e resolver as divergências por meio do diálogo e da negociação", declarou o Ministério das Relações Exteriores, em nota.
Antes, a pasta já havia afirmado que condena a ação militar americana e que está "profundamente chocada" com o ataque.
"A China se opõe firmemente ao comportamento hegemônico dos EUA, que viola gravemente o direito internacional e a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe. Instamos os EUA a respeitar o direito internacional e os princípios da Carta da ONU e a parar de violar a soberania e a segurança de outros países", declarou.
Maduro e a esposa desembarcaram na noite de sábado no Aeroporto Internacional Stewart, nos arredores da cidade de Nova York, sob forte escolta de policiais, militares e agentes de segurança.
Em pronunciamento horas após a captura, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país governará a Venezuela até a transição e que o petróleo da nação sul-americana será explorado por americanos.
A Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo e tem a China como um dos principais compradores. Questionado por jornalistas sobre como a ação afeta a relação com o país asiático e outros interessados na nação invadida, Trump afirmou que aqueles que querem petróleo, terão.
"Vamos vendê-lo. Provavelmente venderemos em volumes muito maiores, porque eles produziam muito pouco devido à infraestrutura precária. Vamos vender grandes quantidades de petróleo a outros países, muitos dos quais já o utilizam, e muitos outros virão."
Trump disse ainda que, se necessário, enviará militares a solo venezuelano para garantir o controle dos EUA e que está negociando com Delcy Rodríguez, a vice de Maduro, sobre os próximos passos. O Brasil a reconheceu como interina na ausência do ditador.
Há o temor de que a invasão da Venezuela e a captura de Maduro abram brecha para que outros países utilizem a mesma estratégia para agredir vizinhos, como, por exemplo, no caso da China em relação a Taiwan.
Pequim afirma que a ilha, que tem um presidente democraticamente eleito, é parte "inalienável" de seu território e não descarta o uso da força para a reunificação.
Editorial publicado no veículo estatal China Daily, o principal jornal do país, neste domingo (4) afirmou que as ações do governo Trump estabelecem "um precedente perigoso para as relações internacionais".
Sem fazer menção ao próprio país ou a outras nações, o texto afirma que o raciocínio de Washington, se aceito, concederia a "países poderosos uma licença universal para intervenção militar, contrariando diretamente os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas".
"A agressão injustificável dos EUA destrói qualquer autoridade moral que possam ter reivindicado. As regras internacionais aplicam-se a todos, não apenas a alguns. Quando os mais fortes optam por ignorar a lei, a proteção das normas se enfraquece para todos", diz o editorial.
Nicolás Maduro passa a noite em centro de detenção de Nova York
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, passou a noite num centro de detenção em Nova York após ter desembarcado, neste sábado (3), no Aeroporto Internacional Stewart, sob forte escolta de policiais, militares e agentes de segurança ao ser capturado durante ataque dos Estados Unidos contra Caracas horas antes.
Na chegada de Maduro, um dos perfis oficiais da Casa Branca publicou, no X, um vídeo em que ele caminha, algemado, na sede da agência antidrogas do país, em Nova York. Na filmagem, o ditador carrega uma garrafa de água, veste roupas de inverno e é escolado por três agentes. Segundo o jornal The New York Times, ele foi levado, logo após, para um centro de detenção no bairro do Brooklyn.
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados para um navio militar americano no Caribe e, então, transportados até Nova York, onde responderão a acusações feitas pelo Departamento de Justiça do governo Donald Trump de crimes comonarcoterrorismo, tráfico de drogas e porte ilegal de armas.
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