Competência não tem gênero, diz 1ª mulher general do Exército no Brasil
Isadora Albernaz Brasília, Df (folhapress) - 05/04/2026 09:43:07 | Foto: Como general, Cláudia Cacho deve assumir o comando do Hospital Militar de Área de Brasília - Reprodução/Instagram/@exercito_oficial
O Exército brasileiro promoveu nesta quarta-feira (1º) a primeira mulher à patente de general de brigada, Claudia Lima Gusmão Cacho, 57, durante cerimônia em Brasília. A posição figura entre as principais da hierarquia da Força.
Em discurso, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Francisco Humberto Montenegro Junior, afirmou que a promoção de Cláudia Gusmão tem "especial significado histórico" e representa "a maturidade de um Exército que reconhece seus talentos de forma justa e que valoriza seus profissionais na exata medida em que se distinguem no exercício da atividade militar".
Além de Claudia, a solenidade no Clube do Exército promoveu 16 coronéis ao posto de general de brigada, 11 generais de brigada ao de general de divisão e 2 generais de divisão ao de general de Exército -que passarão a integrar o Alto Comando.
O ato que confirmou a mudança dos oficiais foi chancelado pelo presidente Lula (PT) na terça (24), data-limite para a assinatura. A medida era reivindicada pelo ministro da Defesa, José Múcio.
Natural do Recife, Claudia Gusmão é médica pediatra e ingressou no Exército em 1996. Passou a fazer parte, como oficial temporária, do 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia.
Posteriormente, foi aprovada na Escola de Saúde do Exército e concluiu, em 1998, o Curso de Formação de Oficiais Médicos. A matrícula da primeira turma de oficiais médicas, dentistas, farmacêuticas e enfermeiras de nível superior nessa escola aconteceu um ano antes, em 1997.
Esses cargos não permitiam, entretanto, a ascensão aos postos mais altos da carreira no Exército, como o generalato. A mudança viria em 2012, quando foi autorizado o ingresso de mulheres nas turmas oficiais da linha militar bélica, que permite a promoção.
Ao longo dessas três décadas, Gusmão chefiou o Escalão de Saúde do Comando da 1ª Região Militar, foi subdiretora de Legislação e Perícias Médicas da Diretoria de Saúde e esteve à frente da Divisão de Perícias Médicas da Inspetoria de Saúde do Comando Militar do Nordeste. Ela também foi inspetora adjunta de saúde do Comando da 9ª Região Militar.
Gusmão também fez parte da diretoria de três instalações hospitalares do Exército: o Hospital de Guarnição de Natal, o Hospital Militar de Área de Campo Grande e o Hospital Central do Exército. Entre as condecorações, já recebeu a medalha da Ordem do Mérito Militar no grau de oficial, a Medalha do Pacificador, entre outras.
Segundo dados das Forças Armadas brasileiras, em 2023, havia cerca de 13 mil mulheres no Exército, correspondendo a 6% do contingente. Marinha e Aeronáutica tinham, respectivamente, 11% e 22%.
Competência não tem gênero, diz 1ª mulher general do Exército no Brasil
ISADORA ALBERNAZ - BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Primeira mulher a ocupar o posto de general de brigada do Exército brasileiro, Claudia Lima Gusmão Cacho, 57, afirmou que sua promoção oficializada nesta quarta-feira (1º) não aconteceu "nem tarde nem cedo" e disse que "responsabilidade e competência não têm gênero".
"Foi o tempo necessário, desde a minha entrada até chegar hoje", afirmou a militar após a cerimônia em Brasília, onde ela recebeu a espada de general e o bastão de comando, símbolos de autoridade exclusivos dos oficiais-generais da ativa.
"É o reconhecimento do Exército Brasileiro a uma trajetória de quase 30 anos dentro da Força, desde aspirante oficial-médica até, hoje, chegar a esse cargo de oficial-general. Eu me sinto reconhecida pelo trabalho, o mérito que me acompanhou durante essa trajetória. É o meu sentimento maior: gratidão. E muita disponibilidade e aumento da responsabilidade", completou.
Natural do Recife, Claudia Gusmão é médica pediatra e ingressou no Exército em 1996. Agora, ela irá assumir a direção do HMAB (Hospital Militar de Área de Brasília).
A posição de general de brigada figura entre as principais da hierarquia do Exército, que completará 378 anos em 19 de abril. O ingresso feminino em turmas oficiais da linha militar bélica -o que permite a promoção ao cargo- foi autorizado apenas em 2012.
Em entrevista a jornalistas, a general afirmou que as mulheres têm potencial para ocupar diferentes posições ao mesmo tempo e destacou a importância de a família ser uma rede de apoio nesse processo.
"Nós temos a característica, o potencial de ser tudo isso ao mesmo tempo. Médica, mãe, militar. Eu consegui ser médica, ser militar, fazer os cursos que eu quis e nunca deixei de ser mãe, de ser aquela pessoa que estava presente ao lado das minhas filhas e ao lado do meu esposo", disse.
Questionada sobre a influência que pode ter para a entrada de outras mulheres no Exército, a primeira general de brigada afirmou que aquelas que se interessarem pela carreira militar devem se capacitar e se preparar.
"Que elas acreditem nelas mesmas, que elas têm competência, têm responsabilidade. Elas podem chegar. Como a gente diz, responsabilidade e competência não têm gênero. Hoje há inúmeras possibilidades de ingresso nas Forças Armadas, seja como militar de carreira, como temporário. A profissão militar tem as peculiaridades. A gente precisa estar preparado para isso", afirmou.
A solenidade no Clube do Exército promoveu 17 coronéis ao posto de general de brigada, 11 generais de brigada ao de general de divisão e 2 generais de divisão ao de general de Exército -que passarão a integrar o Alto Comando.
Única autoridade a discursar no evento, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Francisco Humberto Montenegro Junior, afirmou que a promoção de Claudia Gusmão tem "especial significado histórico" e representa "a maturidade de um Exército que reconhece seus talentos de forma justa".
O comandante do Exército, general Tomás Paiva, disse que a Força também pretende incluir mulheres em armas mais combatentes. "Aos poucos, elas estão se integrando em todas as nossas atividades operacionais. A nossa ideia é continuar os estudos e a gente faz tudo com muita tranquilidade para poder se preparar para recebê-las bem", declarou.
"Com o tempo, vocês vão ver mulheres no alto comando do Exército Brasileiro. Vai acontecer", afirmou o ministro da Defesa, José Múcio, que esteve presente na cerimônia e articulou para que o presidente Lula (PT) assinasse na terça (31) o ato de promoção dos generais.
Múcio citou que o Ministério da Defesa incorporou no início de março 1.467 mulheres ao serviço militar inicial. Ao todo, foram 157 na Marinha, 1.010 no Exército e 300 na Força Aérea.
Segundo dados das Forças Armadas brasileiras, em 2023, havia cerca de 13 mil mulheres no Exército, correspondendo a 6% do contingente. Marinha e Aeronáutica tinham, respectivamente, 11% e 22%.
QUEM É A PRIMEIRA GENERAL DE BRIGADA DO EXÉRCITO
Após entrar na Força, Claudia Gusmão passou a fazer parte, como oficial temporária, do 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia.
Posteriormente, foi aprovada na Escola de Saúde do Exército e concluiu, em 1998, o Curso de Formação de Oficiais Médicos. A matrícula da primeira turma de oficiais médicas, dentistas, farmacêuticas e enfermeiras de nível superior nessa escola aconteceu um ano antes, em 1997.
Ao longo dessas três décadas, Gusmão chefiou o Escalão de Saúde do Comando da 1ª Região Militar, foi subdiretora de Legislação e Perícias Médicas da Diretoria de Saúde e esteve à frente da Divisão de Perícias Médicas da Inspetoria de Saúde do Comando Militar do Nordeste. Ela também foi inspetora-adjunta de saúde do Comando da 9ª Região Militar.
Gusmão também fez parte da diretoria de três instalações hospitalares do Exército: o Hospital de Guarnição de Natal, o Hospital Militar de Área de Campo Grande e o Hospital Central do Exército. Entre as condecorações, já recebeu a medalha da Ordem do Mérito Militar no grau de oficial, a Medalha do Pacificador, entre outras.
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