Florestas em Portugal impulsionam transição verde apesar de incêndios, aponta Unece

Produtos florestais representam cerca de 9% do total das exportações portuguesas; fogo nas matas e volatilidade dos mercados representam as duas principais vulnerabilidades do setor

Florestas em Portugal impulsionam transição verde apesar de incêndios, aponta Unece
Florestas em Portugal impulsionam transição verde apesar de incêndios, aponta Unece

Agência Onu News - 08/05/2026 09:39:22 | Foto: © Unsplash/Ingemar Johnsson

Um relatório da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa, Unece, coloca Portugal entre os 16 países onde a indústria florestal assume um papel central na transição verde da região pan-europeia.

A madeira tem vindo a destacar-se como “um pilar crítico da estabilidade económica europeia”, a par da crescente capacidade de resposta da indústria florestal às necessidades económicas e aos compromissos ambientais de países como Portugal.

Tendência exportadora
Os dados constam de um relatório divulgado pela agência. Com uma cobertura florestal correspondente a 36% do território nacional, a fileira florestal portuguesa mantém a tendência exportadora de produtos de base florestal.

Segundo a Unece, no atual milénio, os produtos da floresta no país têm representado cerca de 9% do total das exportações.

Em 2024, o valor das exportações superou o das importações dos mesmos produtos florestais em mais de € 3 bilhões.

Entre os produtos estão madeira para construção, o mobiliário, os têxteis, o vestuário e o calçado, os bioplásticos, o papel, os produtos químicos derivados de resinas e as rolhas de cortiça.

Incêndios Florestais
Apesar da redução do número de incêndios florestais em cerca de 47% em 2024, por comparação com a média dos últimos 10 anos, a dimensão média dos incêndios tem aumentado em Portugal.

O aumento global de 22% da área queimada face à média da última década enfraquece a resiliência económica do setor. O relatório assinala o impacto negativo dos incêndios no meio rural, na atividade agrícola e na depreciação da qualidade da madeira destinada a uso industrial.

Por sua vez, o volume acentuado de exportação de uma grande parte da produção florestal representa, simultaneamente, uma fragilidade da fileira florestal portuguesa.

A dependência dos mercados internacionais, a par da instabilidade provocada pela aplicação de tarifas sobre produtos derivados da madeira, coloca o setor numa posição de vulnerabilidade, alerta a Unece.

Floresta na transição climática
Com uma produção energética assente maioritariamente em fontes renováveis – 75,8% em 2023 –, a Unece sublinha que Portugal assumiu internacionalmente o compromisso de atingir a neutralidade carbónica até 2050.

Ao abrigo do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, as autoridades portuguesas projetam a valorização da floresta como fonte de matérias-primas sustentáveis, bem como o seu reforço enquanto sumidouro de carbono essencial para neutralizar as emissões de gases com efeito de estufa.

Paralelamente, através de iniciativas como o Plano Nacional de Energia e Clima 2030, Portugal procura impulsionar o papel das florestas e da biomassa florestal na descarbonização da economia, promover a agricultura sustentável e aumentar a captura de carbono pelas florestas no futuro-próximo.

No conjunto dos 16 países analisados, o levantamento aponta para uma tendência de transição para um setor florestal assente na inovação tecnológica e na resiliência climática, obedecendo a uma utilização otimizada dos recursos e ao desenvolvimento de bioeconomias circulares.

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