Eduardo Moscovis diz que homens devem atuar mais contra o machismo

A peça conta a história de Antonio, um matemático envolvido em uma espiral de violência após testemunhar as ações de um homem machista, cruel e violento

Eduardo Moscovis diz que homens devem atuar mais contra o machismo
Eduardo Moscovis diz que homens devem atuar mais contra o machismo

Cristina Camargo Curitiba, Pr (folhapress) - 06/04/2026 11:54:19 | Foto: Eduardo Moscovis volta ao teatro — Foto: Divulgação

Pouco antes de começar a maratona teatral que viveu no Festival de Curitiba, no último final de semana, o ator Eduardo Moscovis, 57, defendeu que os homens sejam mais ativos no combate ao machismo e à violência contra a mulher.

"Nós, homens, temos que sair um pouco do lugar em que a gente só não concorda, só não compactua. Temos que começar a atuar mais, mesmo que seja nos nossos pequenos grupos de amigos", disse em entrevista, ao ser perguntado sobre o discurso feito ao vencer o Prêmio Shell, no mês passado.

"Não aos machistas, não aos racistas, não aos misóginos, não aos homofóbicos, não aos transfóbicos, não aos neonazistas, não ao movimento rede pill", afirmou, ao ser premiado pela interpretação no monólogo "O Motociclista no Globo da Morte".

Foi esse espetáculo, escrito por Leonardo Netto e dirigido por Rodrigo Portella, que Moscovis apresentou em quatro sessões lotadas no festival. A proposta era levar o solo para um espaço maior em Curitiba, mas o ator pediu que fosse mantido o clima intimista e as encenações ocorreram no Teatro Paiol, com 217 lugares.

A peça conta a história de Antonio, um matemático envolvido em uma espiral de violência após testemunhar as ações de um homem machista, cruel e violento.

Sentado em uma cadeira, Moscovis tem como aliados os recursos da iluminação assinada por Ana Luzia de Simoni e da sonoplastia de André Muato para construir uma narrativa surpreendente.

No Prêmio Shell, falando como pessoa física, como diz, ele foi estimulado por emoções causadas pela homenagem à atriz e cantora Zezé Motta e por discursos de outros vencedores para dizer o que gostaria.

"Foi a possibilidade de criticar esse tipo de homem, que eu não concordo, não compactuo. Acho que temos que ficar cada vez mais atentos. E nos colocarmos cada vez mais".

Segundo o ator, mesmo homens que não aceitam mais os pensamentos machistas encontram amigos ainda com discursos desse tipo, muitas vezes em forma de piada.

"Acho que faz parte, de uma forma educadora, com a permissão que a boa amizade propõe, chamar a atenção: cara, isso não é legal você falar, isso que está fazendo não cabe mais".

Moscovis critica quem perpetua discursos preconceituosos como se fossem apenas piadas. "Não tem mais rá-rá-rá, não pode ter".

Ele citou casos recentes de violência contra animais e de jovens que fazem listas de meninas "estupráveis" como exemplos de crueldades que merecem posicionamentos firmes dos responsáveis. Defendeu também atenção a candidatos com discursos bélicos, machistas e preconceituosos nas eleições.

Leonardo Netto se inspirou em um vídeo que viu no Facebook para escrever "O Motociclista no Globo da Morte". As imagens de violência contra um cachorro o deixaram angustiado e ele começou a construir a história que virou sucesso no teatro.

"Eu quis botar para fora, escrevendo esse texto, a questão da violência humana, da banalização".

Como Moscovis, o dramaturgo percebe a falta de sensibilidade de grande parte da população diante das inúmeras cenas de violência noticiadas e exibidas em imagens nas redes sociais. A peça é uma tentativa de resgatar a empatia e a indignação.

"Fico comovido ao ver o rosto das pessoas saindo do teatro, as coisas que comentam. Fico feliz de ter essa resposta", disse.

Quando o monólogo estava em cartaz no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro, o diretor chegava a correr, após as apresentações, para ficar na porta e testemunhar a reação do público.

"O Motociclista no Globo da Morte" fez temporada entre janeiro e março em São Paulo, para onde deve voltar em 2027.

No Festival de Curitiba, o diretor reviu a encenação dois meses após acompanhar a estreia na capital paulista. Sentado no chão, em frente ao ator, Portella foi mais um a não disfarçar os efeitos causados pela história e pela interpretação de Moscovis. Estava com lágrimas nos olhos no final.

FESTIVAL DE CURITIBA
Quando Até 12 de abril
Onde Diversos locais em Curitiba e região metropolitana
Preço De R$ 42,50 a R$ 85
Link https://festivaldecuritiba.com.br/

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